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quinta-feira, dezembro 30, 2010

Arte Objetiva e as Antigas Escolas


Georges Ivanovitch Gurdjieff, expressava sua interpretação das escolas de conhecimento e de mistérios como meios de transmissão de verdades arcanas que não poderiam ser traduzidas nos marcos da linguagem convencional. Segundo ele deveria haver uma “ciência objetiva”, uma unidade de todas as coisas e “procurava-se, pois, colocá-la em formas capazes de assegurar sua transmissão adequada, sem risco de deformá-las ou corrompê-las”.
Assim, “dando-se conta da imperfeição e da fraqueza da linguagem usual, os homens que possuíam a ciência objetiva tentaram exprimir a idéia da unidade sob a forma de ‘mitos’, ´símbolos’ e ‘aforismos’ particulares que, tendo sido transmitidos sem alteração, levaram essa idéia de uma escola a outra, freqüentemente de uma época à outra”. Estas idéias não atuavam sobre os estados convencionais, normais de consciência do homem mas sobre níveis superiores, o que ele denominava “centro emocional superior” e o “centro intelectual superior”. Ao primeiro, o “centro emocional superior”, destinavam-se os mitos, ao segundo, o “centro intelectual superior”, os símbolos.
Símbolos e Mitos. Destes recursos se nutre a "Arte Objetiva" que se reflete diretamente nos recônditos superiores do ser humano. Os grandes monumentos do passado, as catedrais européias, as ruínas de Susa, as construções de Macchu Picchu, as pirâmides egípcias.
No renascimento, as escolas de arte objetiva, além da construção de templos se concentraram nas escolas de pintura, sediadas na Itália. Livros com "The Secret History of the World" de Mark Booth apontam nesta fase o surgimento de uma estranha e pujante arte no continente europeu. Em minha opinião ela se manifesta com maior intensidade nos pintores alemães e de Flandres, mais particularmente em Bruegel, Hyeronimus Bosh e do insuperável Albrecht Dürer.
Deixo o autorretrato da Dürer para que o leitor possa tirar suas próprias conclusões acerca de sua expressão. Por enquanto.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

O Lohan Chinês no British Museum

Desde 1914 um Lohan em cerâmica chinesa, um monge budista realizado, tem estado no British Museum. Esta figura é uma das oito figuras similares consideradas uma parte de um grupo que foi achado nas cavernas de uma localidade montanhosa perto de Yixian, em torno de oito milhas a sudoeste de Beijing, em 1912. A estátua tem a reputação em alguns círculos, de ser um exemplo de "arte objetiva".
Traduzido por Leo Frobenius de: http://www.octavearts.org.uk/the_lohan.htm
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Bem. Peço que observem detidamente a escultura do Lohan. Este título é o equivalente chinês do sânscrito "Arhat", aquele que obteve a quarta iniciação e está a pleno vapor caminhando rumo ao Adeptado. Tirem suas próprias conclusões sobre a obra, amparados pelo conceito de "arte objetiva" do Senhor Gurdieff (as pirâmides de Gisé, a catedral de Notre Dame, a esfinge).

"Durante os estágios seguintes da primeira, segunda e terceira Iniciações, o candidato desenvolve gradualmente a consciência búdica; mas na quarta Iniciação ele ingressa no plano búdico, e dali em diante ocupa-se em ascender firmemente pelos cinco subplanos inferiores do nirvânico, onde o ego humano tem os seu ser. (...) Na terminologia budista se chama Arhat a quem recebeu a quarta Iniciação, e significa o capaz, o benemérito, o venerável, o perfeito. Os hindus o chamam o Paramahansa, aquele que está acima ou além do Hamsa".
Leadbeater, C.W. Os mestres e a senda. Pensamento: São Paulo, 2006.

Fig 1. Inteira


Fig 2. Fronte


Fig 3. Lado Esquerdo

sábado, junho 20, 2009

Claude Debussy - Arte e Sinestesia

O compositor francês Claude-Achille Debussy (Saint-Gérmain-en-Laye, 1862; Paris, 1918) foi uma das personalidades musicais mais importantes do final dos novecentos e início deste brutal e contraditório Século, tendo falecido sob o impacto das bombardeios e o terror nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial que fizeram com que muitos homens deixassem de perceber o artista de elevada estatura que se despedia do mundo material em meio os mais atrozes desvios resultantes da degradação da consciência humana que são a guerra e os regimes satânico-totalitários como o comunismo de tipo soviético.
Por suas inovações em harmonia, com novas combinações nos acordes sua extraordinária capacidade de explorar novas possibilidades ritmicas, Débussy despontava como continuador genial de precursores da música moderna como Liszt, Chopin e Mussogorsky, tendo se interessado vivamente por Richard Wagner na juventude, cuja obra estudou profundamente. Entre os contemporâneos, influenciou Bártok e nosso conterrâneo Villa Lobos, entre outros.
Ouvir uma composição para piano de Claude Debussy, muito especialmente um "arabesque" é uma experiência deliciosa. Literalmente deliciosa, agrada ao olfato, à visão, ao tato, às papilas gustativas e, por que não, à audição. È que a música do compositor francês cigano (pouquíssimos sabiam dessa sua faceta à época) contém tanta densidade, é tão encorpada, onipresente e "onipenetrante" - sobretudo quanto executada por um virtuose do piano que lhe acrescente ornamentos técnicos pessoais - que é como se a cheirássemos, a fitássemos, à sentissemos com os membros e a saboreássemos como uma dos aqueles pequeninos biscoitos molhados que desmancham na boca ou um licor italiano fino.
A música de Débussy é feita como pequenos mosaicos plenos de sentido, singularidades como "mônadas" que se desprendem nos quatro elementos e que percebemos através de todos os sentidos atuais e outros perdemos há muito tempo ou um dia poderemos adquirir. Ela atesta a veracidade e pertinência das observações realizadas por certos clarividentes como Charles E. Leadbeater ainda no alvorecer do século passado sobre a estrutura da matéria nos diferentes planos e arrozoados de que versam sobre a interessante capacidade de "cheirar sons e ouvir cheiros" comuns àqueles que possuem a visão superior desperta.
A junção do prefixo grego "sin" e a palavra "aesthesia" gera o termo "sinestesia" que, conceitualmente, expressa a relação de diferentes planos sensoriais. Tanto pode representar uma figura de linguagem como uma condição neurológica que, até pouquíssimo tempo, era vista por psiquiatras ou por este estranho e perigoso grupo formado na sociedade atual por "analistas e psicólogos" (os inquisidores modernos) como um sério distúrbio que merecia tratamento médico e cuidados específicos.
Este é sem dúvida um excelente objeto de estudo clarividente. Também excitante pois nos instiga a investigar a maneira como artista do calibre de Débussy, poetas, pintores e escultores puderam criar uma arte objetiva que reproduzissem em pessoas medianas a faculdade de perceberem fenômenos precipuamente captados por clarividentes ou pobres seres que sofrem de alterações neurológicas tão perigosas...

PS: Em recente edição de uma revista brasileira, todas as pessoas entrevistas pelo repórter e que "sofriam" dos dos "distúrbios sinestésicos" afirmaram se sentir muito felizes em sua atual condição que é vista como um dom, o que contraria a pobre perspectiva da psiquiatria.
Vejam aqui uma matéria interessantíssima: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG78439-8055-481,00.html