Gurdjieff

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Quem é Gurdjieff?

sábado, novembro 17, 2007

Blavatsky sobre o Karma


A evolução espiritual do homem Imortal Interno constitui a doutrina fundamental das ciências ocultas. Para reconhecer esta evolução, o estudante deve crer: a) na vida Universal Una e independente da matéria; b) nas Inteligências individuais que animam as distintas manifestações deste princípio.
A Vida Una está estreitamente relacionada com a Lei Única, que governa o mundo do SER: KARMA.
No sentido esotérico, está é simples e literalmente "ação", ou melhor, "uma causa que produz zeu efeito". Esotericamente, é coisa distinta em seus efeitos morais de maior alcance. È a Lei de Retribuição Infalível.
É um princípio impessoal, ainda que sempre presente e ativo. Não podemos chamá-lo Providência, pois é inflexível.
Os ciclos são também subservientes aos efeitos produzidos por esta atividade.
O Átomo Cósmico Ùnico se converte em sete Àtomos no plano da matéria, e cada um é transformado num centro de energia; esse mesmo Átomo se torna sete raios no plano do Espírito; e as sete Forças criadoras da Natureza irradiando da Essência-Raiz... seguem umas o caminho da Direita e outros o da Esquerda, separadas até o fim do Kalpa, e contudo em estreito amplexo. O que os une? - KARMA.
Os Átomos emanados do Ponto Central emanam, por sua vez, novos centros de energia, os quais sob o poderoso alento de FOHAT, começam sua obra de dentro para fora e multiplicam outros centros menores. Estes no curso da involução e da evolução, formam por sua vez, as raízes das causas de desenvolventes de novos efeitos, desde os mundos e globos portadores de homens até os gêneros, espécies e classe dos Sete Reinos, dos quais só conhecemos quatro.
Os Dhyan Choans e todos os Seres Invisíveis, os Sete Centros e suas Emanações Diretas sãoo reflexo da luz única. Mas os homens estão muito afastados deles, pois todo o Cosmos visível se compõe de "seres produzidos por si mesmos", as criaturas do karma.Todas as coisas saíram do Akasha, obedecendo a uma Lei de Movimento inerente nele e,depois de certa existência, se dissipam. Os principais acontecimentos da vida de cada um estão sempre de acordo com a constelação sob a qual nasce, ou com as características do seu Protótipo no céu, tanto melhor para o mortal cuja Personalidade foi escolhida por sua Deidade Pessoal (Sétimo Princípio), como sua habitação terrestre.
A cada esforço de vontade para a purificação e união com o Deus próprio, se interrompe um dos Raios inferiores, e a entidade espiritual do homem é atraída, cadavez mais alto, para o Raio que substituiu o primeiro, até que, de Rai o em Raio, o Homem Interno é absorvido no raio único e mais elevado do Sol-Pai. O nosso destino está escrito nas estrelas.
O homem é um agente livre durante sua estada na terra.
Ele não pode escapar ao seu destino dominante, porém pode escolher entre dois caminhos que o conduzem naquela direção, e pode chegar ao pináculo da degraça - se tal foi decrtado - seja com a nívea roupa do mártir, ou com as manchadas vestes de um voluntário dos processos iníquos, porque há condições internas e condições externas que afetam a determinação de nossa vontade sobre nossas ações e em nosso poder está seguir qualquer dos dois caminhos. O destino é guiado pela voz celeste do invisível Protótipo exterior a nós, ou por nosso mais íntimo astral ou Homem Interno que, frequentemente, é o gênio do mal da entidade encarnada, o homem.
Ambos guiam o homem externo, mas um tem de prevalecer, e desde o princípio mesmo da invísivel querela, a implacável Lei da Compensação intervém e segue seu curso acompanhando, fielmente, as flutuações da luta.
Quando está tecido o último fio, o homem está, aparentemente, envolvido nas malhas que ele teceu, e se encontra sob o império do destinho que ele mesmo formou, e o destino leva-o como uma pluma no torvelinho; isto é o Karma. A natureza sempre atua com propósitos determinados.
Há uma lei de progresso ascendente por ciclos; as volições, interesses e atividades constituem os instrumentos e os meios do Espírito do Mundo para alcançar seu objeto, trazendo-o à consciência e conhecendo-o, e este fim não é outro que se encontrar a si mesmo, vir a si mesmo e contemplar-se a si mesmo em atualidade concreta.
Há uma predestinação na vida geológica de nosso globo, assim como na história passada e futura das raças e nações, estreitamente relacionada com o Karma e os Ciclos. Estes Ciclos, rodas dentro de rodas, não afetam de uma só vez e ao mesmo toda a humanidade.
O Grande Ciclo abarca o progresso da Humanidade desde a aparição do homem primordial de forma etérea. Ele circula através dos ciclos internos da evolução progressiva do homem, desde a etérea até a semi-etérea e puramente física; baixa a redenção do homem de seu vestido de pele e matéria, depois do que continua o seu curso para baixo, e depois para cima, para recolher-se na culminação de uma Ronda, quando a Serpente Manvantárca engole sua causa e passaram Sete Ciclos Menores. Porém, dentro destes há outros Ciclos Menores de Raças e Nações, independentes uns dos outros.Somos nós, nações e indivíduos, que pomos Karma em ação e o impelimos em sua direção. O único decreto de Karma, eterno e imutável, é a harmonia absoluta no mundo da matéria como é no mundo do espírito.
Nâo há desgraça ou incidente em nossas vidas cujas causas não possam ser encontradas em nossas próprias obras, nesta ou noutra vida.
Karma Nemesis não é mais que o efeito espiritual dinâmico de causas produzidas e de forças postas em atividade por nossas próprias ações.
É uma Lei de Dinâmica oculta que assim se enuncia: "uma quantidade dada de energia, desenvolvida no plano espiritual ou no astral, produz resultados muito maiores que a mesma quantidade desenvolvida no plano físico objetivo da existência. A supressão de uma só causa má suprimiria não um só, mas muitos maus efeitos. O homem é o seu próprio Salvador e o seu próprio destrutor.

