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quarta-feira, julho 04, 2012

Adolf Hitler elogiando Stálin


“Stalin é uma das figuras mais extraordinárias na história mundial. Ele começou como um pequeno clérigo, e nunca deixou de sê-lo. Stálin nada deve à retórica. Ele governa tudo de seu escritório, graças à burocracia que obedece a cada movimento e gesto seu”.

HITLER, Adolf. Hitler's table talk 1941-1944. Introduced and with a new preface by hugh trevor-roper. New York: Enigma Books, 2000.



terça-feira, janeiro 24, 2012

A Nova Classe nos Dias de Hoje (América Latina) – Ensinamentos de Milovan Djilas

Milovan Djias. Preso em 1956 após apoiar a Revolução anticomunista Húngara
Nos anos 50 um importante burocrata comunista da antiga Iuguslávia do Marechal Tito refugiou-se no Ocidente: Milovan Djilas. O Camarada Djilas não era um aparelhista qualquer do Partido, mas um homem que circulava nas mais altas esferas de poder em seu país e no mundo comunista. Com boa formação clássica e “marxista-leninista”, ao radicar-se no Ocidente escreveu um livro indispensável ao estudioso do fenômeno no “comunismo real” (não o comunismo ideal, o Èden, a Avalon idílica dos nossos matreiros e burros esquerdistas contemporâneos).

Editado pela Fred and Praeger, New York (minha sétima edição é de 1957), “The New Class – an analysis of he communist system” ao lado de “Eles” ( estarrecedora descrição em forma de entrevistas conduzidas por Tereza Toranska que transcreve a crueza com que ex-comunistas polonoses reviam seu pesado) a “Nova Classe” tem a honrosa distinção de pertencer a um seleto rol de obras pioneiras no campo dos “estudos do comunismo”, ponto de partida para o estabelecimento de uma futura academia americana de sovietologia e comunismo que no passado ostentou exponentes como  Zbigniew Kazimierz Brzezinski, um dos mentores políticos de Jimmy Carter.

Por questão de método é aconselhável deixar de lado as entranhas totalitárias do “marxismo” ou “marxismo-leninismo”, aspectos da história da URSS e embates teóricos (muitas vezes com resultados “práticos” como o fuzilamente de um interculator “inapropriado” de "direita" ou "esquerda" os dois antípodas que desafiavam o poder absoluto de Stálin). Focalizamo-nos, portanto, no ponto nevrálgico da original avaliação de Djilas: as diferenças entre a revolução na Rússia e eventos similares, as características específicas da “Nova Classe” (que a singularizam como algo substancialmente diferente de todas as demais), suas relações com os meios de produção (o que, em conformidade com o próprio jargão marxista, permite sua classificação como 'classe'), sua relação com o Partido, o papel do “líder de classe” em seu estado embrionário (Na URSS, Joseph Stálin) e os dispositivos de que lança mão (a "Classe") para perpetuar-se no poder enquanto classe dominante.

Como salienta Djilas, “Esta nova classe, a burocracia, ou mais acuradamente, a burocracia política, tem todas as características das anteriores assim como novas características que lhe são próprias. Sua origem tem peculiaridades especiais também, ainda que na essência fosse similar à de outras classes”. pg. 38

Sem correr o risco de aplicar a conceituação e metodologia de Djilas a outras conformações comunistas ou socialistas pró-comunistas da atualidade (não falamos de Cuba ou Coréia do Norte, mas de países de orientação socialista como Venezuela, Brasil, Bolívia, Argentina, Equador e outros) é digna de nota a voracidade com que os militantes dos partidos de esquerda, ao agarrarem com unhas e dentes nacos do aparato estatal, nele se grudam e mudam suas percepções de vida, gostos, opções estéticas, narcotizando-se com a “euforia na infelicidade” (para usar uma frase de bom tom do frankfurtiano Marcuse).

Esta horda de militantes “pé de chinelo”, com formação precária e níveis de politização grotescos adquiridos na "luta" (sindicatos, cooperativas, partidos, ONGS) ao se alojarem em seus cargos de confiança, contratos especiais por regime administrativo, contratos de trabalho formais assinados com empresas terceirizadas e outros “meios flexíveis” para vincularem-se à grande vaca estatal, passam a ganhar vistosos salários – bem acima da média – dos quais extraem os fundos para ingressarem no mundo maravilhoso do consumo e da “elegância de classe média”.

Em todos os países da América Latina dominados pelo programa da esquerda – notadamente no Brasil, Venezuela e Bolívia – a Nova Classe se estabeleceu, a partir de um processo lento de “guerra ideológica de trincheiras” na sociedade civil. Finalizada esta fase, a classe em sua fase embrionária, passou a dedicar-se à disputa intestina contra seus concorrentes internos, ingressando na etapa das purgas (as exclusões, "autocríticas", expulsões e anulações de biografias, expedientes corriqueiros na ditadura stalinista), prelúdio de sua consolidação enquanto classe social consciente de sua missão como "vanguarda revolucionária" na "construção do socialismo". Este será o assunto de nossos próximos artigos.




sábado, dezembro 24, 2011

O Grande Culpado de Viktor Suvorov - Excertos (Mobilização da Guerra, Desinformação sobre a Guerra na Finlândia, o Nono Exército no Cáucaso)

Mobilização da Economia

“Em 1939, a Alemanha entrou na Segunda Guerra Mundial com 57 submarinos. Garantiram-nos que a União Soviética não tinha intenção de entrar na guerra; mas em setembro de 1939, ela tinha 165 submarinos, compatíveis com o melhor padrão mundial. Alguns dos projetos de submarino foram desenvolvidos na Alemanha nazista, por encomenda soviética feita à Companhia Deschimag AG Wesser”. pg. 151. “O resultado é quem, em 22 de junho de 1941, a União Soviética tinha 218 submarinos ativos e 91 nos estaleiros”.

