Gurdjieff

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Quem é Gurdjieff?

quarta-feira, março 12, 2014

O implante dentário e um lampejo de si mesmo


Submeter o paciente a um implante de dentes equivale a descer da condição do "Homem-Massa" de Ortega y Gasset ao "Homem-Máquina" de Gurdjieff, regredi-lo conceitualmente a um ser mecânico, para o qual tudo acontece, tudo se se manifesta exteriormente. 

O dentista manuseia instrumentos lúgubres, invisíveis, ruidosos; não podemos divisá-los com acuidade; mas o paladar; azedado com saliva, sangue e pus; o tato não completamente amortecido; e, sobretudo a audição, incólume; - aliados à percepção naquele ambiente hostil dos "sentidos comuns" do movimento, repouso, figura e grandeza. 

A seringa amiga não refrea inteiramente a constatação da dor. Ouvimos o doutor dizer à assistente, "Pega a broca!"; de pronto, instala-se o pânico. Arrancam-se as carnes das gengivas com força tamanha que o maxilar afrouxa; não controlamos os lábios; na mente rodopiam fantasias, formam-se imagens desconexas que informam o corpo anestesiado da agressão iminente. 

De fato, o pedacinho de osso que restou do primeiro molar é perfurado; mas, isto não é suficiente: é necessário desbastá-lo como a "pedra bruta" de um Aprendiz Maçom. O rijo sobrevivente em sua cadeira é posto ao lado do Trono do Vigilante, o dentista, o aprendiz ignorante, perfila seus instrumentos; não o maço e o cinzel; mas o broca e agulha que lhe cabem em sua etapa iniciática, coisa ainda mais apavorante para o objeto do obreiro odontológico que as estórias macabras de convescotes satânicos. 

Terminado o serviço, o cirurgião, sorri, com a dentição saudável exposta ante a miséria alheia e; ainda, declara em tom elogioso, sem galhofa, sincero também na sua rotina: "Nunca vi osso mais forte que o seu".



Explicação

Muito frequentemente, em momentos singulares - costumeiramente naquelas ocasiões em que o homem tem estimulado em mais alto grau o senso instintivo - pode-se produzir uma rara unidade dos sentidos que nos dá notícia de nós mesmos. Ainda que fragmentária, ela, a nova informação, condensa uma verdade sobre o nosso "todo" de forma sintética. Estuda a ti mesmo, observa-te e conhece-te; são estes os passos no cotidiano, não circunstanciais pois exigem disciplina e constância.

Um comentário:

Anônimo disse...

O TEXTO DE MODO GERAL É BEM CONFUSO. AS PESSOAS QUEREM DESENVOLVER UMA IDEIA PROFUNDA E MISTERIOSA, MAS FALTA INTELIGÊNCIA NECESSÁRIA PARA A REALIZAÇÃO DESSE EMPREENDIMENTO.