domingo, novembro 04, 2007

O Verdadeiro Segredo

Em 2007 uma película americana fez tremendo sucesso em todo o mundo: "O Segredo" (The Secret). Pretensamente oculto por magos, alquimistas, estudiosos, políticos e profissionais de sucesso etc, o segredo era finalmente descortinado perante o mundo. Em que consistia: na Lei da Atração.
Bem, toda a literatura pregressa de auto-ajuda, sobretudo aquela corrente americana e francesa da primeira metade do século XX enfatiza a importância da "Lei da Atração", do impacto do que pensamos sobre as realidades. "Pensamentos são coisas" ensina o ocultismo e professores de esoterismo mais renomados com Charles E. Leadbeater legaram ao mundo uma explicação suficientemente convicente do processo de gestação das assim chamadas "formas-pensamento", que nascendo de nossas construções no plano mental algumas vezes passam a alimentar-se de matéria astral e se transformam em poderosos elementais artificiais em obediência à lei da luta pela sobrevivência (tudo o que existe que perdurar).
No filme os pensamentos se transformam em realidade com espantosa facilidade. Um homem planejou comprar sua casa dos sonhos durante anos, afixou uma fotografia do que esperava ser este seu desejo de consumo e pronto: anos depois, já morando nela, apercebeu-se de que havia adquirido a tão acalentada morada, exatamente aquela! Um reverendo new age com ares de pastor do Brooklin (só que repetindo chavões de péssimo nível) aparece todo o tempo afirmando que você pode, é preciso ter vontade (outras tantas obviedades) e, em certa altura, se diz que o segredo funciona sim, mas a fórmula do sucesso jamais deve conter a partícula "não", o que estragaria todas as suas intenções. Deve ser totalmente positiva (pense positivo, que grande novidade...).
Há um ponto sem dúvida interessante. Um homem pensa em um elefante e no filme o paquiderme surge num piscar de olhos. Mas, repentinamente, o narrador alerta para o fato que aquilo felizmente não aconteceria, porque sempre há um "lapso" de tempo entre sua construção mental determinada e sua realização. Haveria, portanto, tempo para se corrigir eventuais erros de pensamento, evitando que o mundo seja tão mal quanto se esperaria.
Há uma certa dose de verdade em tudo o que é transmitido pelo filme, mas com algumas ressalvas. È da própria natureza humana planejar, antecipar o futuro. Não há nada tão estranhamente oculto nesta idéia, nem algo transcental. O homem é dotado da capacidade de antecipar seus rumos e providenciar os meios para alcançar suas metas. Lembro-me de minha experiência pessoal. Uma vez tendo determinado que atingir certa coisa era fundamental, fazia de tudo para cumprir esta determinação. O mecanismo nem sempre é racional, pois se assume quase uma postura inconsciente nestes casos, voltada dedicidamente para o cumprimento da meta. No homem que desenvolveu em grau mais elevado a tarefa é ainda mais simples e direta, pois ele não peca, no sentido de que não se desvia da meta (pecar = desviar-se da meta).
O verdadeiro segredo no fundo é conciliar o macrocosmo e o microcosmo, voltando-se sempre ao ponto de origem: o conhecimento de si próprio e a conquista da vontade.

sábado, novembro 03, 2007

Os Diferentes Tipos de Cristãos


Assim como há diferentes tipos de homens, há diferentes tipos de religiões e dentro das religiões diferentes tipos de adeptos segundo seu nível consciencial e existencial. Assim vivem, viveram e viveram diferentes tipos de cristãos, uma idéia comungada por G.I. Gurdjieff mas que despontara antes entre os evangelistas e fora formalizada por um dos pais da Escola Filosófica Cristã de Alexandria, Orígenes.
Orígenes era adepto do método alegórico de explicação da escritura, que expandira no sentido de compreender a natureza humana. Para ele, a explicação alegórica dos textos sagrados era uma necessidade, podendo-se distinguir "três sentidos ou interpretações da Bíblia, o sentido material, o psíquico e o pneumático" (1). Difícil compreender estas três visões interpretativas, mas o sentido pneumático é aquele que detém maior complexidade, profundidade e natureza mística.
Estes três sentidos da escritura se relacionariam às três partes constitutivas do próprio homem: o corpo (soma); a alma (psiquê) e o espírito (pneuma); relacionados, respectivamente, à verdade histórica, moral e mística das escrituras. Estes três níveis da constituição "global" do homem (expandidos na vedanta e no Oriente para a divisão setenária do ser em seus príncipios superiores e inferiores) podem explicar os diferentes tipos de cristãos segundo o seu grau de perfeição (cristãos simples, avançados e perfeitos).
"Triplicem in scripturis divinis intelligentiae inveniri saepius diximus modum: historicum, moralem et mysticum; unde et corpus inesse ei et animam ac spiritum intelleximus".
(1) BÖEHNER, Philoteus; GILSON, Etienne. História da Filosofia Cristã. Petrópolis, Ed. Vozes, 2000.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Mais sobre a Revolução dos Bichos

