Gurdjieff

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Quem é Gurdjieff?

segunda-feira, abril 29, 2013

Os Vendilhões do Tempo

Eu suponho que uma das coisas que mais irrita meus adversários (nem são tão terríveis assim, pessoas que não compreendem a revolução heraclitiana) é que me esforço para mudar mentes. A minha própria, mentes de ex-alunos e alunas, amigos, amigas, colegas, namoradas, mulheres, ex-mulheres, mãe, filho e todos os que se dispõem a ouvir. O meu único poder é a argumentação, o "verbo que se fez carne" e criou o mundo material. Meus inimigos (os contrários, nem sei lá o que são) falham, justamente porque são sofistas, eles lidam com truques de linguagem. E neste hemisfério não leram as Tópicas de Aristóteles. Sem um raciocínio lógico básico fica difícil tentar algo frutífero comigo. Sou um lógico e saco de dialética. Eu só me rendo por cansaço. Mas não ganho nada com isso, não aumento minha conta bancária nem exibo variações patrimoniais positivas (papo de um economista que fez matérias de contabilidade, matemática financeira e administração financeira). Talvez o Senhor desses fariseus que Jesus enxotou do Templo (que deve ser um Asmodeu da Bíblia, não vou aqui abordar minha especialidade, demonologia) me veja como um mentecapto. "Aos mentecaptos pertence o Reino de Deus". Na Jerusalém de 2.000 anos atrás Jesus diversificaria seus investimentos sem precisar enganar ninguém, ele não precisava de um Soros ou Warren Buffet, muito menos de um Eike Batista que é um medíocre. Tudo o que ele disse de relevante se resumia ao postulado: "Não faças a outrem o que não querem que te façam". E a sentença não é tão nova, ela foi cunhada pelo Rabino Hillel anos antes mas, em essência, dizia o mesmo. Nos Evangelhos Canônicos ele, Yeheshua, jogou por terra as tendas dos vendilhões do templo. Ele não admitia que esses caramujos saíssem da casca quando se tratava de ética e colocassem à leilão as pedras do Templo de Salomão. Ele foi o pai do "imperativo kantiano" na "Crítica da Razão Pura" (já deixei de namorar muita gente na adolescência perdendo tempo com isso, inclusive mereci um justo corno de uma namorada aos 17 anos). Como um agregado, um ser de carne, osso, sangue e fezes (como dizia o divino Shantideva) eu acredito que se você conseguir mudar uma cabeça por ano - pressupondo que elas possam influenciar outras tantas - no escopo limitado de nossa vida na Terra já teremos feito muita coisa. E me sinto emocionado muitas vezes quando alguns me dizem que eu os ajudei a pesquisar, a fazer um curso superior, a ingressar em um mestrado, a jogar no lixo idéias arraigadas, a desviar um pouco o cérebro para o lado direito, esquerdo ou o centro, tentar encarar aquela massa de neurônios no cocoruto não como um computador, mas como uma maquinha toda especial que o G.'.A.'.D.'.U.'., o Grande Arquiteto do Universo colocou dentro da gente e deve ser embebida com um pouco de espírito para realmente funcionar. É isso o que eu almejo e me deixa realizado nesta minha passagem pela terra tão breve e bela quanto o alento de uma borboleta ou a existência de um 
C R E O M A R.

sábado, abril 27, 2013

JACK KEROUAC.Cenas de Nova York & outras viagens.

