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domingo, novembro 06, 2011

Mudanças, a Primavera Árabe e os Designios de Ordem Superior

Estava em Paris no início do ano e entre alegres passeios deparei-me com uma matéria do "Le Figaro" que abordava as manifestações contra o Presidente Ben Ali na Tunisia. Como me encontrava em um das grandes capitais islâmicas da atualidade, Paris, um tiranicídio calculado - assunto tão apropriado aos frequentadores do que lá se chama "boucherie musulmane" era lenha na Lareira dos intelectuais de óculos fundo de garrafa e verniz "filosófico" que circulam impacientemente e sem rumo a devorar seus cigarros "gitanes". Tão absorvido estava em objetivos lúdicos que o "bota-fora" de Ben Ali do outro lado do oceano me despertou tanta curiosidade quanto o show de um ugandense rechonchudo com roupas coloridas cuja cara redonda era estampada em cartazes por todo Montmartre. Porém, qual não foi minha surpresa ao pisar em solo brasileiro e constatar que o noticiário exibia movimentos análogos no Cairo e - desafiando tudo o que eu reputava como estabilidade política - na Líbia e, num piscar de olhos, Iêmen e Siria.
"Que diabos está a ocorrer", pensei então com meus botões. Tudo isto surgiu do nada? O estopim fora a corrupção desenfreada daquele regime cuja derrubada animou os povos de todo o Norte da Àfrica e Oriente Médio? Só D'us poderia fornecer uma resposta mais ou menos crível para eventos daquela magnitude ou um pouco de astrologia, como o fato de Netuno ter entrado no signo de peixes em abril de 2011 (nele estará definitivamente em 2012) ou a lua gigante que se manifestou neste ano.
Eventos de ordem cósmica - dos quais conhecemos apenas umas poucas manifestações planetárias visíveis - são os responsáveis em última instância por todas as modificações ocorridas no terreno político que alguns atribuem tão somente ao revolver circunstancial do tecido social que, em  momentos específicos, irrompe como um vulcão adormecido, jorrando a lava de insatisfações acumuladas por anos de opressão brutal a camadas da população.
O levante árabe, seja o que for que signifique (nascimento ou ocaso da liberdade, novas ditaduras laicas ou fundamentalismo religioso, etc) não é um fenômeno isolado na esfera política. Ele é acompanhado em todo o mundo pela mobilização de centenas de jovens contra um capitalismo amoral baseado na finança internacional, esta, por sua vez, apoiada na ganância de um grupelho de vigaristas que se locupletam das farras nas bolsas de valores e dos diferenciais pagos pelos juros de títulos públicos. Com os Estados Unidos e a Europa Ocidental em crise econômica duradoura e  a falência de Estados como Portugal, Grécia e, agora, Itália, os grandes deste mundo, presos pelo desaspero, exacerbam ainda mais o colapso de todo o sistema econômico-político-social mobilizando-se no mês de novembro, através do governo de Israel, para um ataque "preventivo" ao Irã.
Aos Senhores do Karma e à grande Confraria de Adeptos responsáveis pela manutenção da Ordem do Mundo através dos ditames de seu Senhor, toda a flagrande monstruosidade humana "compactada" que se apresenta neste ano de 2011 apresenta-se, tão somente, como o prelúdio do tão esperado apocalipse que se projeta sobre nosso pequeno planeta. Ele próprio se contorce nos últimos anos, produzindo tempestades, furações, terremotos de escala inimaginável, maremotos devastadores e uma alteração pronunciada nos padrões climáticos que traz frio às zonas tropicais na estação do verão.
Mas ninguém parece se dar conta disso. Escorrem-me lágrimas dos olhos, enterneço-me com o impressionante grau de mecanicidade que acossa o ser humano, inerte, incapaz de escapar com as próprias mãos ou com ajuda de Seres Superiores do lodaçal em que se meteu. Pobre "ser humano" - se é que assim pode ser chamado - dominado pelas paixões inferiores e os vícios, aprisionado em uma cadeia de irrealidade que o torna um joguete odioso da Hierarquia Negra que espalha a semente da separatividade e do egoísmo nesta Terra. Este, o "homem atual", não só ignora sua miséria mas continua a patrocinar a guerra, o crime, a roubalheira, a discórdia. Surdo às demonstrações dadas pelo Alto, continua a massacrar o próximo, a promover a guerra e a pilhagem, a cultivar o mesquinho amor próprio e satisfazer seus sentidos mais baixos como se nada estivesse acontecendo.
Ó pobre civilização, seus dias estão contados nesta terra. Não poderemos jamais conhecer o que move os grandes Instrutores e Condutores da Humanidade, além da sua devotada e virtuosa motivação. Mas tudo o que sabemos é que da destruição brota o novo, um estado de ser em novo patamar. Nossa humanidade, não obstante, talvez esteja condenada.

domingo, abril 18, 2010

Os Santos na Religião Universal

Os Santos na Religião Universal - Universalidade, Fenômenos e Possibilidades

Em todas a principais religiões exteriores do mundo se adoram indivíduos “santos” ou "santificados" (a diferença não é trivial porque alguém "santificado" não necessariamente é "santo" e um "santo" não é santificado mas santifica-se), seja no cristianismo, no islamismo, no judaísmo ou nas tradições orientais que não orbitam o paradigma “abrahâmico” (o hinduísmo, o budismo o zoroastrismo, o janaísmo etc) além de outras denominações . Um Santo ou Santa é sinônimo de pureza, perfeição, retidão, justiça. Um Ser que alcançou a perfeição ou iluminação.

