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sábado, agosto 21, 2010

Uso de Drogas e Estágios Superiores de Consciência - A Falsa Opção


Muitos iniciantes no estudo do esoterismo e ocultismo se deparam após estudos avançados de Yoga ou do "Quarto caminho" com a cômoda possibilidade de empregar um "tipo de substância que, atuando sobre a "psiquê", induza a incursão célere em níveis "superiores" de consciência. A respota positiva a essa pergunta leva a opções como a do moderno "xamanismo" (em suas correntes e interpretações latino-americanas e brasileiras, inclusive) ou ao recurso a chás, cogumelos, infusões e beberagens associadas às idéias "à la Castañeda" em curso há cerca de três décadas.
Em sua magistral obra "O Quarto Caminho", um resumo de palestras realizadas em Londres para um seleto grupo de discípilos, Peter Ouspensky esclarece, de forma precisa e sucinta, toda a falácia subjacente às drogas e como o Sistema de Gurdjieff opõe-se veemente a elas. Por outro lado, o mesmo sistema rejeita abertamente os "vagabundos" ou indíviduos que sequer são capazes de dar um curso mínimo às suas vidas por reputá-los incapazes de dar, sequer, os passos iniciais no Trabalho.

"Pergunta: As drogas não podem nos pôr em contato com os centros superiores (1)?
Resposta: A idéia não é nova; as drogas foram usada nos tempos antigos, na Idade Média, nos Mistérios da Antiguidade, na magia, etc. Constatou-se que alguns estados interessantes resultavam de um uso inteligente das drogas. O sistema (2), no entanto, opõe-se a elas. O seu uso não dá bons resultados, porque elas não podem influir na consciência, faze-l a crescer. Entorpecendo os centros inferiores, as drogas podem nos pôr em contato com os centros superiores, mas isso não nos seria de nenhuma utilidade, porque só podemos nos lembrar na medida em que temos consciência. Visto que não a temos, a ligação com os centros superiores só resultará em sonhos ou inconsciência.
Todos esses estados de transe descritos, por vezes, nos livros, são um caminho muito perigoso. O ato de transportar-se a um transe está relacionado com a criação da imaginação no centro emocional superior, e isso é um beco sem saída. Se estivemos nele, não podemos sair nem ir adiante. A nossa idéia é controlar a imaginação; se, em vez disso, a convertemos, através de certos métodos, em imaginação no centro emocional superior, obteremos satisfação felicidade, mas, no fim das contas, trata-se apenas de dormir num nível superior. O verdadeiro desenvolvimento deve seguir duas linhas: desenvolvimento da consciência e desenvolvimento dos centros (3).
Além do mais, tais experiências são, em geral, desapontadoras, porque as pessoas geralmente consomem, na primeira experiência, todo o material que possuem para serem conscientes. Pode-se dizer o mesmo de todos os métodos de entorpecimento mecânicos e auto-hipnotizadores; dão os mesmos resultados que as drogas; adormecem os centros comuns, mas não podem aumentar a consciência. Mas, quando a consciência se desenvolver, os centros superiores não apresentarão nenhuma dificuldade. Admite-se que o centro emocional superior funciona no terceiro estado de consciência e o centro intelectual superior no quarto".

OBS:
(1) No sistema de Gurdjieff traçado por P.D. Ouspensky os centros intelectual e emocional superior não estão ativados no homem comum ou apenas acidentalmente. Em condições usuais de vida a “usina humana” não pode produzir as substâncias sutis (que Gurdjieff chamada de “hidrogênios” como combinações trinas de forças e elementos) para alimenta-lãs.
(2) O “Sistema” é o “Quarto Caminho” ou o “Caminho do Homem Astuto”, uma outra possibilidade em relação ao “Caminho do Faquir”, do “Monge” e do “Iogue” (definidos a partir do predomínio dos centros instintivo-motor, emocional e intelectual inferiores).
(3) Desenvolver os “Centros” é ter a capacidade de alimenta-los de forma adequada para funcionem com o seu próprio combustível.

terça-feira, junho 09, 2009

O que buscamos? Samadhi? Nirvana? Superconsciência? O que afinal?

Ouço dos amigos e interlocutores freqüentes afirmações sobre o que consideram sua "busca". Outro dia um amigo me confidenciou que se sente "bem e solto" ou "leve e relaxado" em suas sessões de Yoga. Outro pode se sentir bem mais confortável e tranqüilo após praticar a meditação "Nadabrahma" do Osho ou exercitar-se em "respiração profunda" e uma série de "pranayanas" selecionadas (técnica hindú da respiração, para ser rápido e conciso).
Muitas pessoas confudem a Yoga e suas técnicas com relaxamento. Outras se encantam com "Nova Era" e crêem que se confunde com um amálgama de técnicas voltadas para o bem viver e a conquista da felicidade e o bom relacionamento com os outros. Ledo engano. As verdadeiras conquistas se dão pelo choque e pela luta. No meu caso, meu primeiro episódio de "iluminação" ocorreu após muitas noites mal dormidas, má alimentação, aborrecimentos, profundo cansaço físico e dores. Há outros caminhos, sem dúvida. Mas nenhum passa pelo conforto e a acomodação. Porém, isto será discutido em outro momento.
Há também aqueles que buscam um caminho célere para o que consideram ser a real "iluminação". Buscam e acabam por encontrar atalhos nas drogas, na hipnose ou na auto-hipnose. Na primeira hipótese quando apelam a ayahuasca ou o Santo Daime (uma espécie de "beberagem" à base de plantas da Amazônia brasileira), nos moldes do que Carlos Castañeda batizava de efeitos das "plantas de poder". Ora, toda planta é uma planta de "poder" e os limites entre as "drogas naturais" e aquelas produzidas em laboratório se encontram apenas no grau de concentração de seu princípio ativo. E não há qualquer droga que não produza efeitos no nível consciencial e altere seus estados. Cada uma delas possui sua pecualiaridade e produz determinado estado de consciência mais ou menos agradável ao seu usuário.
O fundamental é que o buscador autêntico não confunde os fins com os meios e seleciona os seus fins. Dito de outra forma, oa "fins não justificam os meios". Não é o alcance de um estado diferenciado e superior de consciência, a navegação a um outro plano, mas a união definitiva e perpértua com o UNO e as esferas inefáveis do SER que se constitui na meta concreta e última. Isto exclui a vã ilusão caracterizada pela busca do que se julga ser o "Nirvana" ou qualquer estágio consciencial como reles conquista de um objeto do desejo.
Neste caso, os partidários da "via rápida" rumo à libertação final não são diferentes do Silvio Santos quando mira juntar uma quantia significativa de dinheiro com seus programas. Talvez inferiores porque nosso sábio empresário sabe muito bem o que quer e, pelo visto, conquistou a vontade, alqo em que que nosso pequeno "aprendiz de Iogue" está apenas patinando...