Nosso pensamento de hoje irá se afastar um pouco do que se supõe consistir em "ocultismo" (o perpétuo objeto deste "blog") e enveredar no terreno minado da política. Não de todo incorreto seria imaginar que a "política", esta ciência tão racional nos seus fins, que não são outros senão prejudicar o próximo, trair os amigos, difamar os inimigos e matar até a própria mãe em troco da possibilidade de conquistar um rentável cargo eletivo, isto é, não fosse ela mesma uma aplicação de alguns princípios ocultos dominados pelos magos negros.
A política é a esfera da amoralidade e do mal. Em essência, representa o mal. Não há em toda a história da humanidade, desde aqueles mais remotos momentos em que o homem começava a estruturar sua vida no âmbito de sociedades agrárias - surgindo um excedente econômico que permitia sustentar um aparato parasita, dispendioso e cruel que é o Estado - do qual se possa dizer que uma experiência política aplaudida entusiasticamente pelo povo, no calor de algum embate, deixe de resultar em fracasso manifesto, traição explícita aos ideais anteriormente sustentados com vigor.
O que pode explicar tamanha volatilidade dos "princípios" políticos ou, melhor dizendo, dos "princípios dos políticos". Algumas hipóteses iniciais são usualmente apresentadas e a primeira delas é a asserção de que ao conhecer a realidade do poder o candidado ao emprego de agente político se depara com situações para as quais seum ímpeto ideológico juvenil não estava preparado para solucionar, sendo obrigado a recorrer aos antigos métodos, os mesmos que utilizavam seus antecessores tão duramente criticados no passado. Esta seria a hipótese "branda" ou "neutra", porque não acalenta qualquer motivo ético para a decisão do político.
Uma outra possibilidade que visita as mentes da população é a de que os políticos simplesmente "não prestam", são pessoas desprovidas de qualquer cabedal ético e impulsionadas por um maquiavelismo vulgar são "useiras e vezeiras" na arte de ludibriar os pobres eleitores com promessas - de forma mais ou menos eficiente, a depender do seu dom herdado ou adquirido de convencer incautos. O resultado lógico desta hipótese é que, uma vez escolhidos para qualquer função, mudam imediatamente de opinião, se esquecem do que prometeram e ignoram solenemente interesses outros que não os seus próprios. Este é o pior tipo de político profissional e sua abundância e alta "taxa de fertilidade" parecem favorecer semelhante ponto de vista.
Ambos os pontos de vista estão apenas parcialmente corretos. O primeiro tipo de político (o ingênuo que passa repentinamente a enfrentar a realidade) não difere em seus métodos do segundo (o demagogo vulgar e "espertalhão"). Ambos usam táticas singelas, como lançar propostas genéricas o suficiente que possam justificar qualquer coisa que venham a fazer e são eleitos por uma fração da coletividade que não está suficientemente disposta a torcer os "neurônios" e optar por outros caminhos. Em termos estritamente objetivos, os resultados da situação A (político ingênuo) e situação B (político enganador) são os mesmos: falta de cumprimento das promessas e do que fora dito durante as eleições.
Porém, além destes dois tipos de "homens públicos" tão conhecidos em certos países, há um terceiro tipo, o "autêntico", o "homem de palavra". Em geral, apresenta propostas mais ou menos claras para o futuro (um plano de governo, planeja o que fará) e tem uma agenda determinada. Quando chegam ao governo, cumprem integralmente ou em grande parte o que haviam pregado na fase anterior da campanha. Muitas vezes são incompreendidos pela população, não porque tenham mentido mas porque esta não possui tino sufiente para se aperceber das consequências concretas daquela plataforma de governo que havia apoiado sem a necessária reflexão.
Este terceiro tipo de homem público é o pior e mais nocivo de todos. Via de regra, acredita no que diz e pretende executá-lo a qualquer custo. Seus propósitos são orientados pelo ódio inato a certos grupos da sociedade, sejam instigados por preconceito de raça, casta, ideológicos ou de qualquer teor. São sempre auxiliados no seu percurso por uma camarilha de seguidores fiéis e fanáticos propensos a cometer quaisquer iniquidades em prol do Chefe.
No rol dos mais perniciosos indivíduos que macularam a história se contam alguns destes "líderes verdadeiros". Robespierre, Kemal Atatürk, Hitler, Mussolini, Pol Pot, Mao Tsé Tung, Stálin, Saddan Hussein, Aiatolá Komeini, George Bush e os tiranetes latino-americanos (pretéritos ou atuais) que não vale a pena nominar. E para o bem dos povos, estes terríveis criminosos de Estado devem ser estudados e descobertos com redobrada atenção.

