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domingo, agosto 03, 2008

Os Mistérios de Elêusis - Victor Magnien

Prezados amigos e leitores. A partir de hoje postarei, por partes, a tradução do magnífico livro de Victor Magnien - pouco conhecido e fora de circulação há décadas - sobre os mistérios de Eléusis. Obra de fôlego, reúne o melhor da produção acadêmica sobre o assunto e importantes excertos de autores da Alta antiguidade que versam sobre o tema. É de se lamentar que no pós-guerra o meio acadêmico tenha perdido o interesse por tais temas e estejamos rastejando no deserto árido que é a produção intelectual atual mas, fazer o que. Começo pelo capítulo IV que trata dos graus da iniciação, de particular interesse para o verdadeiro ocultista e buscador. Boa leitura e desculpas por eventuais lapsos na postagem de outras partes da obra.
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MAGNIEN, Victor. Les Mystéres d'Éleusis – leurs origines. - Le rituel de leurs initiations. Payot, Paris, Troisiéme Édition avec un Index.

Capítulo IV

Graus de Iniciação

Se a alma tem várias etapas a cumprir em seu retorno em direção à origem celeste e à origem divina, a iniciação, que representa esta ascensão, deve compreender vários degraus.
Cada degrau novo deve corresponder a uma dignidade superior. “Os mortos de maior envergadura obtêm os destinos mais altos”, declara Heraclito1 sob uma forma enigmática, o que significa que, sem dúvida, as iniciações mais altas tornam os mortos mais completos, isto é, se aproximam mais que as outras do destino final2.
Cada um após a morte obtém o grau correspondente àquele que possuía na vida:

“Assim cada um se acha no memento em que sai (do corpo) no mesmo nível que ocupava outrora; eis porquê não se deve fazer sair a alma quando ela ainda possuir possibilidades de prograsso”3.

Sobre os diversos graus possíveis das iniciações, os autores gregos não se exprimem jamais com a clareza e a vontade de dizer tudo: eles distinguem diversos graus, mais nunca todos os graus em seu conjunto – ao menos aqueles que falam das iniciações aos verdadeiros mistérios gregos – atribuindo frequentemente denominações diferentes a um mesmo grau.
Mas se buscarmos conciliar seus dados, completando-os uns aos outros, poderíamos aprender que existiam três graus para o conjunto dos iniciados:
iniciação aos pequenos mistérios, ou purificações;
iniciação aos grandes mistérios;
époptie.
Após esses se verificavam três graus essentiais para os dignitários capazes de iniciar, de dirigir e de comandar:
iniciação holoclére ou da coroa;
iniciação sacerdotal;
iniciação hierofântica ou real.

E, por fim, no topo:

A iniciação suprema que identifica ao Uno.

Théo de Smyrna1, comparando a filosofia e, notadamente, a filosofia de Platão aos mistérios, encontra cinco partes na filosofia e cinco partes nos mistérios:

'A filosofia, se assim podemos dizer, é uma iniciação à verdadeira téleté e uma transmissão dos verdadeiros mistérios. Há cinco partes na iniciação. A primeira é a purificação: com efeito, todos os homens não podem participar indistintitamente dos mistérios, pois há aqueles que são descartados tais como os que não têm as mãos puras ou a fala é incompreensível, para os outros deverá sim existir uma purificação. Após a purificação vem a transmissão da téleté. Em terceiro lugar vem o que chamamos “époptie”. Em quarto lugar vem o que é a perfeição da “époptie”, a “anadése” e a conquista da coroa, de tal sorte que possamos transmitir aos outros as télétés que recebemos, quando foi obtida a 'dadouquie' ou a “hierofantia” ou qualquer outro sacerdócio. A quinta é a felicidade que relacionada a tudo isto e que se refere à amizade com os desus e à vida com os deuses'
Assim, Théon de Smirna distingue:
1o – purificação;
2o – recepção da télété ou myesis;
3o – époptie;
4o – coroação, sacerdócio, dadouquia e hierofantia;
5o – felicidade suprema.