São José de Cupertino
Há tempos atrás se acusava a Igreja Romana de haver moldado seu próprio politeísmo não só ao atribuir a triplicidade ao Divino mediante a aceitação do dogma da “Santíssima Trindade” - que caracterizava todas as religiões pagãs que a antecederam - mas também por introduzir em seu culto uma miríade de santos com estatura quase divina e que não raro ultrapassavam em muito sua condição de intermediários junto ao Todo-Poderoso Criador do Universo. Entre estes santos figuravam tanto exemplos comoventes de desprendimento e amor ao próximo como um Francisco de Assis, quanto potentados civis e religiosos que pelos mais torpes motivos políticos ou à força do uso do vil metal eram canonizados por Roma.

Na Índia, pelo contrário, o Santo ganha corpo na figura humilde e despida de vaidades do “sadhu”, alguém que, a grosso modo, se esforça por despertar algo mais sutil em si mesmo através das inúmeras práticas espirituais que o povo da Índia recebeu como galardão. O festival “Kumbh Mela” de 2010,apresentado na fotogafia abaixo, mostra uma multidão desses Santos em uma das quatro cidades em que se realiza o encontro, sempre no período em que ocorre um determinado alinhamento dos astros. Não que apenas a Ìndia resguarde este imenso tesouro espiritual, mas no mundo ocidental o obscurantismo das religiões estabelecidas, no passado, casado com a vigilância autoritária da atual "sociedade da ciência" impedem que as pessoas acatem com naturalidade seus dons e ouçam o chamado da divindade.

No “Glossário Teosófico” de Helena Petrovna Blavatstky o termo sânscrito “Sâdhu” é descrito como possuindo o seguinte significado: “Bom, puro, justo, reto, virtuoso; agradável, belo, excelente. Como substantivo: um muni, um santo. [Santos, ascetas e também faquires que pratica o Yoga tântrico, isto é, magia]”. Na Índia a santidade é um fenômeno comum e onipresente. Como indicam relatos de diferentes pesquisadores espirituais ou, casualmente, visitantes bem pouco interessados em perscrutar os segredos da vida interna indiana, estes homens e mulheres são capazes de produzir em seus próprios corpos ou no mundo externo - compreendendo os outros homens e objetos materiais - maravilhas em que dificilmente se pode crer.

Sadhus no Festival Kumbh Mela 2010


Estes dons aparentemente miraculosos são o que antigos tratados como os “Yoga Sutras” do sábio Patânjali denominam tecnicamente“sidhis” ou “perfeições”. estas faculdades se manifestam como conseqüência inevitável da prática da Yoga e do mergulho em níveis cada vez mais profundos da matéria mental. Não é bom que sejam voluntariamente perseguidas mas inevitavelmente vêem à tona, sendo que o iogue realmente alcança a maestria ao comprovar que está apto a resistir às tentações oferecidas por eles. No Ocidente Santa Tereza D’Àvila - muitos outros santos - era sujeita à levitação com inoportuna freqüência. Suas experiências místicas eram tão complexas que dizia “se entende, não entende como entende”. Assim como no Oriente, casos como a da levitação, da bi-locação (estar em dois lugares ao mesmo tempo) ou mesmo da invisibilidade são citados a “torto e direito”.

Estes são exatamente os mesmos fenômenos que marcaram as vidas do Cristo físico na Galiléia e pontuaram a passagem de Apolônio de Tyana pela terra. Incluem-se entre estes poderes a capacidade de entender sons emitidos por qualquer ser vivo, o conhecimento da mente dos outros, a invisibilidade do corpo, o conhecimento exato da hora do morte e o dom de pressagiar o futuro, o aumento da força física, o conhecimento do sistema solar, a imobilidade, a cessação da fome e da sede, a levitação e muitos outros. Aqueles sobre os quais se derrama o espírito santo ou se enroscam línguas de fogo falarão a língua dos anjos, ou seja, desenvolverão faculdades que contribuem para demonstrar aos incrédulos os limites de sua miserável existência física.

O “sadhu” não equivale ao pai de família que, tendo cumprido sua obrigação, passa a ingressar em uma fase da existência, mais contemplativa, abrindo mão de qualquer apego (“vairagya”). Ele se dedica integralmente à união com o Ser Absoluto. È um homem despojado de bens materiais - no limite das próprias roupas - e que perambula só ou em grupo em meio a um mundo que só ele sabe ou começa a perceber como uma simples ilusão, produto da disposição dos gunas em determinado momento.

