Gurdjieff

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terça-feira, novembro 29, 2005

Mitos Fundadores (Continuação)


Para os antigos vedas, aqueles que legaram à Índia os Unapanishads e seu sistema social, as "Eras" pelas quais atravessava a humanidade (de acordo com Rao Bahadur Row, citado por Helena Blavatsky na "Síntese da Doutrina Esotérica (1)) eram o Krita Yuga, o Treta Yuga, o Dvapara Yuga e os tempos atuais, a "Era de Ferro" (2) (como na mitologia grega), a "Kali Yuga (ou "Era da Deusa Kali"). Um Quadro muito antigo descreve a duração destas "Eras" em anos terrestres (anos do ciclo de vida do homem, pelos calendários solar ou lunar) e está apresentado logo abaixo, em uma tabela:


Anos
360 Dias Mortais 1
O Krita-Yuga contém 1.728.000
O Treta-Yuga contém 1.296.000
O Dvapara Yuga tem 864.000
O Kali-Yuga tem 432.000


O total destas quatro Yugas perfaz um Maha-Yuga de 4.320.000. Setenta e um destes maha-Yuga formam o período do reinado de um Manu (306.720.000) e o reinado de 14 Manus é igual a 4.294.080.000 anos. Acrescentem-se os Sandhis (intervalos entre o reinado de cada Manu, de 25.920.000 anos e chegamos ao total desses reinos e interregnos de Catorze Manus que é de 1.000 Maha-Yugas que constituem um Kalpa, isto é um dia de Brahma. Levando em conta que a noite de Bhrama tem igual duração, um dia e uma noite de Brahma contêm 8.640.000.000 dias e um ano de Bhrama tem 360 dias e noites (3.110.400.000.000 dos nossos anos). Logo, 100 anos constituem um período ou idade de Bhrama, isto é, um Maha Kalpa de 311.040.000.000.000.

Falando do Senhor Caitan Mahaprabu, uma das encarnações de Krishna (os vedas e verdadeiros hindús crêem na reencarnação e em Avatares), adorado pelos "Gosvamis" (senhores dos sentidos, de Go, que pode significar "terra", "vaca" ou "sentidos" e swami, senhor), o sábio Bhaktivedanta Swami Prabhupadha (3) (fundador "Sociedade Internacional da Consciência de Krishna"), explica através de um belo poema em sânscrito de Rupa Gosvami o significado pleno da "Kali Yuga":

"anarpita-carim cirãt karunyavatirnah kalau
samapayutum unnatojjvala rasam sva-bhakti-sryiam
harih purata-sundara-dyuti-kadamba-sandipitah
sada hrdaya-kandare sphuratu vah saci-nandanah
(Caitanya-caratamrt, Adi 1.4).

O termo "kalau", em sânscrito, significa esta "Era", a de "Kali", "Era de Ferro", que segundo o Swami "(...) é muito contaminada, uma era de desavenças e discórdias. Rupa Gosvami diz que nesta era de Kali, em que tudo é discórdia e desavenças (...)", referindo-se à encarnação de Krishna diz: "(..)'Vós descestes para oferecer o mais elevado amor a Deus.' Samapayutum unnatojjvala-rasam: e não somente a mais elevada, mas também uma rasa, ou sentimento transcendental muito brilhante".

Em um mundo que a cada dia mais banaliza o sagrado, vale neste ponto - talvez adiantando outra temática - recordar como os oportunistas, vigaristas e "vendilhões do templo" banalizam a yoga, a arte milenar védica da União com o Cosmos, apresentando aos incautos versões desta ciência que se equiparam aos mais rudimentares exercícios físicos ocidentais, que aumentam a força física mas deixam irremediavelmente combalido o espírito, gerando os violentos rapazes que, embriagados, envolvem-se em incidentes homicidas, desastres nas estradas e enchem seus pais de dissabores.

Na "Era de Kali", os homens afastam-se do real significado do Yoga, cantado por Krishna do 'Bhagavad Gita" (4):

"Quando não tem nenhum desejo ardente, nenhum ódio,
Um homem anda a salvo entre as coisas
da luxúria e do ódio,
Obedecer ao Atman
É sua alegria tranqüila:
A tristeza se dissolve
Nesta paz transparente:
sua mente quieta
logo se estabelece na paz".

NOTAS:

(1) BLAVATSKY, Helena P. Síntese da doutrina secreta. São Paulo. Ed. Pensamento: s.d.
(2) Kali personifica a fúria feminina que deixa destruição e morte, vindo à terra em um momento de grave guerra entre Deuses e Demônios.
(3) PRABHUPADA, A.C. Bhaktivedanta Swami. ciência da auto-realização.Lisboa. The Bhaktivedanta Book Trust International. 1995.
(4) Há várias traduções do "Canto do Senhor" em português. O mais importante é que seja bilíngüe (cotejada pelo texto original em sânscrito).

2 comentários:

Robson Batista disse...

Caro Sr. Cornélio, parabéns!
As matérias que tem tratado neste blog são muito dignas, oportunas, interessantes... Como buscador, deve saber, portanto, que pensamento e ação devem caminhar juntos, um é a materialização do outro. Falo isto referindo à afirmativa: "Já me interessei por diversos campos do saber sem me deter muito em nenhum deles. Sou muito disperso."

Para sua reflexão, veja o que nos revela um grande iniciado do século XIX:

"A Alta Ciência compreende duas coisas: a palavra ou o verbo, e as obras, que são a última forma, ou seja, o complemento do verbo."

E para finalizar ouso me valer de um mestre essênio:
“Quem descobrir o sentido destas palavras, não provará a morte. Quem procura, não cesse de procurar até achar; e quando achar será estupefato; e quando estupefato, ficará maravilhado - e então terá o domínio sobre o Universo.”

Paz Profunda!

Anônimo disse...

Bem lembrado. Obrigado pela dica dos essênios.