Se ele houve distinguido os diversos graus que são englobados na quarta parte: primeira ascensão às dignidades superiores, dadouquia, hierofantia ele teria descrito a divisão em sete.
Sinésius, no tratado intitulado “Dion”1, trouxe todo um desenvolvimento sobre a dificuldade que o homem encontra antes de alcançar a verdade e sobre as etapas que deve franquear; comparando estas etapas aos graus da iniciação.

'A verdade não é uma coisa que jaz abandonada, desprezada e que possamos caçar. Pelo contrário! Que a filosofia seja chamada nesse caso como aliada e que se prepare para suportar toda esta progressão, tão longa, recebendo o ensinamento e os preparativos para o ensinamento. Com efeito, é necessário antes de mais nada depurar o caráter selvagem, considerar as coisas pequenas antes daquelas que são grandes, fazer partido um coração antes de portar a tocha, portar a tocha antes de mostrar as coisas sagradas”.
Sinésius parece distinguir as iniciações assim:
1o – iniciação aos pequenos Mistérios, que se constitui nos preparativos para o ensinamento: 'que eles se preparem recebendo os preparativos para o ensinamento', que depurem o caráter selvagem: “ é necessário antes de mais nada depurar o caráter selvagem”.
2o – a iniciação aos grandes Mistérios que consiste em ver as coisas mais importantes;
3o – a époptie;
4o – o grau de 'choreute';
5o – a 'dadouquia' (no original 'dadouquie');
6o – a 'hierofantia'.
Faltaria apenas, caso fosse exata esta análise, a menção ao último grau que assimila a divindade, do qual Sinésio fala no seu tratado “Sobre a Providência'.
Para explicar a filosofia de Platão, Olimpiodoro descreveu os diversos graus de iniciação no texto seguinte;
'Nas cerimônias santas, havia antes de mais as lustrações públicas, seguidas das purificações mais secretas. Após isso vinham as reuniões com as iniciações propriamente ditas e, enfim, as épopties (ou époptai?). As virtudes morais e políticas correspondem às lustrações públicas, as virtudade purificadoras, que nos retiram do mundo exterior, às purificações secretas; as virtudes contemplativas, às reuniões; as mesmas virtudes, dirigidas à unidade, às iniciações, enfim, à intuição pura das idéias, à intuição mística. O fim dos mistérios era o de trazer as almas a seu princípio e (...) o número de graus da iniciação télestique alcança o número de quatro.

Olimpiodoro distingue então nesta passagem:

1o – As purificações públicas ou secretas;
2o – As iniciações, precedidas pelas reuniões;
3o – As épopties.
Isto é, ele distingue três graus (e não cinco graus como creram alguns historiadores modernos) e estes são graus acessíveis ao conjunto dos fiéis.
Entretanto Olimpiodoro não ignora os graus superiores da époptie, ele fala de Baco consagrado a Dionisos, do sacerdócio e da filosofia:
'O primeiro Baco, diz em primeiro lugar, é Dionisos possuido pela diovindade em sua marcha e em seu bramido... e aquele que foi consagrado a Dionisos, assimilado a ele, partipa assim de seu nome. Mais longo, ele observa que uns 'falam de sacerdócio, outros de filosofia”, mas que Platão, para conciliar os dois sistemas, tomou o termo de Bacos, comum ao sacerdócio e à filosodia, como meio de se distanciar da geração (o mundo da geração).
E porque quis explicar a frase de Sócrates 'muitos são narthécophores (isto é, portadores de tirsos), mas poucos Bacchoi', é evidente que ele fala de uma elite quando fala dos Bacchoi.
Podemos opor os mistagogos aos “mistes”, isto é, os dignatários aos fiéis.
“Mistagogo: aquele que conduz os mistérios (Léxico d'Hésychius)
“Eram conduzidos os mystes por bons mistagogos, que tinham uma boa experiência da télété (Himerius, Discurso XV, 674);
“O myste é o discípulo, o mistagogo o mestre” (Moschopoulos, Sched, p. 140, citado por Lobeck, Aglaophamus, p. 29).
O mistagogo é definido nos léxicos de Suidas e de Hesequius: o sacerdote, aquele que completa os Mistérios, aquele que conduz os mistériso, aquele que mostra os mistérios, aquele que ensina os mistérios, e até, segundo Hésychius, o Hierofante.
Platão faz a mesma distição no fundo quando louva os “homens e mulheres instruídos sobre as coisas divinas, sacerdotes e sacerdotisas que têm desejo de explicar que sabem' (Ménon, 81 b).
O cristão Théodoron distingue a turba, os sacerdotes e o hierofante:
Ele diz com efeito, se dirigindo aos helenos:
“Mesmos entre vocês, nem todos conhecem o logos hierofantico mas as turba numerosa contempla o que se faz, aqueles que chamamos os 'sacerdotes' oficiam as orgias e somente o hierofante conhece a razão do que se faz e o explica a quem quer (Graecor, affect. curatio, I, dans le Patr grecque de Migne, t. 83, p. 820-821).
Himérius distingue o miste, o épopta e o profeta:
“Não tendo imitado a lei mística que divide o tempo entre o épopta e o miste, mas tendo recebido o mesmo homem ao mesmo tempo como miste e como profeta dos discursos que se fazem junto a ti, tu lhe permitiu possuir de insaciavelmente às fontes que lá estavam”.
Um texto de Porfírio aponta três dignidades sucessivas, aquela da poeta, aquela do filósofo, aquele do hierofante:
“Como li, nas festas de Platão, um poema, o 'casamento sagrado', e como qualquer um, pois que disse muitas coisas misticamente e com entuasismo e em termos obscuros, afirmou que Porfirio estava delirando, ele (Plotino) disse para que todos entendessem: 'tu mostraste ao mesmo tempo o poeta, o filósofo e o hierofante' (Porfirio, Vida de Plotino, 15).
São três os graus aos quais se alçam sucessivamente os dignitários:

Quando Alcebíades parodiou os Mistérios, era provável que buscasse imitar a hierarquia real. Ou é dito que, nesta paródia, um certo Théodoros jugou o papel de arauto (cérix em grego), Polytion disse 'dadouque', Alcebiades disse “hierofante' e que os companheiros de Alcibiades receberam a iniciação sob o nome de 'mistes' (Plut., Vida de Alcibiades, 19). Os três personagens representa então, sob toda evidência, três graus de hierarquia superior: Arauto, Dadouque e Hierofante.
Seguindo Libanius, Alcebiades se tornou um verdadeiro Dionisos, igual ao Dionisos que aparece nos mistérios. Ou Dionisos reune nel as dignidades de 'Bacchant' ou 'Dadouque'.
“É um outro Dionisos que vem de Tebas à Àtica em um cortejo alegra. Ele atinge o Olimpo graças à sua raça e graças à sua boa administração, obtendo aquilo que se obteria de outra forma, diz-se, o deus dos mistérios, o deus que faz a bacante, que porta a tocha (dadoukoiota: transliteração própria do grego) e agita as chamas do alto do Anactoron (Libanius, Declamação, 12, 26, 27).
Podemos englobar na mesma denominação todos aqueles que são dignitários:
Com efeito, todos têm um caráter semelhante que é precisamente seu direito de dirigir os outros, uma insigna semelhante ou parecida que é uma coroa, eles pertencem às famílias mais nobres – e, enfim, (como veremos mais tarde), eles levam a cabo iniciações que têm algo de análogo.
Textos precisos atribuem a coroa, insignia do grau superior, aos dignatários religiosos, aos dignitários políticos e aos poetas...
A coroa de mirto marca o poder político. Em efeito, Hésychius explique assim a palavra grega “mirrhinôn”: aquilo que se prepara para ter um poder, esta palavra foi forjada, ao que parece, porque os arcontes tinham coroas de mirto.
E Pothyys, sobre a palavra “mirrhinos”: “De mirto é a coroa daqueles que comandam Atenas pois os arcontes se coroam de mirto”.Prezados amigos e leitores. A partir de hoje postarei, por partes, a tradução do magnífico livro de Victor Magnien - pouco conhecido e fora de circulação há décadas - sobre os mistérios de Eléusis. Obra de fôlego, reúne o melhor da produção acadêmica sobre o assunto e importantes excertos de autores da Alta antiguidade que versam sobre o tema. É de se lamentar que no pós-guerra o meio acadêmico tenha perdido o interesse por tais temas e estejamos rastejando no deserto árido que é a produção intelectual atual mas, fazer o que. Começo pelo capítulo IV que trata dos graus da iniciação, de particular interesse para o verdadeiro ocultista e buscador. Boa leitura e desculpas por eventuais lapsos na postagem de outras partes da obra.
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MAGNIEN, Victor. Les Mystéres d'Éleusis – leurs origines. - Le rituel de leurs initiations. Payot, Paris, Troisiéme Édition avec un Index.