terça-feira, junho 12, 2007

Papus e Gaya - A Terra como um Ser Vivo

Os modernos falam da terra como um "ser vivo" como se isto fosse grande novidade. A ela se referem como "gaya", a "mãe-terra", envolta em sua atmosfera e suas diversas camadas superpostas, um planeta dotado de vitalidade que possui suas idiossincrasias e ataques de fúria. Os antigos já sabiam disso há muito, tanto que se referiam à Aláya, ou "anima mundi", não necessariamente à "alma da terra", mas a "alma do mundo", além de se reportarem aos espíritos planetários que animavam os corpos celestes (a essência da astrosofia, a sabedoria dos astros, esquecida nos dias de hoje em que a astrologia se reduziu a artículos inconsistentes nos jornais que tratam apenas das obviedades e gaiatices do signo solar).
O grande esoterista francê e fundador da ordem martinista, o eminente rosa-cruz, maçom, adepto e membro do mais alto grau de diversas ordens iniciáticas, o Sr. Papus, já dissertava no século XIX sobre a vida da terra e a maneira como funcionam suas funções ou sistemas peculiares. Como todo ser vivo, o planeta apresenta funções respiratórias (manifesto na evaporação dos líquidos e sua volta para a atmosfera como gás e retorno à terra como água), funções circulatórias (o fluxo e refluxo das marés, análogos às sístoles e diástoles do corpo humano) e, por fim, uma função digestiva, quiçá de caráter fundamental e imprescindível ao ser humano, pois corresponderia à forma como a terra "digere" os dejetos de origem orgânica ou não que passam a enriquecer seu "húmus".
Por isso quando se diz que a terra tem fome, nada mais se tem em mente que um processo de acelerada destruição das formas viventes (através das guerras, epidemias, cataclismas naturais, colisões de meteoros, secas, glaciações) que fornece alimento adicional a nosso astro. Naturalmente, parte dos "sintomas" contemporâneos sentidos pela nossa raça, que se debate entre tantos males - agravados pelo tristemente célebre "efeito-estufa" - não são mais que o reflexo de um período longo de fome planetária intensa.

sexta-feira, junho 08, 2007

Franz Hartmann e os Elementais Internos

Em uma interessante passagem de sua "Magia Branca e Magia Negra ou "A Ciência da Vida Finita e Infinita", o mago, teósofo e estudioso Franz Hartmann comenta com propriedade a possibilidade de vivificação de nossos elementais internos que se convertem em diabretes a perseguir-nos. Vejamos bem:

"A ciência da vida consiste em submeter o inferior e elevar o superior. A primeira lução que nos ensina é a libertação do anor excessivo ao nosso eu pessoal, anjo primeiro do mal (...). Essa personalidade inferior é irreal, compõe-se de muitos eus ilusórios, cada qual com suas reinvidicações particulares. Essas dmandas crescem mais e mais à medida que tentamos satisfazê-las. São as forçãs semi-intelectualizadas da alma que a fragmentariam em pedaços se lhes fosse permitido crescer ainda mais, e que precisam ser subjugadas pelo do Mestre real: o Eu superior ou Deus".
Esses "eus" são os eus elementais de que tanto fala a literatura oculta. Não são criações imaginárias, mas forças vivas que podem ser percebidas por todo aquele que munir-se do poder de olhar para dentro de sua própria alma. Cada uma dessas forças corresponde a um desejo animal, e se permitirmos que cresçam, tomam a forma do ser que corresponde à sua natureza. Inicialmente são pequenas e obscuras, mas à medida que o desejo que lhes corresponde vai sendo saciado, tornam-se cada vez mais densas dentro da alma e, nutridas pela vontade, ganham força descomunal quando nossos desejos se convertem em paixões. Os Elementais mennores são tragados pelos maiores; os desejos pequenos são absorvidos pelos mais fortes; até que uma única Paixão-mestra, um poderoso elemental, permanece. Trata-se do temido MORADOR DO UMBRAL, que guarda os jardins do paraíso da alma. Têm sido descritos na forma de serpentes, tigres, porcos e lobos famintos, mas como são amiúde o resultado da mistura de elementos humanos e animais, muitas vezes não exibem formas puramente animais. Freqüentemente apresentam-se como bestas com cabeças humanas ou homens com membros animais. Suas forma variam ao infinito, pois existe uma enorme variedade de combinações entre luxúria, avareza, ganância, amor sensual, ambição, covardia, medo, terror, ódio, orgulho, vaidade, autopresunção, estupidez, volúpia, egoísmo, ciúme, inveja, arrogância, hipocrisia, astúcia, sofisma, imbecilidade, superstição, etc.
Esses elementais vivem no reino da alma do homem e, enquanto ele viver, fortalecem-se e engordam, pois vivem do princípio vital dele e nutrem-se dos pensamentos que emite. Podem inclusive manifestar-se objetivamente para ele, se durante um acesso de medo ou em consequencia de alguma doença, lograrem sair de sua esfera. Não pode ser eliminados por cerimônias religiosas, nem exorcizados por clérigos; só podem ser destruídos pelo poder da vontade espiritual do homem divino, que os aniquila como a luz elimna as trevas ou um raio rasga as nuvens.
Somente os que despertam para a consciência divina espiritual possuem esse tipo de vontade, da qual os não regenerados nada sabem. Mas aqueles que ainda não estão assim avançados podem imputar morte lenta a esses elementais, retirando deles o alimento de que necessitam, simplesmente não desejando ou recusando-se a desfrutar sua companhia e não consentindo voluntariamente na sua existência. Então eles começarão a minguar, definhar, adoecer, morrer e apodrecer como ocorre com um membro amputado do corpo. Uma linha de demarcaçaõ formar-se-á no corpo-alma do homem; pode haver 'inflamações' e sofrimento num processo semelhante ao que ocorre quando uma parte do corpo gangrenada é extirpada. Por fim, a carcaça putrefata do Elemental se dissolve e apodrece".

domingo, março 11, 2007

Mais algumas Opiniões sobre Umbanda

Estes comentários também foram respostas a perguntas na Comunidade "Teosofia e Esoterismo".