Entre os hebreus, o ritual de ungir um menino e torná-lo “nazireu” (em hebraico, “separado, afastado”) embora revestido de caráter iniciático, deixa entrever que em tempos arcaicos o Senhor de Israel escolhia homens desde o berço para que cumprissem suas injunções. Em Juízes 13:5 se diz com relação à mãe de Sansão: “porque tu conceberás e terás um filho, sobre cuja cabeça não passará navalha, porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre de sua mãe; e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus”. A Sra. Blavatsky sugere que São Paulo era claramente um nazireu de nascença pois o capítulo 18 de Atos dos Apóstolos, versículo 18 é explicito em garantir que “Paulo, tendo ficado ali ainda muitos dias [em Corinto], despediu-se dos irmãos e navegou para a Síria, e com ele Priscila e Áquila, havendo rapado a cabeça em Cencréia porque tinha um voto”. Paulo, ademais, chegara ao grau de “Mestre Construtor” (I Coríntios, 3).

Junto a outros “Santos” como Sansão, Samuel, José (título nazireu segundo Blavatsky) não seria demasiado exagero incluir entre os modernos santos hebraicos (ou judeus) os grandes rabinos durante o exílio da Babilônia e após a queda do Templo foram os responsáveis pelas compilações dos grandes livros que compõem junto à Torah e o Tanach o Pentateuco e demais livros da Bíblia Judaica - o berço comum e repositório último da moderna tradição judaica. Estes recebiam títulos honrosos que denotavam não apenas respeito e admiração mas reconhecimento genuíno por seu exemplo de vida. Em termos espirituais o judaísmo reconhece ainda os “Tzadki” ou corretos cujo número é bastante pequeno, ou trinta e seis.

Na comunidade islâmica ou “Umma” ao lado da crença na linhagem ininterrupta dos “imames” (e da existência de um “imame vindouro” cuja semelhança com o “Buda Vindouro”, o “Messias” judaico ou o Jesus “ressuscitado” é mais ou menos óbvia) predomina até a atualidade em algumas localidades a crença nos poderes especiais de indivíduos e localidades que em nada se afastam do que no mundo católico e ocidental se associa aos Santos e locais sagrados de peregrinação onde são depositados os “Ex-votos”.

Para Mathew Gordon, “(...) em todo o mundo islâmico, persiste a crença de que indivíduos e linhagens de família podem ser privilegiados com poderes espirituais especiais ou com uma proximidade com o sagrado. Existe considerável sobreposição entre a veneração de tais ‘santos’ e os aspectos mais populares do sufismo, inclusive o uso do termo corânico wali Allah(“amigo de Deus”) para ‘santos’ tanto sufis quanto muçulmanos”.

E continua: “(...) O mundo islâmico mostrou muitas vezes desconforto, e mesmo uma nítida hostilidade, em relação a essas crenças e às práticas a elas associadas. Suas relações baseiam-se geralmente na idéia de que a santidade deveria ser atribuída somente a Deus, e nunca a Seres humanos. Para muitos muçulmanos comuns, porém, a idéia de “santos”, ou de santidade nos seres humanos não tem nada de censurável e a veneração dessas figuras tem sido parte importante de sua vida religiosa e espiritual até os dias de hoje. Estas crenças podem girar ao redor da piedade e reputação moral do ‘santo’ ou concentrar-se na capacidade dele de transformar o mundo físico (por exemplo, através da cura) ou de impor-se aos elementos naturais. Em muitas regiões do mundo islâmico esta presente a crença na baraka - uma benção espiritual que pode ser transmitida de um ‘santo’ ou de relíquias de um ‘santo’ (como seu túmulo) para o seguidor. Outras figuras santas aparecem mais como heróis populares famosos, por exemplo, por sua resistência diante de soberanos opressores”.

“(...) Por exemplo, a cidade de Marrakech no sul do Marrocos - muitas vezes mencionada como “o túmulo dos santos”, devido a grande numero de pessoas santas ali sepultadas - é associada particularmente a sete ‘santos’ que são celebrados em sete festivais de bairro”. Outros santos muçulmanos famosos são o egípcio Sayyd Ahmad Al-Badale (morto em 1276 D.C.) e Abd Sha Ghazi, em Karachi, Paquistão.

Os ensinamentos que se pode tirar da quase universal presença de santos, no Oriente é Ocidente é que a santidade é um estado acessível a todos os mortais. De acordo com a Lei da Evolução que é ascendente, não descendente, todos se tornarão santos um dia, seja porque possuam uma disposição inata do espírito - kármica - seja por mostraram-se retos na senda e alcançarem novos progressos. O caminho da efetiva iniciação, a real iniciação cujos percalços são espelhados nos símbolos e rituais especulativos é longo e tortuoso.