Capítulo IV

Graus de Iniciação

Se a alma tem várias etapas a cumprir em seu retorno em direção à origem celeste e à origem divina, a iniciação, que representa esta ascensão, deve compreender vários degraus.
Cada degrau novo deve corresponder a uma dignidade superior. “Os mortos de maior envergadura obtêm os destinos mais altos”, declara Heraclito1 sob uma forma enigmática, o que significa que, sem dúvida, as iniciações mais altas tornam os mortos mais completos, isto é, se aproximam mais que as outras do destino final2.
Cada um após a morte obtém o grau correspondente àquele que possuía na vida:

“Assim cada um se acha no memento em que sai (do corpo) no mesmo nível que ocupava outrora; eis porquê não se deve fazer sair a alma quando ela ainda possuir possibilidades de prograsso”3.

Sobre os diversos graus possíveis das iniciações, os autores gregos não se exprimem jamais com a clareza e a vontade de dizer tudo: eles distinguem diversos graus, mais nunca todos os graus em seu conjunto – ao menos aqueles que falam das iniciações aos verdadeiros mistérios gregos – atribuindo frequentemente denominações diferentes a um mesmo grau.
Mas se buscarmos conciliar seus dados, completando-os uns aos outros, poderíamos aprender que existiam três graus para o conjunto dos iniciados:
iniciação aos pequenos mistérios, ou purificações;
iniciação aos grandes mistérios;
époptie.
Após esses se verificavam três graus essentiais para os dignitários capazes de iniciar, de dirigir e de comandar:
iniciação holoclére ou da coroa;
iniciação sacerdotal;
iniciação hierofântica ou real.

E, por fim, no topo:

A iniciação suprema que identifica ao Uno.

Théo de Smyrna1, comparando a filosofia e, notadamente, a filosofia de Platão aos mistérios, encontra cinco partes na filosofia e cinco partes nos mistérios:

'A filosofia, se assim podemos dizer, é uma iniciação à verdadeira téleté e uma transmissão dos verdadeiros mistérios. Há cinco partes na iniciação. A primeira é a purificação: com efeito, todos os homens não podem participar indistintitamente dos mistérios, pois há aqueles que são descartados tais como os que não têm as mãos puras ou a fala é incompreensível, para os outros deverá sim existir uma purificação. Após a purificação vem a transmissão da téleté. Em terceiro lugar vem o que chamamos “époptie”. Em quarto lugar vem o que é a perfeição da “époptie”, a “anadése” e a conquista da coroa, de tal sorte que possamos transmitir aos outros as télétés que recebemos, quando foi obtida a 'dadouquie' ou a “hierofantia” ou qualquer outro sacerdócio. A quinta é a felicidade que relacionada a tudo isto e que se refere à amizade com os desus e à vida com os deuses'
Assim, Théon de Smirna distingue:
1o – purificação;
2o – recepção da télété ou myesis;
3o – époptie;
4o – coroação, sacerdócio, dadouquia e hierofantia;
5o – felicidade suprema.