Jack Kerouac

"Eu simplesmente me deitava nos campos da montanha ao luar, com a cabeça na grama, e ouvia o reconhecimento silencioso das minhas angústias passageiras. - Sim, desse modo, tento atingir o Nirvana quando você já está nele, atingir o topo de uma montanha quando já está lá e tem apenas que permanecer - assim, permanecer na bem-aventurança nirvânica é tudo o que tenho a fazer, que você tem a fazer, sem esforço, sem caminho realmente, sem disciplina, mas saber que tudo é vazio e desperto, uma Visão e um filme da Mente Universal de Deus (Alaya-Jnanana) e permanecer mais ou menos sabiamente em meio a isso. - Porque o silêncio em si é o som dos diamantes que podem cortar tudo, o som da Vacuidade Sagrada, o som da extinção e da Bem Aventurança, esse silêncio de cemitério que é como o silêncio do sorriso de um bebê, o som da eternidade, da beatitude na qual certamente é preciso acreditar, o som de que jamais-houve-nada-senão Deus (que em breve eu ouviria em uma ruidosa tempestade no Atlântico. - O que existe é Deus em sua Emanação, o que não existe é Deus na sua serena Neutralidade, o que nem existe nem não existe é a divina aurora primordial do Céu Pai (este mundo neste exato instante). _ Por isso eu disse: 'Permaneça nisso, aqui não existem dimensões para quaisquer das montanhas ou mosquitos ou vias lácteas inteiras dos mundos'.
Porque sensação é vazio, envelhecimento é vazio. - Tudo é apenas a Dourada Eternidade da Mente de Deus, por isso pratique a bondade e a compreensão, lembre que os homens não são responsáveis por si mesmos, por sua ignorância e maldade, se deve ter pena deles, Deus se compadece porque o que há para se dizer a respeito de qualquer coisa visto que que tudo é apenas o que é, livre de interpretações - Deus não é 'aquele que alcança', ele é 'viajante' naquilo em que tudo é, o 'que subsiste' - uma lagarta,mil cabelos de Deus. _ Portanto, saiba sempre que isto é apenas você, Deus, vazio, desperto e eternamente livre como os incontáveis átomos da vacuidade em todos os lugares".

JACK KEROUAC.Cenas de Nova York & outras viagens. L&PM Pocket, Santa Maria, 2012. pp. 41 ee 42

sábado, abril 20, 2013

Maquiavel - A Farsa Demoníaca

Maquiavel - A Farsa Demoníaca

Creomar Baptista


Nicólo Macchiavelli
O grande barato de hoje em dia é estourar de rir no seu íntimo com aquelas pessoas que se julgam "maquiavélicas", lucrécias bórgias de araque que mudam da água para o vinho de uma hora para outra. A popularização das edições de bolso associada a um pequeno incremento da escolarização e agigantamento dos cursos de administração onde todos leem Maquiavel e a "Arte da Guerra" (fingem ao menos lê-los) facilitaram o processo de fabricação em massa dos espertalhões de orelha de livro. Em razão disso, a maioria dos formandos em nível superior é um fracasso total na vida, principalmente a financeira, já que a moral ou intelectual não merecem a mínima consideração. Por isso são uns Maquiáveis à venda, arrendando seu labor a quem dá mais, ou a quem lhes dê qualquer coisa em que seja uma sinecurazinha no governo (não era isso que o florentino mendaz sempre desejara?). Alguns deles já se esforçou a duras penas para ler o próprio (não apenas uma resenha ou uma máxima isolada na internet) e pensou tê-lo entendido (o que é impossível no limite, Nicólo Macchiavelli apenas faz um jogo de palavras ali, demoníaco  em si) e crê ter entendido o que não era para ser entendido e o autor florentino entendeu bem isso, deve ter rido muito e esvaziado barricas de vinho só de imaginar a cara dos seus "estudiosos" no futuro. Maquiavel era o diabo, um tinhoso chifrudo (há quem diga, literalmente) magrelo e sórdido pintado com todas as cores de um Giovanni Papini, o melhor especialista em capetologia que já li na vida, subsumindo toda a sabedoria de um Doutor Fausto, um Paracelso, um Agrippa ou dos autores de tratados árabes e grimórios medievais de magia negra . Satanás (do hebraico, "Shaitan", o "adversário"- é o anjo rebelde, o tentador e o colaborador no plano material, dotado de essência espiritual, ao contrário do homem, de natureza densa e imbricado na matéria). O inimigo tão onipresente quanto o criador ( sobretudo em nós mesmos) é um ser etérico e sutil, um Ariel élfico shakesperiano e o homem ao acalentar a ilusão de que poderia igualá-lo (ou suplantá-lo), procura então os Maquiáveis da vida  como uma alavanca para o "sucesso". Olavo de Carvalho já caracterizara o italiano como um bufão no seu ensaio "Maquiavel ou a Confissão Demoníaca" ao advertir-nos de que "toda paródia tem um fundo moral, mas Maquiavel flutua entre condenar os costumes políticos em nome da moral e condenar a moral em nome de uma idealização dos piores costumes políticos. É, em toda a linha, uma especulação ficcional". Não diria que o demônio é maquiavélico. Se ele seguisse à risca o que disse o "expert" italiano teria se afundado na sarjeta tanto quanto o próprio. O demônio é o que é justamente porque não é maquiavélico.