“Vasos de guerra de superfície também foram construídos ou comprados no exterior”. Entretanto:

“Alguns podem questionar por que os duzentos submarinos de Stálin e toda a sua marinha não puderam oferecer a resistência esperada da mais poderosa frota submersa do mundo. A resposta é simples: tratava-se de uma frota de ataque, um instrumento criado para a guerra ofensiva. Seria muito difícil, quase impossível mesmo, utilizá-la para sua defesa. ‘No decurso da guerra, a frota precisou resolver problemas que absolutamente não haviam sido previstos durante sua construção. Em vez de coordenar as ações com operações ofensivas das forças de chão, agindo perto das praias, como ditava a doutrina militar, a frota foi forçada a defender as bases navais da terra e do mar e evacuar as tropas, populações e bens das cidades costeiras’. Pg. 159.

“(...) para a defesa, são necessários navios diferentes, com características completamente distintas: caça-submarino, barcos de escolta, detectores de minas e navios-oficina. Pg. 159

“Não apenas o sistema de base da marinha soviética estava voltado para a guerra ofensiva, pois seus soldados haviam sido treinados para atacar, como também o armamento dos navios fora projetado exclusivamente para a guerra de agressão. Os navios soviéticos, embora equipados com poderosa artilharia, minas e torpedos, tinham equipamento aéreo bastante precário. Não foram construídos com sistemas defensivos fortes, porque os generais soviéticos haviam planejado iniciar a guerra com um fulminante ataque aéreo surpresa sobre as bases aéreas inimigas, cuja aviação havia sido liquidada. Contrariando tais planos, a guerra acabou assumindo caráter defensivo, pois o exército soviético e sua frota naval não foram os primeiros a atacar. O inimigo ganhou a a superioridade do ar, enquanto as tropas e os navios soviéticos na dispunham de boas defesas antiaéreas”.

Quanto ao Comissariado (Narkomat) de armas e munições:

“Se Stálin tivesse planejado uma guerra eminentemente defensiva, se tivesse planejado defender suas fronteiras, as novas fábricas deveriam se situar além do Rio Volga. Ali, elas estariam totalmente seguras; os tanques e os aviões inimigos não conseguiriam avançar muito no território soviético. Se Stálin não tivesse certeza de sua força; se – como nos disseram – ele tivesse medo de Hitler e dúvidas sobre a capacidade do Exército Vermelho de defender as fronteiras; se ele acreditasse em uma possível retirada, nesse caso, as novas fábricas deveriam ser construídas não além do Volga, mas bem no fundo das terras soviéticas, nos Montes Urais. Nessa região, havia matérias-primas, indústria autossuficiente e energia elétrica; as fábricas ficariam completamente a salvo. Se o inimigo tomasse grandes territórios, nossa base industrial permaneceria intacta – e Hitler sabedoria do que é capaz um urso ferido”.

Entretanto, nenhuma dessas opções foi sequer discutida; não havia necessidade. O Exército Vermelho não tinha planos de recuar, assim como não os tinha de defender as fronteiras do país. Pg. 161.


A Guerra de Inverno – Finlândia

Em 13 de março de 1940 a Guerra entre a Finlândia e URSS chegou ao fim, após penoso rompimento da linha Mannerheim. Ao contrário do que se pensa,

“Os peritos militares do Ocidente deviam reconhecer a assombrosa capacidade bélica do Exército Vermelho e a falácia das próprias hipóteses. Das atividades na Finlândia, pode-se chegar a uma única conclusão lógica: nada era impossível para o Exército Vermelho. Se ele fora capaz de avançar em tais condições, avançaria em qualquer condição, pois não poderia haver nada pior que atacar a Finlândia no inverno. Se o Exército Vermelho cruzou a linha Mannerheim, estava pronto para esmagar a Europa e quem mais estivesse no caminho”.

“O Exército Vermelho realizou uma operação única e sem precedentes na Finlândia. Desempenhou um papel incomparável e jamais repetido por qualquer exército da história; mas por alguma razão, Hitler concluiu que ele se saíra mal”. Pg. 179


Recursos estratégicos da Alemanha – falta de níquel e ferro


Pg. 236: Hitler se dá conta dos fatos


“Hitler e Stálin entendiam perfeitamente o significado da frase ‘o petróleo é o sangue da guerra’. O coronel A. Jodl declarou que Hitler afirmara em uma discussão com Guderian: ‘Você quer invadir sem petróleo? Pois bem, vamos ver qual será o resultado’. Já em 1927, Stálin considerava seriamente os problemas da eminente Segunda Guerra Mundial. Em 3 de dezembro desse mesmo ano, ele dissera: ‘É impossível lutar sem petróleo, e quem estiver com a vantagem, em termos de petróleo, terá a melhor chance de vencer a guerra iminente. Em junho de 1940, quando ninguém ameaçava a União Soviética, dezenas de vasos de guerra fluviais soviéticos apareceram no delta do Danúbio. Esse movimento não tinha nenhum valor defensivo, mas era uma ameaça às desprotegidas rotas de petróleo romenas e, consequentente, uma ameaça fatal à Alemanha”. Pg. 236.