Se ele houve distinguido os diversos graus que são englobados na quarta parte: primeira ascensão às dignidades superiores, dadouquia, hierofantia ele teria descrito a divisão em sete.
Sinésius, no tratado intitulado “Dion”1, trouxe todo um desenvolvimento sobre a dificuldade que o homem encontra antes de alcançar a verdade e sobre as etapas que deve franquear; comparando estas etapas aos graus da iniciação.

'A verdade não é uma coisa que jaz abandonada, desprezada e que possamos caçar. Pelo contrário! Que a filosofia seja chamada nesse caso como aliada e que se prepare para suportar toda esta progressão, tão longa, recebendo o ensinamento e os preparativos para o ensinamento. Com efeito, é necessário antes de mais nada depurar o caráter selvagem, considerar as coisas pequenas antes daquelas que são grandes, fazer partido um coração antes de portar a tocha, portar a tocha antes de mostrar as coisas sagradas”.
Sinésius parece distinguir as iniciações assim:
1o – iniciação aos pequenos Mistérios, que se constitui nos preparativos para o ensinamento: 'que eles se preparem recebendo os preparativos para o ensinamento', que depurem o caráter selvagem: “ é necessário antes de mais nada depurar o caráter selvagem”.
2o – a iniciação aos grandes Mistérios que consiste em ver as coisas mais importantes;
3o – a époptie;
4o – o grau de 'choreute';
5o – a 'dadouquia' (no original 'dadouquie');
6o – a 'hierofantia'.
Faltaria apenas, caso fosse exata esta análise, a menção ao último grau que assimila a divindade, do qual Sinésio fala no seu tratado “Sobre a Providência'.
Para explicar a filosofia de Platão, Olimpiodoro descreveu os diversos graus de iniciação no texto seguinte;
'Nas cerimônias santas, havia antes de mais as lustrações públicas, seguidas das purificações mais secretas. Após isso vinham as reuniões com as iniciações propriamente ditas e, enfim, as épopties (ou époptai?). As virtudes morais e políticas correspondem às lustrações públicas, as virtudade purificadoras, que nos retiram do mundo exterior, às purificações secretas; as virtudes contemplativas, às reuniões; as mesmas virtudes, dirigidas à unidade, às iniciações, enfim, à intuição pura das idéias, à intuição mística. O fim dos mistérios era o de trazer as almas a seu princípio e (...) o número de graus da iniciação télestique alcança o número de quatro.

Olimpiodoro distingue então nesta passagem:

1o – As purificações públicas ou secretas;
2o – As iniciações, precedidas pelas reuniões;
3o – As épopties.
Isto é, ele distingue três graus (e não cinco graus como creram alguns historiadores modernos) e estes são graus acessíveis ao conjunto dos fiéis.
Entretanto Olimpiodoro não ignora os graus superiores da époptie, ele fala de Baco consagrado a Dionisos, do sacerdócio e da filosofia:
'O primeiro Baco, diz em primeiro lugar, é Dionisos possuido pela diovindade em sua marcha e em seu bramido... e aquele que foi consagrado a Dionisos, assimilado a ele, partipa assim de seu nome. Mais longo, ele observa que uns 'falam de sacerdócio, outros de filosofia”, mas que Platão, para conciliar os dois sistemas, tomou o termo de Bacos, comum ao sacerdócio e à filosodia, como meio de se distanciar da geração (o mundo da geração).
E porque quis explicar a frase de Sócrates 'muitos são narthécophores (isto é, portadores de tirsos), mas poucos Bacchoi', é evidente que ele fala de uma elite quando fala dos Bacchoi.
Podemos opor os mistagogos aos “mistes”, isto é, os dignatários aos fiéis.
“Mistagogo: aquele que conduz os mistérios (Léxico d'Hésychius)
“Eram conduzidos os mystes por bons mistagogos, que tinham uma boa experiência da télété (Himerius, Discurso XV, 674);
“O myste é o discípulo, o mistagogo o mestre” (Moschopoulos, Sched, p. 140, citado por Lobeck, Aglaophamus, p. 29).
O mistagogo é definido nos léxicos de Suidas e de Hesequius: o sacerdote, aquele que completa os Mistérios, aquele que conduz os mistériso, aquele que mostra os mistérios, aquele que ensina os mistérios, e até, segundo Hésychius, o Hierofante.
Platão faz a mesma distição no fundo quando louva os “homens e mulheres instruídos sobre as coisas divinas, sacerdotes e sacerdotisas que têm desejo de explicar que sabem' (Ménon, 81 b).
O cristão Théodoron distingue a turba, os sacerdotes e o hierofante:
Ele diz com efeito, se dirigindo aos helenos:
“Mesmos entre vocês, nem todos conhecem o logos hierofantico mas as turba numerosa contempla o que se faz, aqueles que chamamos os 'sacerdotes' oficiam as orgias e somente o hierofante conhece a razão do que se faz e o explica a quem quer (Graecor, affect. curatio, I, dans le Patr grecque de Migne, t. 83, p. 820-821).
Himérius distingue o miste, o épopta e o profeta:
“Não tendo imitado a lei mística que divide o tempo entre o épopta e o miste, mas tendo recebido o mesmo homem ao mesmo tempo como miste e como profeta dos discursos que se fazem junto a ti, tu lhe permitiu possuir de insaciavelmente às fontes que lá estavam”.
Um texto de Porfírio aponta três dignidades sucessivas, aquela da poeta, aquela do filósofo, aquele do hierofante:
“Como li, nas festas de Platão, um poema, o 'casamento sagrado', e como qualquer um, pois que disse muitas coisas misticamente e com entuasismo e em termos obscuros, afirmou que Porfirio estava delirando, ele (Plotino) disse para que todos entendessem: 'tu mostraste ao mesmo tempo o poeta, o filósofo e o hierofante' (Porfirio, Vida de Plotino, 15).
São três os graus aos quais se alçam sucessivamente os dignitários:

Quando Alcebíades parodiou os Mistérios, era provável que buscasse imitar a hierarquia real. Ou é dito que, nesta paródia, um certo Théodoros jugou o papel de arauto (cérix em grego), Polytion disse 'dadouque', Alcebiades disse “hierofante' e que os companheiros de Alcibiades receberam a iniciação sob o nome de 'mistes' (Plut., Vida de Alcibiades, 19). Os três personagens representa então, sob toda evidência, três graus de hierarquia superior: Arauto, Dadouque e Hierofante.
Seguindo Libanius, Alcebiades se tornou um verdadeiro Dionisos, igual ao Dionisos que aparece nos mistérios. Ou Dionisos reune nel as dignidades de 'Bacchant' ou 'Dadouque'.
“É um outro Dionisos que vem de Tebas à Àtica em um cortejo alegra. Ele atinge o Olimpo graças à sua raça e graças à sua boa administração, obtendo aquilo que se obteria de outra forma, diz-se, o deus dos mistérios, o deus que faz a bacante, que porta a tocha (dadoukoiota: transliteração própria do grego) e agita as chamas do alto do Anactoron (Libanius, Declamação, 12, 26, 27).
Podemos englobar na mesma denominação todos aqueles que são dignitários:
Com efeito, todos têm um caráter semelhante que é precisamente seu direito de dirigir os outros, uma insigna semelhante ou parecida que é uma coroa, eles pertencem às famílias mais nobres – e, enfim, (como veremos mais tarde), eles levam a cabo iniciações que têm algo de análogo.
Textos precisos atribuem a coroa, insignia do grau superior, aos dignatários religiosos, aos dignitários políticos e aos poetas...
A coroa de mirto marca o poder político. Em efeito, Hésychius explique assim a palavra grega “mirrhinôn”: aquilo que se prepara para ter um poder, esta palavra foi forjada, ao que parece, porque os arcontes tinham coroas de mirto.
E Pothyys, sobre a palavra “mirrhinos”: “De mirto é a coroa daqueles que comandam Atenas pois os arcontes se coroam de mirto”.
De acordo com Istros, a coroa de mirto é portada pelo hierofante, as hierofantides e os demais sacerdotes.

De acordo com Istros, a coroa de mirto é portada pelo hierofante, as hierofantides e os demais sacerdotes.