Soldados Alemães na URRS, 1941. |
Mas Stálin superou Hitler até mesmo no domínio das técnicas da Blitzkrieg. Assunto considerado tabu, o êxito do Führer na Polônia é controverso, tanto em função dos limites para o avanço da máquina de guerra alemã no interior do país, quanto com relação à efetiva destruição do governo polonês, que continuou a operar com foro no exterior. A Polônia também não foi esmagada totalmente pois após a queda outro governo foi reconhecido em Londres, por vários países e pela Liga das Nações, formando-se secretamente governos regionais
“(...) nem tudo corria tão bem na Polônia como a propaganda de Goebbels mostrava e conforme descrito por alguns modernos seguidores de Hitler. Por algum motivo, não é comum falar nisso; mas Blitzkrieg alemã na Polônia falhou. Em 15 de setembro de 1939, duas semanas após o inicio da segunda guerra mundial, as atividades da força aérea alemã caíram substancialmente; o exército alemã estava quase sem combustível. Esse era o nível de conhecimento de Hitler e seus generais sobre a arte da moderna guerra”.
“O resultado da blitzkrieg na Polônia
foi que Hitler conseguiu uma fronteira comum com a ‘neutra’ União Soviética”.
Generais
alemães como Von Rundstedt e Halder - em anotações de diários conservadas e
analisadas por especialistas, anos depois - concordavam em julgar impossível a
derrota da URRS. Mas por que Adolf Hitler - a quem Stálin e Zukhov atribuíam,
acertadamente, certo grau de racionalidade - teria assinado a Diretriz
estratégica de ataque à URSS? Por que diante da crassa impossibilidade por
parte da Alemanha de manter uma guerra em duas frentes (lembremo-nos que se
Hitler - mesmo usando a França como base de apoio - não foi capaz destruir a
indústria britânica como planejado, então como poderia aniquilar o poderio do
complexo militar-industrial soviético?) o Führer insistiu em enviar suas
divisões ao Leste, mesmo sem preparo prévio (sim, não houve mobilização) e
repetir uma "blitzkrieg" por definição insustentável uma vez
que o conceito de "guerra relâmpago", literalmente, não se aplicaria
ao contexto de um país colossal como a URSS, com invernos rigorosos e longos,
inúmeros obstáculos geográficos (como o Cáucaso e a Sibéria) e um efetivo
mobilizável de homens que poderia chegar a 34 milhões de homens (20% de sua
população total).
Uma das
principais razões para a suposta “precipitação” do Líder alemão e seu alto
comando seria sua percepção dos objetivos explícitos das manobras soviéticas na
fronteira com a Romênia. Por volta de junho e julho de 1940 já havia se tornado
claro para os analistas alemães e o Führer em pessoa que os soviéticos tinham
planos de comprometer o abastecimento das suas divisões de recursos
estratégicos, em especial o petróleo. A esta altura, convém transcrever “in
totum” alguns parágrafos do autor:
“Hitler e Stálin entendiam perfeitamente o
significado da frase ‘o petróleo é o sangue da guerra’. O coronel A. Jodl
declarou que Hitler afirmara em uma discussão com Guderian: ‘Você quer invadir
sem petróleo? Pois bem, vamos ver qual será o resultado’. Já em 1927, Stálin
considerava seriamente os problemas da eminente Segunda Guerra Mundial. Em 3 de
dezembro desse mesmo ano, ele dissera: ‘É impossível lutar sem petróleo, e quem
estiver com a vantagem, em termos de petróleo, terá a melhor chance de vencer a
guerra iminente. Em junho de 1940, quando ninguém ameaçava a União Soviética,
dezenas de vasos de guerra fluviais soviéticos apareceram no delta do Danúbio.
Esse movimento não tinha nenhum valor defensivo, mas era uma ameaça às
desprotegidas rotas de petróleo romenas e, consequentente, uma ameaça fatal à
Alemanha”. Pg. 236.
Tanque T-34 |
“Em Julho de 1940, Hitler consultou exaustivamente seus generais e concluiu que não seria fácil defender a Romênia: as rotas de fornecimento estendiam-se às montanhas, passando por elas. Se um grande número de tropas alemãs fosse transferida para defender a Romênia, a Polônia Ocidental e a Alemanha Oriental, incluindo Berlim, ficariam expostas ao ataque soviético. Se muitas tropas ficassem concentradas na Romênia e tentassem mantê-la a qualquer preço, de nada adiantaria. O território talvez fosse defendido, mas os campos de petróleo seriam queimados com bombas e artilharia.
Nesse mesmo mês, Hitler, pela primeira vez, declarou
que a União Soviética poderia ser perigosa, especialmente se as tropas alemãs
deixassem o continente, rumo às ilhas britânicas e à África. Em 13 de novembro
de 1940, em uma conversa com Molotov, Hitler indicou a necessidade de reter um
grande número de tropas alemãs na Romênia, sugerindo, claro, que o exército
soviético seria uma ameaça ao petróleo romeno. Molotov fez ouvidos de mercador.
Depois da partida de Molotov, em dezembro, Hitler começou a criar uma diretriz
para preparar a operação Barbarossa”. Pg. 236
Em junho de 1940, quando o exército alemão estava
lutando na França, Jukov, sob as ordens de Stalin e sem consultar os aliados
alemães, posicionou vasos de guerra fluviais no delta do Danúbio. Hitler
solicitou ao chefe de governo soviético que retirasse a ameaça soviética do
coração do petróleo alemão. Stálin e Molotov não o atenderam.
Duas semanas após a invasão de Hitler no território
soviético, em 7 de julho de 1941, Stálin enviou um telegrama ao comandante da
linha de frente sul, general I. V. Tulénev. No telegrama, Stálin exigiu que a
União Soviética retivesse a Bessarábia a qualquer custo, ‘tendo em mente que
necessitamos do território bessarábio como um trampolim para organizar nossa
invasão’. Hitler já havia realizado seu ataque repentino, mas Stálin ainda não
pensava em defesa; sua maior preocupação era organizar uma invasão a partir da
Bessarábia para atacar os campos de petróleo romenos”. Pg. 236.
2 comentários:
Hitler efetuou então um ataque preventivo contra a União Soviética, já que esta pretendia atacar a Alemanha.
Perfeito. Rubens, de acordo com o Suvorov e alguns outros autores esta é a tese principal. Há muitas evidências a seu favor. Abraços, C.B.
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