Em Julho de 1940, Hitler consultou exaustivamente seus generais e concluiu que não seria fácil defender a Romênia: as rotas de fornecimento estendiam-se às montanhas, passando por elas. Se um grande número de tropas alemãs fosse transferida para defender a Romênia, a Polônia Ocidental e a Alemanha Oriental, incluindo Berlim, ficariam expostas ao ataque soviético. Se muitas tropas ficassem concentradas na Romênia e tentassem mantê-la a qualquer preço, de nada adiantaria. O território talvez fosse defendido, mas os campos de petróleo seriam queimados com bombas e artilharia.

Nesse mesmo mês, Hitler, pela primeira vez, declarou que a União Soviética poderia ser perigosa, especialmente se as tropas alemãs deixassem o continente, rumo às ilhas britânicas e à África. Em 13 de novembro de 1940, em uma conversa com Molotov, Hitler indicou a necessidade de reter um grande número de tropas alemãs na Romênia, sugerindo, claro, que o exército soviético seria uma ameaça ao petróleo romeno. Molotov fez ouvidos de mercador. Depois da partida de Molotov, em dezembro, Hitler começou a criar uma diretriz para preparar a operação Barbarossa”. Pg. 236

Em junho de 1940, quando o exército alemão estava lutando na França, Jukov, sob as ordens de Stalin e sem consultar os aliados alemães, posicionou vasos de guerra fluviais no delta do Danúbio. Hitler solicitou ao chefe de governo soviético que retirasse a ameaça soviética do coração do petróleo alemão. Stálin e Molotov não o atenderam.

Duas semanas após a invasão de Hitler no território soviético, em 7 de julho de 1941, Stálin enviou um telegrama ao comandante da linha de frente sul, general I. V. Tulénev. No telegrama, Stálin exigiu que a União Soviética retivesse a Bessarábia a qualquer custo, ‘tendo em mente que necessitamos do território bessarábio como um trampolim para organizar nossa invasão’. Hitler já havia realizado seu ataque repentino, mas Stálin ainda não pensava em defesa; sua maior preocupação era organizar uma invasão a partir da Bessarábia para atacar os campos de petróleo romenos”. Pg. 236.

A invasão soviética na Bessarábia e a concentração de poderosas forças agressoras ali, incluindo o corpo de paraquedistas e a flotilha do Danúbio, forçaram Hitler a estudar a situação estratégica de uma perspectiva diferente, a fim de tomar medidas preventivas. No entanto, já era muito tarde. Mesmo o ataque-surpresa da Werhmacht Heer sobre a União Soviética não salvaria Hitler e seu império”.

Divisões de Montanha nas Estepes da Ucrânia

O 9º Exército, (...) Em 1941 era o mais poderoso do mundo. Tinha seis corpos de batalha, incluindo dois mecanizados (em 22 de junho de 1941, contava com 799 tanques) e um corpo de cavalaria. No total, em 21 de junho de 1941, o 9º exército somava 17 divisões, incluindo duas de aviação, quatro de tanques, duas motorizadas de rifles, duas de cavalaria, seis de rifles e uma de montanha, também de rifles. As divisões de rifles, motorizadas de rifles e de cavalaria, também tinham tanques. Em 1º de junho de 1941, a região militar de Odessa, cujas divisões e corpos de batalha tornaram-se parte do 9º exército tinha 1.114 tanques.

Ainda por cima, estava para receber reforços de outro corpo mecanizado, o 27º, além dos melhores tanques do mundo, o T-34, além de ter oficiais excepcionais. pg.240-241


No entanto, onde estava localizado tamanho exército? Nesse ponto, uma espantosa descoberta nos aguardava: o 9º Exército não estava localizado perto da fronteira alemã. Na primeira metade de junho de 1941, a União Soviética estava organizado o mais poderoso exército do mundo na fronteira romena”. Pg. 241.

Além disso, os dois exércitos montanheses do Cáucaso só tinham valor para atacar.


O Grande Culpado de Viktor Suvorov - Excertos (Lançadores Múltiplos de Foguetes Katyusha, Aviões em Massa, Tropas Aerotransportados, Bombardeiros)

"Tubos de Stálin"

Uso de lançadores múltiplos de foguetes no verão de 1941, os “tubos de Stálin” ou “Katiúcha”, equipando o Exército Vermelho em 1941 com um sistema de artilharia lança-foguetes, o BM 9-36.

O "órgão de Stálin". Os tubos que produziam a música mais aterradora da II Guerra Mundial
Produção em Massa do Ivánov (Su-2) a partir de 1936

Criado por um grupo de projetistas chefiado por Pavel Ossipovitch Sukhói. “O Su-2 tinha muitos usos: podia ser bombardeiro leve, avião tático de reconhecimento e avião de ataque. O projeto era extremamente simples e racional” e adequava-se à produção em larga escala.