Oblivion - Cientologia Pura no Cinema


Oblivion - Cientologia Pura no Cinema


Creomar Baptista



Estou tão contente e empolgado com o resultado do filme Oblivion estrelado por Tom Cruise que não sei se conseguirei dormir hoje. Três atores para mim são critérios para assistir uma película: Robert de Niro, Clint Eastwood e Tom Cruise. Poderia arranjar um lugarzinho entre eles para Gérard Depardieu, Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger mas não são a mesma coisa. Não comentarei o roteiro pois qualquer um pode lê-lo na internet, mas o significado cientológico da produção. Para mim como amante e estudioso de "Scientology" (a forma correta de referir-se a esta religião-ciência), o astronauta Jack Harper (o cara da manutenção de "drones" destruidores de inimigos no planeta terra destruído) e toda a trama do filme carregam em cada uma das cenas elementos trazidos da noção de "Thetan" (o ser eterno ) introduzido a partir de estudos de Ron Hubbard, escritor de ficção científica e fundador da "Scientology". Talvez o maior poder de Cruise em Hollywood (que levantou a NBC Universal United Starts Studios) e seus cachês cada vez maiores venham facilitando seu trabalho de popularização de conceitos da cientologia. Oblivion recorda-me as primeiras obras Sci-fi de Hubbard, ainda nos cinquenta. Para começar, os termos "Tet" (a base espacial de onde são enviados os drones caçadores e replicados milhares de Jack Harpers) e Titan (o planeta a que a fantasmagórica criatura chamada Sally, a comandante de Tet promete enviar os humanos) remetem ambos ao "Thetan", o conceito supremo da ciênciologia como disse. Em meados dos anos 50 Ron Hubbard formulou a possibilidade de que "a coisa que é a pessoa, a personalidade, pode ser separada do corpo e da mente, voluntariamente, e sem causar a morte do corpo ou distúrbio mental". Um "thetan" ou espírito no sentido cientológico não é uma pessoa ou um nome individual, ele é eterno. Por isso, à medida que o filme avança torna-se possível estabelecer elos cada vez mais amplos entre seu conteúdo narrativo e elementos da cientologia. Como não pretendo ser muito extenso, o primeira deles tem a ver com o sono induzido durante 60 anos nos sobreviventes de uma nave terráquea enfrentara os invasores que destruíram a lua - modificando o clima do planeta e tornando-o inabitável. Seus tripulantes foram mantidos em estado "delta" durante um longo tempo e, apesar da terminologia - um pouco diferente da usada por Hubbard. Nem mesmo iogues ou monges de gorro vermelho do Tibete poderiam suster a atividade circulatória ao ponto de permanecerem nesta condição por tanto. Isto sugeria que não se trata do "estado delta" classico, mas a uma determinada condição em que o homem neste estágio pode controlar pessoas, coisas energias e pontos de matéria, inclusive transferindo o seu "Thetan" (que reside preferencialmente na caixa craniana) para outros corpos, como o fazem os monges de gorro vermelho do Tibete. O fato de que cópias de um sobrevivente humano como Harper sejam construídas em série na máquina espacial "Tet" representa igualmente uma possibilidade não usual mas possível no âmbito cientológico: a de que um mesmo "Thetan" anime uma conjunto de corpos, ainda que um deles apenas (o "Thetan principal" eu diria) guarde a personalidade singular de um Jack Harper (Cruise). Ron Hubbard costumava dizer que o "o thetan é imortal e não experimenta a morte, apenas a simula com o “esquecimento”. Com leves ajustes, a mesma afirmação é repetida por Cruise ao declamar um poema do romano Horacio, justamente no instante em que aciona o artefato que reduziria a pó a grande fábrica de drones e humanos que atormentava os sobreviventes de nossa raça. Se bem o anotei, "se tivermos alma [Thetan] ela é feita do amor que nos une e (...) é eterna". Anos depois da grande estação orbital Tet ter sido anquilada e ter brilhado como uma supernova na via láctea, o kamikaze Jack Harper ressurgiu das cinzas e reencontra sua esposa e filha (a esposa que junto a ele foram mantida em letargia por décadas). A platéia não compreendeu o final do filme. Eu sim.



PS: Para os que queiram se aprofundar em cientologia, recomendo alguns artigos de um escritor isento sobre o tema (o Sr. Creomar Baptista):