Gurdjieff

Gurdjieff
Quem é Gurdjieff?

sábado, fevereiro 10, 2007

Algunos momentos con Mr Gurdjieff

Video que mostra alguns momentos de Gurdjieff fom seus alunos, em Paris, ano de 1949. Inesquecível.

domingo, fevereiro 04, 2007

Manifestações da Umbanda

Tudo o que escreverei aqui poderia ser melhor detalhado, mas todas as coisas têm o seu tempo. É trivial repetir que o que chamam de "Umbanda" no Brasil em nada mais se constitui que em uma mescla do candomblé africano, espiritualismo genérico e kardecismo francês (ou "espiritismo científico" que ganhou terreno no Brasil) dotada, aos poucos, de um arcabouço teórico que faz lembrar o sistema teosófico e os demais sistemas e ritualismos ocultistas com as suas sete linhas e hierarquias de exús.
O autor destas linhas já avistou graças à clarividência algumas das entidas da umbanda brasileira, em especial os "tranca ruas" e o famoso "Zé Pilintra". São entidas vulgares e que não trazem ensinamentos, portanto não podem ser inseridas em um grau maior na linhagem dos seres de outros planos. Apesar do vocabulário enganador, pelos hábitos que ostentam (os vícios do fumo, da bebida e o emprego de palavras de baixo calão) não são exemplos de virtude, mas a sua própria existência e a freqüência com que se manifestam entre médiuns umbandistas ou não, por meio de aparições, incorporações (tomando o corpo físico do médium ou cavalo) ou sonhos (algumas delas aparecem de forma corriqueira em nosso estado de sono) demandam algum estudo mais aprofundado à luz do ocultismo e da doutrina teosófica.
A maioria deste seres que nos visitam desde outro plano são negros, morenos ou definitivamente mestiços. Seu tipo racial miscigenado é o do brasileiro típico, com trejeitos do sofredor escravo do eito (o "preto velho"), do índio capturado pelo bandeirante (muito comum, o "índio velho") ou do cigano discriminado em quase todos os cantos dos país. Também são comuns os entes femininos, os arquétipos da prostituta e da mulher abandonada pelo marido fanfarrão e beberrão, as Marias Padilhas e tantas outras. O que nos perguntamos é, por que razão, tais manifestações se manifestam com tal roupagem? Com toda a certeza não são seres evoluídos, caso contrário nos trariam ensinamentos nobres e princípios de uma ética imorredoura. O que são então?
Estes entes da Umbanda não são aparições de mortos nem "deuses" ou algo que o valha, pois a Teosofia e a antigo conhecimento esotérico ensinam que indivíduos com tamanho karma (bebem, fumam, matam etc) permaneceriam por um longo tempo no Kama Loka. Porém, como são pessoas que acumularam muito mal no curso de sua existência, demoram muitíssimo em abandonar seus traços de personalidade, permanecendo apegados a eles e seus inúmeros vícios, como o hábito de fumar cigarros de palho, cachimbos e beber cachaça, a típica bebida destilada brasileira à base de cana, muito popular entre os pobres e sofredores escravos.
É natural que um escravo que tenha passado por humilhações em toda a sua vida terrestre, material, tenha sucumbido ao vício da bebida (a cachaça) e da comida (prerencialmente à feijoada, à base de carne, ou o galinha, tida como um "prato nobre") e, depois de morto, sua personalidade (ou skandhas) queira satisfazer este desejo, pois não conta com qualquer tipo de ajuda que facilite sua transição a um nível superior.
Estes seres são "cascões astrais", restos em desintegração de velhas personalidades que podem permanecer animados por décadas ou séculos, deste que o povo transmita formas pensamento suficientemente fortes para dotá-los de uma vitalidade "extra" (que não se confunde com o verdadeiro prana). Como dependem de formas pensamento de um determinado povo, caracterizado por uma determinada cultura e um conjunto específico de hábitos, assumem formas físicas que, na média, são comuns a este povo. No caso brasileiro, corpo forte, tez morena, cabelo encaracolado e vocabulário pontuado de gírias, com expressões dos negros que para cá vieram e dos índios colonizados.
Outra possibilidade é a de que estes seres extraordinários sejam apenas meros espíritos da natureza, abundantes no Brasil e a América do Sul, onde, segundo Geoffrey Hodson, costumam assumir formas bem grosseiras. Neste caso, podem se registrar três possibilidades distintas: a) a possibilidade de um corpo astral permanente; b) um veículo etérico temporariamente materializado; c) a influência dos hábitos humanos.
No Brasil, um país marcadamente influenciado por tradições como a tupi-guarani, a lusitana e a africana, esta terceira influência deve ser destacada. De acordo com Hodson em seu "O Reino dos Deuses":
"A terceira influência é exercida pelos hábitos humanos, o vestuário e o pensamento popular concernente à aparência dos duendes de determinados tempos e lugares. Certos períodos da história deixaram assim sua marca no reino dos espíritos da natureza. A forma do gnomo parece datar dos primeiros habitantes físicos do planeta, nos antigos tempos lemurianos (...) A aparência de outros espíritos da natureza da terra é evidentemente modelada de acordo com os rústicos europeus medievais, de quem os duendes são de certo modo, uma reprodução em minimiatura".
Provavelmente as "incorporações" nos rituais de umbanda e minhas visões no plano astral ou através da comunicação via sonhos combinem a primeira e segunda hipóteses. De toda sorte, apenas se fizermos jorrar pensamentos positivos sobre estes seres e contribuirmos para amenizar a sorte de seus descendentes poderemos efetivamente atenuar o impulso violento e sanguinolento de alguns "exus" e "orixás" (estes últimos do Candomblé).