Entretanto, em 22 de junho de 1941 o exército alemão atacou o EV, justo quando o Su-2 era entregue (pg.74).


Ivanov SU-2
A Tática Soviética de Ataques Rápidos e Mortíferos
Tática soviética lembra a utilizada em Pearl Harbor com o “Nakajima B 5-N que era uma bombardeiro leve”. Era também caso do Ju-87 alemão, um avião monomotor mais semelhante a um caça que um bombardeiiro, com velocidade baixa, mas ambos, em grupos de aviões (como chacais) investiam de forma fulminante em ‘sonolentas’ base aéreas. Eram aviões de ataque surpresa.
"Os Pilotos treinados capazes de levar aos céus 100.000 a 150.000 aviões Su-2, ao “céu limpo”, os quais não eram necessários em guerra defensiva".Pg. 84
"Antes da guerra, e durante ela, a União Soviética projetou aviões notáveis e, ao mesmo tempo, muito simples. Mas a grande realização das forças aéreas soviéticas não foi a criação de aeronaves que destruíam os aviões inimigos no ara, mas de outras, que destruíam aviões inimigos e quaisquer alvos no chão.

O Il-2 foi o grande feito soviético em tecnologia da avião durante a 2ª guerra mundial. Bases aéreas eram seu alvo predileto”. Pg. 84.

“Pois, então, por que a força aérea soviética perdeu a superioridade aérea logo no primeiro dia, no estágio preliminar da guerra? Por que os alemães adquiriram vantagem no ar, considerando que sua força aérea perdia para a soviética, tanto em quantidade como em qualidade de aviões? A resposta é simples: a maioria dos pilotos soviético, incluindo os de caça, não aprendeu a combater em batalhas aéreas. A aviação soviética estava orientada para conduzir uma operação grandiosa, repentina e agressiva, em que a força aérea soviética, em uma só investida, esmagaria os aviões inimigos no chão e ganharia o domínio do ar”. Pg. 89.

Tropas de Assalto soviéticos aerotransportadas a sua missão

“A União Soviético foi a primeira nação do mundo a realizar ataques com tropas de assalto aerotransportadas. Essas tropas foram criadas em 1930, antes de Hitler subir ao poder na Alemanha. Apena duas outras nações desenvolveram táticas semelhantes antes da Segunda Guerra Mundial: A Alemanha, em 1936, e a Itália. No início da guerra, Hitler tinha 4.000 paraquestistas. A Itália havia treinado 700”. pg.133

Stálin liderou o desenvolvimento de assaltos aerotransportados. ‘No fim de 1933, o Exército Vermelho tinha um brigada de assalto aéreo, quatro unidades móveis de paraquedistas, vinte e nove batalhões distintos e várias companhias, que somavam cerca de dez mil homens’.

No início da guerra, a União Soviética tinha mais de um milhão de paraquedistas treinados, de acordo com o jornal oficial do Partido Comunista, Pravda, em 18 de agosto de 1940. pg. 91

Em 12 de junho de 1941, o Exército Vermelho criou o Comando das Tropas de Assalto Aéreo (...), além dos corpos de assalto aéreo, brigadas e regimentos, havia um número significativo de batalhões de paraquedistas, como unidades incluídas na infantaria soviética regular.(...) paralelamente às formações de paraquedistas, várias divisões regulares de rifles também se preparavam para serem transportadas por ar – na época, um passo essencial na redistribuição das tropas. Em 21 de junho de 1941, na véspera do ataque de Hitler à União Soviética, o exército soviético treinou em operações ofensivas aerotransportadas; uma prova de quão longe se achavam da estratégia defensiva”.

Ações coordenadas na tomada de Stalingrado

“Os generais soviéticos sonhavam não só em despejar uma multidão de paraquedistas na Europa Ocidental, mas também centenas, se possível milhares, de tanques. Os projetistas buscaram avidamente o modo mais simples e barato de realizar esse sonho. Oleg Antônov, que mais tarde criaria o maior avião cargueiro militar do mundo, sugeriu acrescentar asas e empenagem (o conjunto da cauda) a um tanque comum, usando o corpo deste como fuselagem do híbrido. Tal sistema recebeu o nome de KT – Kriláti Tank (tanque de asas). As engrenagens do volante eram ligadas ao canhão do tanque. A tripulação podia dirigir o vôo da cabine do tanque, girando a torre e o canhão”.

“(...) o tanque alado de Oleg Antônov não ficou pronto no início da guerra; e como a guerra não começou do modo que Stálin planejara, essa invenção tornou-s tão inútil quando os milhões de paraquedas cuidadosamente dobrados, esperando o ataque contra a Alemanha e a Romênia”. Pg. 95.

“A União Soviética entrou na Segunda Guerra Mundial com o maior número de pilotos de planadores do mundo. Só em 1939, 30.000 pessoas treinavam simultaneamente para pilotar planadores”. “Em janeiro de 1940, por decisão do Comitê Central (ou seja, sob as ordens de Stálin), criou-se o Comissariado do Povo (que os russos abreviam para Nakomat) da Indústria de Aviação, um grupo integrado no Ministério da Aeronáutica, para a produção de planadores-cargueiros-militares”.