Este é um assunto bem delicado no Brasil, até porque envolve uma dívida histórica para com o povo negro e mestiço, que só nos dia de hoje consegue soerguer sua religião. Vou falar um pouco do camdomblé, pois moro há bastante tempo na Bahia e desconheço a Umbanda, a qual desconfio ser uma mescla de espiritirismo, candomblé e ultimamente pitadas "teosóficas".

Em primeiro lugar já coloco a discussão tão batida sobre exoterismo e esoterismo. Os antigos gregos sacrificavam seres humanos nos primórdios de sua religião e toda a mitologia grega é um tributo à superação destas práticas e o engradencimento do homem, sua forma e suas virtudes. Mas a religião grega "externa" manteve durante toda sua existência a prática do sacrifício de touros - comidos como um "churrasco" entre os presentes - e outros animais aos Deuses de cima e de Baixo. Os "deuses de baixo" ou "ctonianos", entre eles, Hermes, recebiam as melhores partes das carnes, curiosamente. Aqui cabe uma observação: o Hermes helenênico, o mensageiro dos deuses, cumpria o mesmo papel do Exu afro-brasileiro, sendo, inclusive, adorado nas encruzilhadas sob a forma de pedras fálicas como atestam inúmeros autores.

Entre os romanos, sua religião, diretamente derivada da matriz ariana - os romanos eram arianos - admitia inúmeros tipos de sacrifícios. Herdaram dos etruscos a adivinhação através dos "arúspcices" que arrancavam as entranhas dos animais e, não raras vezes - em ocasiões de grande necessídade cívica - seres humanos (escravos e outros).
Entretanto, os sacrifícios eram detestados pelos romanos mais ilustrados, como os grandes filósofos e pensadores, os Sênecas e Marco Aurélios. Historiadoresm relatam a repulsa que causava aos conquistadores romanos o rio de sangue no templo de Salomão em Jerusalém e como os sacrifícios dos mistérios egípcios enchiam de nojo os patrícios da cidade imperial, ao ponto de serem proibidos.

Porém, tanto os romanos quanto os gregos possuíam os seus mistérios, os seus ritos esotéricos, que não empregavam sacrifícios e eram restritos aos iniciados. Nestes a morte em honra do Deus era substituída pela passagem simbólica. A própria missa católico-romana e certos ritos protestantes substituíram a "carne de cristo sacrificado" pelo "pão e o vinho" e não são poucas as seitas e religiões cujos ritos exotéricos culminam em uma representação do sacrifício do Deus.
Seria até entediante falar do sacríficio do Deus Osíris - esquartejado por Hórus; do sacrifício de Jesus, da mitológica versão da morte de Moisés e de tantos outros sacrificados célebres". Quem já leu a Ilíada conhece a sorte dos troianos sacrificados em honra a Pátroclo e a tragédia pré-helênica (isto é, antes do advento da grande civilização grega) presente no mito de Agâmenon (ele mesmo morto anos depois da guerra de Tróia pela mulher e seu amante).

O colega mais acima falou do candomblé, que é uma religião muito complexa, com ritos iniciáticos e uma hierarquia definida e rígida. Seu grande mérito é, inclusive, ter conservado a linguagem original do povo africano, transmitida sem escrita por gerações, sendo uma religião geracional.Neste ponto, o aspecto externo me parece ter uma grande importância nesta religião africana, mas o aspecto interno e esotérico vem sendo cada vez mais enfatizado e esclarecido, à medida que o preconceito histórico contra as religiões afro-brasileiras tem sido dissipado e mesmo coibido por lei.

Agora, quanto à minha humilde opinião, o que está havendo aqui é uma grande confusão entre a verdadeira religião africana, o candomblé, e a Umbanda, que se trata de uma síntese brasileira de várias matrizes religiosas. No Candomblé não há "incorporação" de entidas, mas é o próprio Orixá que fala, com seu arquétipo definido. Não há as miríades de hostes de seres que se dizem incorporar nos terreiros de umbanda. Neste último caso, creio que valem mais as interpretações da teosofia sobre certos fenômenos espíritas ou certos "espíritos" que não passariam de "cascões astrais" ou resíduos "kama-lokicos", até porque demandam bebidas, carne, cigarros e outros objetos do desejo que provavelmente não conseguem satisfazer em seu suplício de Tântalo...