Se tomarmos um automóvel dirigindo-o em alta velocidade ou desembestarmos montados em um robusto cavalo através das íngremes montanhas dos Andes corremos o sério risco de despencar de um penhasco e perdermos o corpo físico. Na iniciação real em direção à Santidade a pressa ou à busca de atalhos é muito pior pois esta pode envolver muitas vidas e um pequeno desvio nos lançaria no fundo de um abismo que tomaria longo tempo para ser galgado.

O exemplo dos homens e mulheres santos de todas as partes do planeta é valioso para os buscadores porque os anima a perseguir o mesmo ideal virtuoso que os levou ao encontro da real identidade do “self” e à conquista do mundo ilusório, a liberdade. Estes seres, obedecendo à Lei Universal do Ajuste, romperam seus grilhões. Pouco podemos dizer sobre os mecanismos internos que os levaram ao êxito pois que isto foge aos nossos atuais possibilidades de compreensão. Estes são os homens realmente livres e maiores que os Anjos e os Deuses (Devas) porque vencendo a batalha contra o mal alcançarão primeiramente os céus e no futuro se tornarão Senhores do Sistema Solar.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Ibn Tufayil - "O Filósofo Autodidata"

TUFAYL, Ibn. O filósofo autodidata. Fundação Editora da UNESP. Coleção Pequenos Frascos, 2005.

PREÂMBULO

Em nome de Deus clemente e misericordioso: que ele cubra com suas bênçãos nosso Senhor Maomé, sua família e companheiros, e lhes conceda a salvação.
Tu me pediste, excelente irmão, sincero e caro – que Deus te dê vida eterna e alegria infinita! – que te revelasse o que pudesse dos segredos da filosofia iluminativa que nos foi comunicado pelo mestre Avicena, príncipe dos filósofos.
Que o saibas: aquele que quer a verdade sem véus deve procurar esses segredos por conta própria e fazer todos os esforços para obtê-los.
Mas teu pedido insuflou-me ardor bastante para fazer-me atingir – Deus seja louvado! – a intuição de um estado extático que não havia experimentado antes, alcançando uma etapa tão extraordinária que nem a língua me todos os recursos do discurso poderiam dar conta dele, porque esse estado não tem relação com a linguagem e é de natureza completamente diferente.
A única relação desse estado com a linguagem é que aquele que alcança uma de suas etapas, em virtude da alegria, do contentamento e da volúpia que sente, não pode calar-se a seu respeito nem guardá-lo para si. Ele é presa de uma emoção, de um júbilo, de uma exuberância, de um regozijo que o levam a comunicar esse estado e a divulgá-lo de uma maneira ou outra.
Se for um homem falto de ciência, ele o fará sem discernimento. Um dentre ele, por exemplo, chegou a dizer: “Que eu seja louvado! Como sou Grande!”. Um outro declarou: “Eu sou a Verdade”. Um outro, por fim: “Aquele que está debaixo desta vestimenta é o próprio Deus!”.
Tendo chegado a esse estado, Al-Ghazali (2 Xeque Abu Hamid) escreveu este verso: “O que ele é, não saberia dizê-lo. Pensa bem dele e não peças para saber o que ele é”. Mas era um espírito afinado pela cultura literária e fortificado pela ciência.
Considera também as palavras de Avempace (3 Ibn Bajja ou Abu Bakr Ibn al Saig) que vêm depois de sua descrição da conjunção ( 4 Conjunção: termo do vocabulário místico que significa a união do intelecto humano com o intelecto divino. É uma das ‘estações’ da progressão mística. Encontraremos esses termos no fim do romance. Na última das ‘sete etapas’ que constituem o desenvolvimento do espírito do herói’.
“Quando se chega a compreender o que quero dizer, vê-se então claramente que nenhum conhecimento pertencente às ciências ordinárias pode ser posto na mesma posição. A compreensão dele é dada numa condição em que nos vemos separados de tudo o que nos precede, munidos de convicções novas que nada têm de material, nobres demais para terem relação com a vida física. Esses estados próprios aos bem-aventurados, libertos da composição que depende da vida natural, são dignos de serem chamados estados divinos. Deus os concede a quem lhe agrada dentre seus servidores”.
Essa condição de que fala Avempace, a ela se chega pela via da ciência especulativa e da meditação, Talvez ele mesmo tenha alcançado esse ponto.
Mas a condição de que falei antes é diferente. Ela é a mesma no sentido de que aí não se revela nada de distinto da evocada por Avempace, mas difere dele por uma clareza muito maior, e porque a intuição aí se produz com uma certa qualidade que chamamos metaforicamente de intensidade, na fatal de encontrar uma linguagem ordinária ou na terminologia técnica um termos próprio que exprima a qualidade de uma tal intuição. Esse estado, cujo sabor tem pedido me levou a sentir, é um daqueles que Avicena assinalou ao dizer:
“Em seguida, quando a vontade e a preparação o conduziram até uma certa etapa, ele capta breves e suaves aparições da verdade, cuja aurora entrevê, semelhantes a clarões que apenas veria brilhar e desaparecer. Se perseverar nessa preparação, essas iluminações súbitas se multiplicam e ele torna-se perito em provocá-las, a ponto de lhe chegarem sem preparação. Em todas as coisas que percebe, só considera a relação delas com a santidade sublime, enquanto conserva uma certa consciência de si mesmo. Em seguida, chega-lhe uma nova iluminação súbita, e pouco falta para que veja a verdade em todas as coisas. Por fim, a preparação o conduz a um ponto em que seu estado momentâneo se transforma em quietude perfeita. O que era furtivo torna-se habitual, o que era luz frouxa torna-se chama brilhante; chega a um conhecimento estável que se assemelha a uma sociedade contínua”.