O Maior Cargueiro do Mundo - o PS-84 (réplica do Douglas DC-3 americano)

“O melhor avião cargueiro do mundo, no início da Segunda Guerra Mundial, era o lendário Douglas DC-3 americano. Essa aeronave bateu o recorde da durabilidade; 55 anos de uso. Foi um avião extraordinário em sua época.

Pois o Douglas DC-3, embora com nome diferente (PS-84), formava o núcleo da aviação militar de transporte. Pg. 96

“Antes da guerra, a União Soviética havia comprado vinte aviões Douglas dos Estados Unidos, e, em 1939, seis aeronaves idênticas foram fabricadas em solo soviético. Em 1940, 51 aviões foram fabricados; em 1941, 237. Ao longo da guerra, 2.419 modelos DC-3, ou os soviéticos PS-84/Li-2 saíram das fábricas soviéticas”.

“Além do DC-3, a União Soviética tinha centenas de bombardeiros estratégicos TB-3, que também podiam ser utilizados como cargueiros . Todos os ataques de paraquedistas dos anos 1930 foram feitos com o TB-3. havia aviões suficientes para transportar milhares de paraquedistas e armas pesadas, incluindo tanques, carros, blindados e artilharia”.

A Ordem de Campo de 1939 - A URSS queria dominar os Ares

O mais importante documento a orientar as ações do Exército Vermelho em guerra foi a Ordem de Campo (PU – Polevói Ustáv). Na época, estava em vigência Ordem de Campo de 1939 – PU-39. Ela dizia claramente que para realizar uam ‘penetração profunda’ e um ataque em massa de corpos de assalto aéreo, a força aérea soviética precisava dominar o céu. Essa ordem de campo, bem como as instruções sobre batalhas aéreas e ‘instruções sobre o uso independente da aviação’ previam a execução, no inicio da guerra, de uma operação estratégica maciça, que esmagaria a força aérea inimiga”.

Stálin criara tantas tropas de assalto aéreo que seria possível utilizá-las em um único cenário: ataque aéreo e invasão maciça. O Exército Vermelho deveria iniciar a guerra de maneira repentina e traiçoeira, com um ataque aéreo contra as bases aéreas inimigas. Milhares de paraquedistas cairiam do céu para tomar e controlas as bases principais e pontos estratégicos. Qualquer outra ação não seria viável. Só que foi Hitler quem realizou o ataque antecipado. A estratégia comunista de dar o primeiro golpe foi abortada. Os cuidadosos planos de Stálin de montar um assalto aéreo maciço tornaram-se irrelevantes na corrida desesperada para se adaptar a uma guerra defensiva”. Pg. 97

sexta-feira, dezembro 23, 2011

O Grande Culpado de Viktor Suvorov - Excertos (Tanques)

Antes de mais nada, apresentemos uma síntese da avaliação elaborada pelo autor do “estado da arte” das armas soviéticas entre as décadas de 1930 e 1940. Comecemos pelas divisões de tanques.
Tanques e Divisões de Tanques
“Em 1933, o Exército Vermelho adotou o tanque T-28. Uma variação do modelo foi projetada em 1937 – o T-28PKh (Podvódni Khód – tanque de “travessia submersa”). Os testes mostraram que, se necessário, todas as séries de tanques T-28 poderiam ser convertidas em tanques de travessia submersa, a profundidade de até 4,5 metros em uma extensão de um quilômetro, com a velocidade da correnteza de até um metro por segundo. Na década de 1930, não havia um único tanque alemão, inglês, americano, francês ou japonês capaz de competir com o T-28, em termos de artilharia, blindagem e força do motor”. Pg. 51.


Tanque T-28

“Em 19 de dezembro de 1939, o Exército Vermelho alistou em suas fileiras o T-34. a seguir, algumas avaliações alemãs de seu desempenho. O marechal de campo Von Kleist disse: ‘O T-34 era o melhor do mundo’. O general Von Mellentin concordou: ‘Não tínhamos nada que se igualasse ao T-34’. O marechal de campo Rundstedt pensava o mesmo. O coronel-general Guderian recorda: ‘Um grande número de tanques T-34 foi utilizado na batalha [Guderian referia-se às hostilidades de outubro de 1941, perto de Mtsensk, a Nordeste de Orel], causando perdas significativas de nossos tanques. A superioridade que antes tínhamos em tanques agora estava perdida, e passara para o adversário. Portanto, desapareceu a perspectiva de sucesso rápido e contínuo”. Nossos canhões antitanques, de 50 a 37mm, eram totalmente inúteis diante do T-34”.

T-34

O General Westphal admitiu: “A chegada das armas soviéticas, que ultrapassaram as alemãs em qualidade, foi uma surpresa bastante desagradável. Uma delas era o tanque T-34, contra o qual as armas alemãs antitanques foram impotentes.

O general de infantaria Blumentritt concordava com os colegas: ‘Em 1941, o T-34 era o mais poderoso de todos os tanques [...] Nas vizinhanças de Verei, o T-34, sem qualquer hesitação, penetrou nas posições da Divisão da 7ª Infantaria, atingiu a artilharia e literalmente esmagou os canhões. É possível imaginar o impacto que isso teve no moral da infantaria. E assim começou a ‘tanquefobia’”.