É claro que há outras interpretações do assunto. Quando cheguei à Bahia, a trabalho, há cerca de 12 anos atrás, morei por certo tempo em uma pensão no largo da Vitória que possuía uma magnífica vista para a Bahia de Todos os Santos. Com o passar do tempo comecei a ouvir um forte chamado vindo das águas e certo dia debrucei-me sobre a janela, vislumbrando um enorme gigante negro, de olhos penetrantes e corpo robusto que nada falava, apenas agitava-se nas águas. Tornei a ver este Ser por inúmeras outras vezes e durante alguns tempo não fui capaz de compreender seu significado. Há alguns anos, aprofundando-me no estudo teosófico e esotéricos, compreendi que se tratava de uma egrégora poderosa, resultante da condensação de formas-pensamento lançadas por séculos pela população da Bahia, algo como um Deus que protegia e velava por este Estado, tão valoroso e sofrido ao mesmo tempo. Isto me fez refletir seriamente sobre a maneira como o povo baiano vem mantendo sua religião por tanto tempo, apesar dos ataques dos poderosos e do odioso racismo velado do brasileiro, a única coisa capaz de assegurar a este pedaço de terra o seu decisivo papel nos destinos desta nação.

Nota:

Para o teósofo, o único interesse em saber se o culto A ou B pratica sacrifícios reside em avaliar o seu grau de utilidade na evolução. Se uma entidade pede carne, bebida ou fumo, certamente não é "do bem". Não há diferença entre sacrificar animais em um "culto" cheio de cascões astrais (restos de skhandas do kama-loka)que se apresentam como "espíritos" ou comer um carneiro na sua mesa. Tudo depende da sua postura em relação ao consumo de carne animal, do entendimento de suas implicações kármicas, da compreensão do "karma do açougueiro", das influências maléficas do estado de espírito do animal sobre você e da aquisição de um sentimento mínimo de compaixão.

Mais acima se falou de elementais na Umbanda. Mas que elementais são esses? Tratam-se de seres artificiais animados por poderosas formas-pensamento construídas por séculos. Daí têm as características médias do povo que as criou, como o tipo de fala, atributos raciais, preferências culinárias etc. Geoffrey Hodson no seu livro "O Reino dos Deuses" relata vários casos de elementais que assumem determinada forma graças ao folclores local. Agora, uma outra parte das manifestações tem o mesmo caráter dos fenômenos mediúnicos mais comuns.

Cristo versus Jesus

Estas são observações que fiz na Comunidade "Teosofia e Esoterismo" do Orkut, em resposta a uma indagação sobre a existência, ou não, do Jesus histórico.

"Chréstés" é aquele que serve a um oráculo ou um Deus, tanto que o primeiro escritor cristão, Justino mártir, designava "chrétianos" a seus correligionários. "Chrestos" para os pagãos - também na Alexandria Helênica - era um iniciado posto à prova, um candidato a hierofante. Quando alcançava a sua meta e havia sido UNGIDO (isto é, friccionado com óleo como todos os iniciados) seu nome era transformado em "Christos", o "purificado", segundo a linguagem dos "mistes", mais esotérica. Era aquele que já havia percorrido o caminho ou a senda. È claro que muita coisa foi apagada dos anéis do passado e das chamadas escrituras porque a ninguém interessava dar conhecimento que o HOMEM, Jesus, era um INICIADO (inclusive muitos termos empregados pelos apóstolos eram comuns aos mistérios gregos) que alcançou o ESTADO DE CRISTO. Sobre esse tema, aliás, já debatemos muito nesta lista
Por acaso eu estava com o volume V da "Doutrina Secreta" nas mãos hoje e sua pergunta pareceu-me até proverbial. Na Seção XXXII H.P.B. retomar uma digressão já apresentada em "Ísis sem Véu" sobre as diferenças entre "Chrestos" e "Christos". "Em 1877, quem escreve estas linhas, apoiando-se nas opiniões de eminentes eruditos, atreveu-se a afirmar que há grande diferença entre os termos Chrestos e Christos, diferença que encerra profunda significação esotérica. Porque, enquando Christos quer dizer "viver" e "nascer para uma vida nova", Chrestos, na linguagem da iniciação, significa a morte da natureza inferior ou pessoal do homem; o que dá a explicação do título bramânico de "duas vezes nascido". E finalmente afirmou que:
"muito tempo antes do Cristianismo havia crestãos, e entre eles os essênios".
Citando LEPSIUS, diz: "A palavra Nofre significa Chrestos (o bom), e que 'Onofre' um dos nomes de Osíris, equivale a 'manifestação da bondade de Deus. Sobre isto diz Mackenzie: 'Naqueles primeiros tempos não era universal o culto de Cristo, isto é, não se havia ainda introduzido a Cristolatria; mas desde muitos séculos antes já existia o culto de Chrestos (o Bom Princípio), que até sobreviveu à difusão do Cristianismo, do que fazem prova monomentos existentes até hoje... E há um epitáfio cristão com os seguintes dizeres:
"Jacinte Darisaion Desmosie Pros Kreste Xaire"
Por fim, desconheço qualquer "deus solar" denominado Crestus em Alexandria. Sei que a mescla de cultural de Alexandria gerou um Júpiter-Amon ou um Serapis, mas nenhum "Crestus" (não será Creso, o famoso rei grego?). Bem, de qualquer forma Jesus é citado por Flávio Josepho (na "História dos Hebreus, obra completa publicada em 1990 pela CPAD no Brasil) e estudado por Mead (como disse a Aláya), Ernest Rénan e tantos outros. Também não faria sentido "criar" um "Deus" Jesus, pois até o terceiro século D.C. os cristãos eram ainda um pavor para muitos romanos e outros povos (os romanos estavam mais interessados em perseguir o culto de Ìsis e outras coisas). Quanto à Igreja Católica, ela é uma criaçâo recentíssima. Leia os "Crimes dos Papas" do Sr. Maurice Lachatre para se inteirar da estória de terror desta instituição, que só surgiu após muitas lutas do Bispo de Roma com outras igrejas do Oriente.
Agora vai uma opinião particular. Quem já leu com cuidado o Novo Testamento - não falo dos apócrifos, mas do convencional - nota que o discurso de Jesus nada tem de pitagórico, isto é, os elementos fundamentais da filosofia pitagórica - tal como nos chegou - não estão presentes ali. Nem mesmo os elementos do neo-platonismo (ambos acreditavam em formas diferentes de reeencarnação, o prínpio das emanações do segundo, hábitos alimentares etc). Bem, mas se tomarmos a posição de discípulos como Paulo, aí sim se nota a onipresença da filosofia helênica mas, nem assim, da sua faceta neo-pitagórica (pelo que já li, até Paulo foi acusado de ser Apolônio de Tiana também, será que Apolônio era Jesus e Paulo, ao mesmo tempo, ou esperou o primeiro morrer?). Na minha humilde opinião eu vejo mais no Adepto Paulo uma profunda ligação com o estoicismo e até algumas nuances de epicurismo (que estava longe de ser um mero "culto ao prazer"). Tanto que há muitos anos atrás, ao ler o catecismo romano (coordenado pelo impagável Ratzinger...) o que me chamou atenção foi o fato de suas "virtudes capitais" serem quase as mesmas preconizadas por Sêneca e Cícero.
Então a Igreja Católica romana era mais romana que católica? O próprio grego do novo testamento era o "koiné", uma versão simplificada (como o inglês moderno) e que podia ser facilmente difundida pelo mundo helênico, daí, talvez, o sucesso "mercadológico" do cristianismo primitivo, combinado com elementos d da primeira filosofia de "auto-ajuda" que se tem notícia na história, o estoicismo-epicurismo... Mas estas são impressões próprias...

