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terça-feira, fevereiro 25, 2014

Em busca de sentido


Wiktor E. Frankl (1905-1997) foi professor de Neurologia e Psiquiatria na Universidade de Viena, tendo sido aprisionado e sujeito a trabalhos forçados, durante anos, nos centros de extermínio do Reich nazista. Naquele período, formulou a seguinte pergunta: “De que modo se refletia na mente do prisioneiro médio a vida cotidiana no campo de concentração?”. Assim, descreveu uma pletora de observações sobre si mesmo e sobre seus companheiros, perceptíveis em três fases características de reações psicológicas de homens e mulheres encarcerados, sujeitos à brutalidade permanente, à fome e ao terror: a fase de recepção no campo, a fase da vida em si no campo de concentração e a fase após a soltura, ou melhor, da libertação do campo. Desse estudo inovador surgiu a “terceira escola vienense de psicoterapia” (ao lado da Psicánalise de Freud e da Psicologia Individual de Adler), ou Logoterapia.

Comparada à psicanálise, a proposta de Adler e dos pesquisadores da escola logoterapêutica é menos introspectiva e menos retrospectiva, concentrando-se no futuro e nos sentidos a serem realizados pelo paciente. Este é levado a quebrar seu autocentrismo, sendo então confrontado e reorientado, criando-se um novo padrão de sentido e responsabilidade. “Para a Logoterapia, a busca de sentido na vida da pessoa é a principal força motivadora no ser humano. Por essa razão costumo falar da uma vontade de sentido, a contrastar com o princípio do prazer (ou, como também poderíamos chamá-lo, a vontade de prazer), no qual repousa a psicanálise freudiana, e contrastando ainda com a vontade de poder, enfatizada pela psicologia adleriana através do uso do termo “busca de superidade”.

A busca de sentido por parte do indivíduo se apresenta como motivação primária em sua vida, e não como uma “racionalização secundária” de impulsos instintivos. Extraindo suas lições de vida, não apenas dos livros e dos divãs, a Logoterapia não atribui à vida um “sentido geral”, mas foca o seu sentido específico para cada pessoa, em dado momento. A existência humana não tem um sentido abstrato, “cada qual tem sua própria vocação ou missão específica na vida; cada um precisa executar uma tarefa concreta que está a exigir realização”.

Em última instância, cada situação na vida constitui um desafio para as pessoas, um problema a resolver. Para Frankl, os indivíduos não deveriam perguntar pelo sentido da vida, mas reconhecer que eles, de fato, são indagados por ela. “Em suma, cada pessoa é questionada pela vida; e ela somente pode responder à vida respondendo por sua própria vida; à vida ela somente pode somente responder sendo responsável. Assim a Logoterapia vê na responsabilidade (responsibleness) a essência propriamente dita da existência humana”.

O imperativo categórico dessa escola é “Viva como se já estivesse vivendo pela segunda vez, e como se na primeira vez você tivesse agido tão errado como está prestes a agir agora”. O sentido da vida pode ser descoberto então de três formas: a) criando um trabalho ou praticando um ato; b) experimentando algo ou encontrando alguém; c) tomando uma atitude em relação ao sofrimento inevitável. A primeira, o “caminho da realização” é óbvia. As duas últimas requerem o entendimento do sentido do amor e do sofrimento; a consciência plena da essência última do outro e a transformação de nosso sofrimento em uma conquista humana.


FRANKL, Viktor. Em busca de sentido. São Leopoldo: Sinodal; Petrópolis: Vozes., 2008. 34ª Ed. 184 p.

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