“No fim de 1937 os alemães começaram a produzir o PZ-IVA, “o mais poderoso tanque alemão da primeira metade da Segunda Guerra Mundial, com blindagem de 15 mm”. Entretanto ele superava os tanques soviéticos T-28 em apenas um parâmetros (...)”

Tanque KV

“Entretanto, “em junho de 1941, o Exército vermelho sofreu uma derrota esmagadora, pois os T-34 eram insuficientes, apenas 967”.

“Os alemães não conseguiram projetar um bom tanque para produção em massa. Assim, até quase o fim da guerra, a Alemanha teve de fabricar modelos obsoletos para auxiliar os modelos Tiger e Panther e compensar as perdas sofridas em batalha”. Pg. 57.

Tiger Alemão em Túnis

“O Panther e o T-34 nem sequer deviam ser comparados. Seria como comparar boxeadores de pesos diferentes”. Pg. 57.

“Quanto aos tanques pesados, “os trabalhos de criação de tanques pesados na União Soviética começaram em 1930. Em 1933, o primeiro tanque soviético, o T-35, foi fabricado em série e passou a ser parte do exército. Era um gigante de cinco torres; pesava 45 toneladas e era operado por onze homens”. Pg.58.


O gigante soviético, o T-35


“Em 1939, os testes de três novos tanques pesados soviéticos – KV1, SMK e T-100 – foram realizados em condições de combate”, na guerra da Finlândia”. Pg. 59

“O KV-1 e o KV-2 pesavam, respectivamente, 47 e 52 toneladas. O KV foi o primeiro tanque do mundo dotado de blindagem antiprojétil: tinha armadura frontal de 75 mm, que podia ser reforçada”. Pg. 58. O KV2 tinha armas ainda mais poderosas, como o obus de 152 mm”. Pg. 59.

“É impossível, mesmo em teoria, comparar o KV-1 e o KV-2 com os melhores tanques alemães, o Pz-III e o PZ-IV: o KV era pesado, enquanto o exército alemão não tinha tanques dessa classe de peso em 1941”.



“O KV foi o mais poderoso tanque do mundo durante toda a primeira metade da Segunda Guerra Mundial, até a batalha de Stalingrado. Nenhum outro país tinha algo comparável nessa classe de peso. O projeto do KV tinha espaço para aperfeiçoamentos, o que lhe permitia passar por vários estágios de desenvolvimento, do KV-1 ao KV-13. Mais tarde, transformou-se no IS-1 e depois no IS-2, o mais poderoso tanque da Segunda Guerra Mundial”.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

O Grande Culpado de Viktor Suvorov - Parte III (Ataque à URSS, Manobras na Romênia em Ploiesti, Superioridade de Equipamentos)



Soldados Alemães na URRS, 1941.

Mas Stálin superou Hitler até mesmo no domínio das técnicas da Blitzkrieg. Assunto considerado tabu, o êxito do Führer na Polônia é controverso, tanto em função dos limites para o avanço da máquina de guerra alemã no interior do país, quanto com relação à efetiva destruição do governo polonês, que continuou a operar com foro no exterior. A Polônia também não foi esmagada totalmente pois após a queda outro governo foi reconhecido em Londres, por vários países e pela Liga das Nações, formando-se secretamente governos regionais

“(...) nem tudo corria tão bem na Polônia como a propaganda de Goebbels mostrava e conforme descrito por alguns modernos seguidores de Hitler. Por algum motivo, não é comum falar nisso; mas Blitzkrieg alemã na Polônia falhou. Em 15 de setembro de 1939, duas semanas após o inicio da segunda guerra mundial, as atividades da força aérea alemã caíram substancialmente; o exército alemã estava quase sem combustível. Esse era o nível de conhecimento de Hitler e seus generais sobre a arte da moderna guerra”.

“O resultado da blitzkrieg na Polônia foi que Hitler conseguiu uma fronteira comum com a ‘neutra’ União Soviética”.