sábado, fevereiro 10, 2007

Algunos momentos con Mr Gurdjieff

Video que mostra alguns momentos de Gurdjieff fom seus alunos, em Paris, ano de 1949. Inesquecível.

domingo, fevereiro 04, 2007

Manifestações da Umbanda

Tudo o que escreverei aqui poderia ser melhor detalhado, mas todas as coisas têm o seu tempo. É trivial repetir que o que chamam de "Umbanda" no Brasil em nada mais se constitui que em uma mescla do candomblé africano, espiritualismo genérico e kardecismo francês (ou "espiritismo científico" que ganhou terreno no Brasil) dotada, aos poucos, de um arcabouço teórico que faz lembrar o sistema teosófico e os demais sistemas e ritualismos ocultistas com as suas sete linhas e hierarquias de exús.
O autor destas linhas já avistou graças à clarividência algumas das entidas da umbanda brasileira, em especial os "tranca ruas" e o famoso "Zé Pilintra". São entidas vulgares e que não trazem ensinamentos, portanto não podem ser inseridas em um grau maior na linhagem dos seres de outros planos. Apesar do vocabulário enganador, pelos hábitos que ostentam (os vícios do fumo, da bebida e o emprego de palavras de baixo calão) não são exemplos de virtude, mas a sua própria existência e a freqüência com que se manifestam entre médiuns umbandistas ou não, por meio de aparições, incorporações (tomando o corpo físico do médium ou cavalo) ou sonhos (algumas delas aparecem de forma corriqueira em nosso estado de sono) demandam algum estudo mais aprofundado à luz do ocultismo e da doutrina teosófica.
A maioria deste seres que nos visitam desde outro plano são negros, morenos ou definitivamente mestiços. Seu tipo racial miscigenado é o do brasileiro típico, com trejeitos do sofredor escravo do eito (o "preto velho"), do índio capturado pelo bandeirante (muito comum, o "índio velho") ou do cigano discriminado em quase todos os cantos dos país. Também são comuns os entes femininos, os arquétipos da prostituta e da mulher abandonada pelo marido fanfarrão e beberrão, as Marias Padilhas e tantas outras. O que nos perguntamos é, por que razão, tais manifestações se manifestam com tal roupagem? Com toda a certeza não são seres evoluídos, caso contrário nos trariam ensinamentos nobres e princípios de uma ética imorredoura. O que são então?
Estes entes da Umbanda não são aparições de mortos nem "deuses" ou algo que o valha, pois a Teosofia e a antigo conhecimento esotérico ensinam que indivíduos com tamanho karma (bebem, fumam, matam etc) permaneceriam por um longo tempo no Kama Loka. Porém, como são pessoas que acumularam muito mal no curso de sua existência, demoram muitíssimo em abandonar seus traços de personalidade, permanecendo apegados a eles e seus inúmeros vícios, como o hábito de fumar cigarros de palho, cachimbos e beber cachaça, a típica bebida destilada brasileira à base de cana, muito popular entre os pobres e sofredores escravos.
É natural que um escravo que tenha passado por humilhações em toda a sua vida terrestre, material, tenha sucumbido ao vício da bebida (a cachaça) e da comida (prerencialmente à feijoada, à base de carne, ou o galinha, tida como um "prato nobre") e, depois de morto, sua personalidade (ou skandhas) queira satisfazer este desejo, pois não conta com qualquer tipo de ajuda que facilite sua transição a um nível superior.
Estes seres são "cascões astrais", restos em desintegração de velhas personalidades que podem permanecer animados por décadas ou séculos, deste que o povo transmita formas pensamento suficientemente fortes para dotá-los de uma vitalidade "extra" (que não se confunde com o verdadeiro prana). Como dependem de formas pensamento de um determinado povo, caracterizado por uma determinada cultura e um conjunto específico de hábitos, assumem formas físicas que, na média, são comuns a este povo. No caso brasileiro, corpo forte, tez morena, cabelo encaracolado e vocabulário pontuado de gírias, com expressões dos negros que para cá vieram e dos índios colonizados.
Outra possibilidade é a de que estes seres extraordinários sejam apenas meros espíritos da natureza, abundantes no Brasil e a América do Sul, onde, segundo Geoffrey Hodson, costumam assumir formas bem grosseiras. Neste caso, podem se registrar três possibilidades distintas: a) a possibilidade de um corpo astral permanente; b) um veículo etérico temporariamente materializado; c) a influência dos hábitos humanos.
No Brasil, um país marcadamente influenciado por tradições como a tupi-guarani, a lusitana e a africana, esta terceira influência deve ser destacada. De acordo com Hodson em seu "O Reino dos Deuses":
"A terceira influência é exercida pelos hábitos humanos, o vestuário e o pensamento popular concernente à aparência dos duendes de determinados tempos e lugares. Certos períodos da história deixaram assim sua marca no reino dos espíritos da natureza. A forma do gnomo parece datar dos primeiros habitantes físicos do planeta, nos antigos tempos lemurianos (...) A aparência de outros espíritos da natureza da terra é evidentemente modelada de acordo com os rústicos europeus medievais, de quem os duendes são de certo modo, uma reprodução em minimiatura".
Provavelmente as "incorporações" nos rituais de umbanda e minhas visões no plano astral ou através da comunicação via sonhos combinem a primeira e segunda hipóteses. De toda sorte, apenas se fizermos jorrar pensamentos positivos sobre estes seres e contribuirmos para amenizar a sorte de seus descendentes poderemos efetivamente atenuar o impulso violento e sanguinolento de alguns "exus" e "orixás" (estes últimos do Candomblé).