Avicena descreve assim as etapas sucessivas, até que cheguem à obtenção, um estado no qual

“seu ser interior torna-se um espelho polido orientado para a verdade. Então os gozos do alto se derramam abundantemente sobre ele. Regozija-se em sua alma com os traços da verdade que nela capta. Nessa situação, ele está em relação, por um lado com a verdade, por outro com sua alma, e flutua de uma à outra. Por fim, perde consciência de si mesmo. Só considera a santidade sublime, ou então, se considera sua alma, é somente na medida em que ela contempla. Nesse momento ocorre necessariamente a unificação completa”.

Avicena quer que o sabor possa ser obtido apenas por esses estados que descreveu, e não pela via da percepção especulativa, que é obtida por raciocínios, pondo premissas e tirando conclusões.
Se quiseres uma comparação que te faça claramente captar a diferença entre a percepção assim compreendida e a percepção tal como se a entende habitualmente, imagina um cego de nascença, dotado entretanto de uma boa natureza, inteligência viva e firma, memória seguro, espírito reto. Ele teria crescido desde o nascimento numa cidade onde não teria parado de aprender, por meio dos sentidos que lhe restam, a conhecer individualmente os habitantes, numerosas espécies de seres vivos ou inanimados, a conhecer as ruas da cidade, as ruelas, as casas, os mercados, de modo que possa percorrer a cidade sem guia e reconhecer imediatamente todos aqueles que encontra. Só não conheceria as cores, a não ser pelas explicações dos nomes que têm e por certas definições que as designam.
Supõe que neste ponto seus olhos se abra, que comece a ver, que percorra toda a cidade e que lhe dê a volta: não achará nenhum objeto diferente da idéia que fazia dele, não encontrará nada que não reconheça, encontrará as cores segundo as descrições que lhe tinham sido dadas, e nisso tudo não haverá nada de novo para ele, a não ser duas coisas importantes, uma como conseqüência da outra: uma claridade, um brilho maior e uma grande volúpia.
O estado dos homens de pensamento que não chegaram à fase da familiaridade com Deus é o primeiro estado do cego. As cores que conhece nesse estado pelas explicações de seus nomes são as coisas que Avempace diz que são sublimes demais para serem relacionadas com a vida física, e que Deus concede a quem lhe agrada dentre seus servidores. O estado dos pensadores que chegaram à fase da familiaridade, e aquém Deus doou essa coisa que eu disse que não era chamada intensidade senão metaforicamente, é o segundo estado desse cego. Mas encontra-se raramente um homem que, quando tem os olhos abertos, goze de uma vista sempre penetrante sem ter necessidade de olhar.
Por ‘percepção dos pensadores’ não entendo aqui – Deus te honre com sua familaridade! – o que eles percebem do mundo físico, assim como não entendo por ‘percepção dos familiares de Deus’ o que eles percebem de suprafísico, pois esse dois gêneros de objetos perceptíveis soa muito diferentes entre si e não se confundem um com o outro. O que nós entendemos por ‘percepção dos pensadores’ é o que eles percebem de suprafísico: é o que percebia Avempace. Ora, a condição dessa percepção especulativa é que ela seja verdadeira e fundamentada. Em conseqüência, ela está em conformidade com a percepção própria dos familiares de Deus, que conhecem as mesmas coisas, mas com mais clareza e com extrema volúpia.
Avempace denigre essa volúpia de que falam os sufis (5 Sufis: praticante de uma seita mística do Islã, que visa ao puro amor de Deus sem medo do inferno nem esperança num paraíso). Ele a relaciona com a faculdade imaginativa e se empenha em expor as condições que provocam esse estado de ventura. Mas é preciso lhe responder aqui: não declares como doce o sabor de uma coisa que não experimentaste e não pises a cabeça dos homens de bem. Por ele não manteve esse empenho. É provável que tenha sido impedido pela falta de tempo de que fala e pelo transtorno causado por sua viagem a Ora.; ou viu também que, se descrevesse esse estado, seria levado a condenar sua própria conduta e o encorajamento que havia dado à aquisição, à acumulação de grandes riquezas e ao emprego de meios diversos para consegui-las.
Porém afastei-me mais do que o necessário do assunto que me convidaste a tratar.
Resulta claramente do que precede que teu pedido não pode visar senão a um destes dois fins:
Ou bem desejas conhecer o que vêem os homens que gozam da intuição do gosto, e que chegaram à fase da familiaridade com Deus – mas é uma coisa de que não se pode dar idéia adequada num livro e, desde que se tente, desde que se procure exprimi-la com palavras ou escritos, sua natureza se altera e ela cai n outro gênero: o gênero especulativo. Pois ao se revestir de consoantes e de vogais e ao se aproximar do mundo sensível, ela perde sua identidade originária, e as maneiras de interpretá-la diferem grandemente: alguns se desviam muito do reto caminho, outros parecem ter se desviado quando não é absolutamente o caso. Isso provém de ser uma coisa não delimitada numa extensão exterior, e que envolve ser envolvida.
Ou bem, esse é o segundo fim, pois teu pedido, dizia eu, não podia visar senão a um outro, desejas conhecer essa coisa segundo o método dos filósofos; e aí – Deus te honre com sua familiaridade! – é uma coisa própria a ser consignada em livros e expressa em palavras. Mas ela é mais rara que o enxofre vermelho, sobretudo neste mundo onde vivemos, pois é aí tão estranha, que só um outro homem recolhe dela algumas parcelas. E mais, aqueles que dela recolheram um pouco só falaram por enigmas, uma vez que a religião revelada proíbe que nos entreguemos a essa coisa e nos põe em alerta contra ela.