Generais alemães como Von Rundstedt e Halder - em anotações de diários conservadas e analisadas por especialistas, anos depois - concordavam em julgar impossível a derrota da URRS. Mas por que Adolf Hitler - a quem Stálin e Zukhov atribuíam, acertadamente, certo grau de racionalidade - teria assinado a Diretriz estratégica de ataque à URSS? Por que diante da crassa impossibilidade por parte da Alemanha de manter uma guerra em duas frentes (lembremo-nos que se Hitler - mesmo usando a França como base de apoio - não foi capaz destruir a indústria britânica como planejado, então como poderia aniquilar o poderio do complexo militar-industrial soviético?) o Führer insistiu em enviar suas divisões ao Leste, mesmo sem preparo prévio (sim, não houve mobilização) e repetir uma "blitzkrieg" por definição insustentável uma vez que o conceito de "guerra relâmpago", literalmente, não se aplicaria ao contexto de um país colossal como a URSS, com invernos rigorosos e longos, inúmeros obstáculos geográficos (como o Cáucaso e a Sibéria) e um efetivo mobilizável de homens que poderia chegar a 34 milhões de homens (20% de sua população total).
Uma das principais razões para a suposta “precipitação” do Líder alemão e seu alto comando seria sua percepção dos objetivos explícitos das manobras soviéticas na fronteira com a Romênia. Por volta de junho e julho de 1940 já havia se tornado claro para os analistas alemães e o Führer em pessoa que os soviéticos tinham planos de comprometer o abastecimento das suas divisões de recursos estratégicos, em especial o petróleo. A esta altura, convém transcrever “in totum” alguns parágrafos do autor:
Hitler e Stálin entendiam perfeitamente o significado da frase ‘o petróleo é o sangue da guerra’. O coronel A. Jodl declarou que Hitler afirmara em uma discussão com Guderian: ‘Você quer invadir sem petróleo? Pois bem, vamos ver qual será o resultado’. Já em 1927, Stálin considerava seriamente os problemas da eminente Segunda Guerra Mundial. Em 3 de dezembro desse mesmo ano, ele dissera: ‘É impossível lutar sem petróleo, e quem estiver com a vantagem, em termos de petróleo, terá a melhor chance de vencer a guerra iminente. Em junho de 1940, quando ninguém ameaçava a União Soviética, dezenas de vasos de guerra fluviais soviéticos apareceram no delta do Danúbio. Esse movimento não tinha nenhum valor defensivo, mas era uma ameaça às desprotegidas rotas de petróleo romenas e, consequentente, uma ameaça fatal à Alemanha”. Pg. 236.

Tanque T-34

“Em Julho de 1940, Hitler consultou exaustivamente seus generais e concluiu que não seria fácil defender a Romênia: as rotas de fornecimento estendiam-se às montanhas, passando por elas. Se um grande número de tropas alemãs fosse transferida para defender a Romênia, a Polônia Ocidental e a Alemanha Oriental, incluindo Berlim, ficariam expostas ao ataque soviético. Se muitas tropas ficassem concentradas na Romênia e tentassem mantê-la a qualquer preço, de nada adiantaria. O território talvez fosse defendido, mas os campos de petróleo seriam queimados com bombas e artilharia.
Nesse mesmo mês, Hitler, pela primeira vez, declarou que a União Soviética poderia ser perigosa, especialmente se as tropas alemãs deixassem o continente, rumo às ilhas britânicas e à África. Em 13 de novembro de 1940, em uma conversa com Molotov, Hitler indicou a necessidade de reter um grande número de tropas alemãs na Romênia, sugerindo, claro, que o exército soviético seria uma ameaça ao petróleo romeno. Molotov fez ouvidos de mercador. Depois da partida de Molotov, em dezembro, Hitler começou a criar uma diretriz para preparar a operação Barbarossa”. Pg. 236

Em junho de 1940, quando o exército alemão estava lutando na França, Jukov, sob as ordens de Stalin e sem consultar os aliados alemães, posicionou vasos de guerra fluviais no delta do Danúbio. Hitler solicitou ao chefe de governo soviético que retirasse a ameaça soviética do coração do petróleo alemão. Stálin e Molotov não o atenderam.

Duas semanas após a invasão de Hitler no território soviético, em 7 de julho de 1941, Stálin enviou um telegrama ao comandante da linha de frente sul, general I. V. Tulénev. No telegrama, Stálin exigiu que a União Soviética retivesse a Bessarábia a qualquer custo, ‘tendo em mente que necessitamos do território bessarábio como um trampolim para organizar nossa invasão’. Hitler já havia realizado seu ataque repentino, mas Stálin ainda não pensava em defesa; sua maior preocupação era organizar uma invasão a partir da Bessarábia para atacar os campos de petróleo romenos”. Pg. 236.

quarta-feira, dezembro 21, 2011

O Grande Culpado de Viktor Suvorov - Parte II (Pacto "Molotov-Ribbentrop, Blitzkrieg em Khálkhin-Gol Mongólia)



Compondo um alentado volume de 400 páginas recheadas de dados históricos, informações geopolíticas, considerações de fôlego sobre estratégia militar, análises exaustivas e precisas dos equipamentos aéreos, terrestres e marítimos envolvidos nas operações e preciosas explicações sobre a engenharia militar e esquemas logísticos por trás da movimentação de tropas, armas, munições, tanques e veículos no front Leste, o livro representa uma primorosa peça de literatura militar. Mas qual é sua tese principal? Simplesmente a de que a URSS, sob comando de Stálin (que nada tinha de ingênuo, como popularizado pelos almanaques e professores de história do Ocidente e ideológos soviéticos) não foi vítima de uma "traição" de Hitler, o que contraria a versão oficial dos aliados e seus amigos soviéticos de a liderança alemã jogou na lixeira as cláusulas do Pacto Molotov-Ribbentrop, desencadeando,
em 1941, a sorrateira operação "Barbarossa" contra o império soviético.

Sátira ao Pacto Hitler-Stálin


Antes de que o acusem de fazer apologia ao nazismo ou à figura do também Tirano Adolf Hitler, Suvorov , um patriota russo, posiciona-se ainda no prefácio como alguém profundamente convictos das similitures entre os dois governantes que disputavam o controle do mundo na primeira metade do século XX. Curiosamente, até nos gostos eram semelhantes, para não dizer iguais. Uniformes semi-militares, paradas gigantescas, desfiles pomposos e magistralmente orquestrados, o pendor a sufocar e matar ardilosamente inimigos reais ou não, a mesma bandeira vermelha. Dois radicalismos, diametralmente opostos na aparência mas representando táticas inteligentemente adaptadas pelos poderes do Mal absoluto como este "blogueiro" costuma dizer.