quarta-feira, janeiro 31, 2007

A Revolução dos Bichos

Ultimamente voltei a me interessar por George Orwell e sua "Revolução dos Bichos". Nada mais apropriado nestes tempos de bandeiras vermelhas circulando na América Latina (na Europa elas são usadas ou para decorar nostalgicamente geladeiras e freezers ou em grotescos e anódinos movimentos neo-nazistas do Leste-Europeu e da parte podre da Alemanha) e em nosso Brasil (tratado em separado, pois, felizmente, mesmo com Lula, nada continuamos a ter com "los hermanos"). Nunca se muda nada através da eleição de novos governos ou eleições. Sempre são safos em colocar os espertalhões e calhordas, mestres na palavra dócil e em melífluos discursos de ocasião. Em uma hora destas, um bom padrinho do Partido da Frente Liberal (PFL), de ultra-direita, é mais importante que nenhum protetor. Ser mulher, filho ou sobrinho de um Conselheiro do Tribunal de Contas, Desembargador, Deputado Estadual ou Federal ou qualquer politicozinho reles do mais capenga partido da Direita tem mais peso que uma elevada qualificação técnica. Afinal de contas, quantos votos este técnico vai obter? No fundo, é a antiga máxima de Iossip Vissarianovitch Stálin que é a sacralizada: "Afinal, quantas divisões tem esse Papa?".
Há muitos anos atrás, nos meus tempos de solitário leitor de Marx, Lênin, Gramci e dos grandes teóricos marxistas olvidados, li um pequeno artigo de Wladmir Ilitch que tangenciava a questão do aproveitamento dos técnicos do "ancién régime". Nenhum regime proletário, construindo a "ditadura do proletariado", pode prescindir da colaboração dos velhos membros do sistema superado, pois são eles que conseguem manter a "máquina funcionando". Não faltam pessoas a dizer, para empregar terminologia moderna, que eles são a "memória institucional" do setor público. Por esse motivo os bolcheviques conservaram oficiais tzaristas no Exército Vermelho e os alemães ignoraram a permanência de elementos das SS em suas forças armadas do pós-guerra (alguns deles até fizeram um "extra" com consultorias para Pinochet ou outro ditador de terceira categoria).
A lição da História aponta em sentido contrário, para desespero dos que temem a mudança. Esta "herança" do sistema anterior é o vírus que contamina tudo o que vier a ser pensado para o futuro, incutindo pessimismo nas pessoas e agindo sorrateira e dissimuladamente para fazer crer à nova liderança que seus pontos de vista devem ser "flexibilizados" e que é preciso ser mais "operacional" e não "teórico". É assim que se dissemina como as pragas do Egito a resistência ao novo e ao revolucionário.