Não acredites que a filosofia que nos chegou nos escritos de Aristóteles, de Al-Farabi e no Livro da Cura de Avicena satisfaça teu desejo, nem que qualquer dos andaluzes tenha escrito algo que baste nesse domínio. Pois os homens de espírito superior que vivem na Andaluzia antes da difusão da lógica e da filosofia nesse país consagraram a vida às ciências matemáticas. Nelas atingiram um alto grau de perfeição, mas nada mais fizeram. Uma geração de homens os seguiu, e superou-os em certos conhecimentos em lógica, eles ocuparam-se dessa ciência, mas ela não os conduziu à verdadeira perfeição. Um deles disse: ‘È para mim aflitivo que as ciências sejam reduzidas a duas: uma verdadeira impossível de adquirir, e uma inútil, cuja aquisição não serve para nada’.
Veio em seguida uma outra geração de homens mais hábeis na especulação, que se aproximaram mais da verdade. Nenhum deles possuiu espírito mais penetrante, raciocínio mais seguro, vista mais justa que Avempace, mas os negócios do mundo o absorvera de tal modo que a morte o levou antes que tivesse tempo de trazer à luz do dia os tesouros da sua ciência e revelado os segredos de sua sabedoria. A maioria de suas obras não tem acabamento e ficou incompleta, como o livro sobre a alma, o Regime do Solitário, os escritos sobre lógica e sobre física. Quanto a seus escritos acabados, são compêndios e pequenos tratados mal ajambrados. Ele mesmo o confessa, ao declarar que seu pequeno tratado ‘Da Conjunção’ não dá uma idéia clara da tese que aí se propôs a demonstrar, senão à custa de muito esforço e cansaço, que o ordenamento da exposição em certos lugares, não tem um método perfeito e que ele os remanejaria de bom grado se tivesse tempo para isso.
Eis o que aprendi no que concerne à ciência desse homem, pois não o conheci pessoalmente. Quanto a seus contemporâneos, que têm um lugar no mesmo plano que ele, não lhes vi as obras. Aqueles que os seguiram por fim, nossos próprios contemporâneos, estão ainda em pleno desenvolvimento, ou então pararam antes de atingir a perfeição, ou não nos manifestaram seu verdadeiro valor.
Dos livros de Al-Farabi que chegaram até nós, a maioria é concernente à lógica. aqueles que nos chegaram sobre a filosofia estão cheios de incertezas. Em seu livro ‘Da boa seita’ ele afirma que as almas dos maus permanecem depois da morte em tormentos eternos, ao passo que declara na sua Política que elas se dissolvem e retornam ao nada e que só sobrevivem as almas virtuosas e perfeitas. No Comentário da Ética, fazendo uma descrição da felicidade humana, ele a localiza unicamente na vida deste mundo. E acrescenta, logo a seguir: ‘Tudo que se conta fora disso não passa de extravagância e de histórias de velhas’. Assim, leva os homens a perderem a esperança na misericórdia divina, pondo no mesmo plano os bons e os maus, já que, segundo ele, o nada a todos espera.
Equívoco! Passo em falso que não tem perdão – além das más doutrinas que professa sobre a inspiração profética relacionando-a à faculdade imaginativa e escolhendo contra ela a filosofia – e todas essas outras idéias que não é inútil lembrar.
Quanto aos escritos de Aristóteles, Avicena se encararrega de explicar-lhes o conteúdo.e Ele segue-lhe a doutrina e pratica seu método filosófico no livro Da Cura. Declara no início desse livro que, no seu entender, a verdade não se encontra nas doutrinas que aí expõe, que ele se limitou a reproduzir o sistema dos peripatéticos e que aquele que quer a verdade pura deve procurá-la em seu livro Da filosofia iluminativa.
Se nos dermos ao trabalho de ler a Cura e as obras de Aristóteles, vermos que estão de acordo na maioria das questões, embora o Livro da Cura contenha certas coisas que não nos chegaram sob o nome de Aristóteles. Mas, se tomarmos todas as proposições dos escritos de Aristóteles e do Livro da Cura em seu sentido exotérico, sem procurar seu sentido profundo e esotérico, Avicena nos adverte, nessa mesma cura, que não se alcançará desse modo a perfeição.
Al-Ghazali, pór seu lado, quando se dirige ao grande público, faz associações em tal lugar, desfaz em outro, condena certas opiniões e professa-as mais tarde. Dentre as acusações de impiedade que faz contra os filósofos em sua Ruína dos Filósofos, ele os condena por negaram a ressurreição dos corpos e por afirmarem que recompensa e castigo concernem exclusivamente às almas. diz, no entanto, no início de A Balança das Ações que essa opinião é formalmente professada por doutores sufis. Por fim, declara em sua Libertação do Erro e exposição dos estados extáticos que só se deteve nela após um longo exame. Há em seus livros muitas contradições desse gênero que podem ser observadas por qualquer um que os leia e examine com cuidado.
Ele pediu desculpas por isso no final de A Balança das Ações dizendo que há três espécies de opinão: uma, que se professa para conformar à opinião do vulgo; em seguida uma opinião cômoda para responder a qualquer um que interrogue e peça para ser dirigido; e por fim uma opinião que se guarda para si mesmo e que apenas se mostra a quem compartilhar a mesma convicção. Ele acrescenta: ‘ estas palavras só tiverem como efeito fazer-te duvidar daquilo em que acreditas por uma tradição herdade, já seria de bastante proveito; pois, quem não duvida, não examina; quem não examina, não percebe; e quem não percebe, permanece na cegueira e na confusão’.
Em seguida, cita este verso como um provérbio: ‘Aceita o que vês e abandona o que ouviste dizer. Quando o Sol se levanta, ele te prepara para que dispenses Saturno’.
Essa é sua doutrina. A maior parte consiste em enigmas, alusões vagas que podem ser proveitosas para quem as examine primeiramente com o olhar da alma e que, em seguida, as ouça explicar por uma voz interior, ou então a inteligência superior, a quem a menor indicação basta. No livro Das Pedras Preciosas

quinta-feira, agosto 03, 2006

Dharma e Sharia

Sobre a questão do "Dharma, Murilo Nunes de Azevedo foi feliz em destacar sua funcionalidade e relação próxima com a ordem cósmica (Rta) na religião védica (em "O pensamento do extremo oriente. Pensamento.São Paulo, 1993"). Leia-se o seguinte excerto:
“O hindúísmo, baseado nos vedas, é a mais antiga religião do mundo que ainda se mantém viva. É como um vasto oceano que contém profundidades tão insodáveis que nem um gigante pode alcançar e poças onde as crianças podem brincar. Quanto mais a estudamos, mais nos sentimos iluminados pela beleza de seus conceitos. Sua idéia básica é a da Lei. Essa lei, que nos Vedas é apresentada como Rta, viria adquirir posteriormente a características de Dharma. Como afirma um texto védico: “O dharma é aquilo que mantém unidos as pessoas e o Universo”. Aplica-se desde o cosmo até a nossa vida diária – uma vida que poderá tornar-se feliz, tranqüila e benéfica para todas as criaturas. As relações humanas, que hoje tanto são estudadas, podem ser perfeitas quando baseadas na Lei Suprema do Dharma. O verdadeiro ariano é aquele que vive a vida de acordo com a Lei".
Com relação à especificidade do islamismo - e sua diferença do cristianismo, ao qual se revela superior dada a existência de regras a serem observadas, em "Introdução ao Islã" se lê
“A Sharia, ou Lei, é a dimensão exterior. Outra idéia-chave do Islã é a totalidade das prescrições, consideradas de origem divina, ao homem. Baseia-se essencialmente no Corão, mas também nos ditos (hadiths) e práticas (sunnah) do Profeta, no consenso da comunidade (ijma) e finalmente no raciocínio analógico, se necessário.



A Sharia diz como o muçulmano deve viver tanto em sua vida privada como social. É um guia para as ações e engloba toda faceta da vida humana, dando um significado religioso a todos os atos. Diz como o muçulmano deve se comportar, como fazer negócios (a usura, aliás é proibida), como portar-se à mesa etc.
O cristianismo, por não possuir uma Shariah, uma lei revelada para o domínio social – e tendo recusado a lei judaica, encarada como uma ‘letra que mata’, como diz o Evangelho, em nome do ‘espírito que vivifica’ – é visto pelos muçulmanos como uma ‘tariqah’, isto é, uma via exclusivamente contemplativa, sem a correspondente lei revelada. Quando o cristianismo sai da clandestinada e se torna uma religião das massas e do próprio Estado, contudo, viu-se obrigado a incorporar uma lei, a romana, ‘exoterizando’ uma via originalmente esotérica.
Do mesmo modo que o Sufismo, a Shariah está baseada no Corão e na Sunnah (os costumes, os ditos, a ‘prática’) do Profeta; a lei, contudo, interessa-se apenas pela vida ativa, e não pela vida contemplativa. Se o Sufismo visa ao amor e o conhecimento do divino, e à santificação ainda nesta vida, a Shariah visa à salvação póstuma da alma mediante o cumprimento de determinadas ações. A lei islâmica diz o que pode e que não pode ser feito pelo fiel para ganhar a salvação; já o sufismo enfatiza antes as práticas contemplativas, como as litanias, a khalwah (retiro espiritual) e a invocação (dhikir), como meios seguros para chegar a Deus, aqui e agora”.

Ação, devoção e conhecimento, são universalmetne tidos, como os três modos principais da vida espiritual. Na Índia recebem o nome de Karma, Bhakti e jnana. No sufismo são conhecidos como makhâfa (temor), mahabah (amor) e marifah (conhecimento) (...)".

terça-feira, agosto 01, 2006

O Dharma e o Islamismo - Religião Superior

Não distou deste padrão a longa noite da Idade Média na qual mergulhou a humanidade, ou o que soçobrou da “débâcle” do império romano. Ao lado de uma Bizâncio bárbara e decadente, as dezenas de pequenos reinos e feudos só contavam com uma nesga de cavalheirismo fútil e um sistema de relações entre as classes sociais antes marcado pelo medo que por apego genuíno e um conjunto de princípios morais. A Igreja, submergida na dissolução dos mosteiros e nos crimes horrendos dos papas no Palácio de São Pedro estava longe de impor quaisquer regras válidas de moral e o Ocidente quase sucumbiu, pouco após a primeira metade do primeiro milênio, aos golpes rudes e certeiros da nova fé que avassalava o Ocidente e Oriente, o Islã.

A nova religião sacudia um mundo de hipocrisia, padres corruptos e reis assassinos, que exerciam o poder por meio da perfídia e da espada. Oferecia idéias simples e, ao contrário do cristianismo apodrecido – e próximo ao hinduismo – concebia um esoterismo ou misticismo – mais apropriadamante desenvolvido na tradição sufi – junto a um exoterismo espelhado nas práticas cotidianas do islã, como a oração voltada para Meca, o jejum e as leituras públicas do islã. O “exoterismo” da crença muçulmana fundava-se na “sharia”, a Lei Islâmica a que todos deveriam obedecer, o “esoterismo” na “haqiqa” e em técnicas de meditação empregadas sob escolas de mistérios.

A “sharia” ou o “dharma hindu na fé muçulmana” trazia ao mundo, finalmente, uma fonte pulsante e monumental de responsabilidade e temor a Deus e aos homens. A submissão covarde e pouco viril ao désposta feudal era substituída pela observação criteriosa de uma coleção de preceitos religiosos que versavam desde a higiene e a alimentação ao trato com esposas, filhos e amigos. Não havia conhecimento de Deus ou esoterismo sem exoterismo, sem a diária observância da “sharia”. A “sharia”, inclusive e devidamente modificada por influências locais – estabelecia normas de convívio e tipificava as relações entre classes e grupos da sociedade. Embora em menor escala que o “código de Manu”, os comentadores tradicionais do “alcorão” e senhores muçulmanos da Lei lograram impor a fração significativa do globo um sistema de regras que trazia novamente à baila a ética e resgatava princípios de convivência.

É a “sharia” islâmica que até hoje garante a superioridade moral do indivíduo islâmico em comparação com os cristãos, que cultivam toda sorte de vícios e despudor. Esta enorme excelência ética de homens e mulheres das nações islâmicas traduz-se em seu padrão de vida mais elevado e na felicidade que aparentemente grassa em seus lares, em que filhos ainda respeitam pais e onde ainda tem prioridade à obediência, a ordem e o respeito.
Enquanto um grande percentual do orçamento mensal de um pai de família ocidental é dispendido em bebidas alcoólicas ou fumo, havendo um pequeno saldo para sustento dos filhos, o mesmo não ocorre nas nações islâmicas, onde a simples proibição do consumo de álcool é responsável pela manutenção de um “excedente” que pode resultar na compra de alimentos e outros itens de consumo da família.

O muçulmano mais integrado à sociedade e temente aos rigores da “sharia” inclina-se bem menos à violência doméstica ou a atos criminosos que possam resultar em dano para seu semelhante, o que lhe acarretaria terrível danação nesta vida e no além túmulo.