Para sustentar sua tese o autor tem o dom de unir lógica elementar e depoimentos de militares e políticos soviéticos e alemães que, até muito recentemente, mofavam nos arquivos da KGB ou foram propositalmente olvidados por aqueles que escreveram a história recente. Ao contrário de um Stálin temeroso e indeciso com relação ao que fazer quando da invasão nazista, o "Grande Líder" (grande mesmo, muito maior que o Führer germânico em astúcia e inteligência) havia preparado meticulosamente o maior arsenal bélico jamais visto na história da humanidade e fabricado com incrível celeridade equipamentos militares mais velozes e adequados ao ataque (não à defesa) em todo o mundo de então. Tanques anfíbios ou gigantescas divisões de tanques com os KV e T-34, aviões bombardeiros (dos quais a Alemanha não tinha um exemplar sequer) ao estilo dos Douglas americanos que bombardearam Hiroshima e Nagazaki, poderosas flotilhas em parte montada na URSS ou importada de nações "amigas" estacionada em rios de importância estratégica capital como o Dnieper, mais de um milhão (sim, um milhão) de pára-quedistas treinados secretamente e, naturalmente, com objetivo de serem lançados em um ataque rápido e fulminante à Alemanha.

O livro desconcerta o leitor ao apelar para o óbvio: por que não se admitir que a Alemanha, mesmo que sucumbisse a qualquer surto de loucura suicida, poderia se envolver em uma guerrra que colocasse contra ela quase todos os países do mundo e, entre eles, as maiores potências industriais e militares da época. È esta uma questão sobre a qual se detém Suvorov, comentando o objetivo real e cristalino do tratado Hitler-Stálin (manhosamente apelidado de "pacto Molotov-Ribbentropp pelos partidários da retórica "humanitarismo soviético"):
"Em 23 de agosto de 1939, a Alemanha e a União Soviética assinaram em Moscou um acordo sobre a destruição do estado polonês e a divisão de seus territórios. A Polônia tinha acordos de assistência mútua com a França e o Reino Unido; portanto, o ataque da União Soviética e da Alemanha conduziu toda a Europa – e naturalmente o mundo – à guerra. De fato, oito dias depois, em 1º de setembro de 1939, estourou a segunda guerra mundial. Era o resultado direto e inevitável do acordo feito em Moscou".



"O acordo entre União Soviética e Alemanha é tradicionalmente chamado pacto Molotov-Ribbentrop, o que induz a confusões e não reflete bem a essência do que aconteceu. O pacto, assinado em Moscou, foi um complô entre Hitler e Stálin para conduzirem juntos uma guerra agressiva na Europa. Portanto, esse documento era um pacto Hitler-Stálin".

"(...) Entretanto, oito dias após assinar o pacto de Moscou, Stálin o violou. Hitler iniciou uma guerra de agressão contra a Polônia, na esperança de que seu aliado, Stálin, tivesse a mesma atitude. Porém, Stálin enganou a Hitler. Em 1º de setembro e nas duas semanas subseqüentes, as tropas soviéticas posicionaram-se nas vizinhanças da fronteira polonesa, sem atacar nem invadir. A explicação que o governo soviético deu ao parceiro alemão foi que ainda não era o momento de o Exército Vermelho entrar em ação. O resultado é que a Alemanha levou a culpa toda de ter iniciado a guerra, à custa de Hitler e seus seguidores; Hitler e seus generais entraram para a história mundial como a causa principal e única da Segunda Guerra Mundial. A Polônia foi dividida, não na Chancelaria Imperial, nas no Kremlin. Hitler nem estava presente, mas Stálin estava. E Hitler ficou com a responsabilidade de ter iniciado a guerra, enquanto Stálin, não. Stálin entrou para a história como vítima inocente, libertador da Europa".pg. 138.


Stálin traiu Hitler e não o inverso. Infelizmente, muito tarde para que pudesse sobreviver, Adolf Hitler viria a admitir a cruel cilada que lhe fora preparada pelo georgiano no Pacto de Moscou, pois, a grosso modo
"(...) a invasão da Polônia pelas tropas alemãs teve outras conseqüências: em 3 de setembro de 1939, a Grã Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha. Logo no terceiro dia, a Alemanha envolveu-se em uma guerra de duas frentes; ou seja, começou em desvantagem. Já que a Alemanha praticamente carecia de matéria-prima estratégica, uma guerra em duas frentes seria fatal para ela". Pg. 139.





O corolário da "quebra de acordo" por parte da URSS foi apressar o desenvolvimento de um cenário estratégico há muito tempo simulado nos jogos de guerra dos generais soviéticos: uma Alemanha pressionada pela Inglaterra e Estados Unidos, engalfinhando-se em uma pugna atroz na frente leste que levaria não só a ela – mas aos odiados capitalistas do Oeste – à exaustão, preparando-se o terreno para uma futura invasão do Exército Vermelho. O desdobramento imediato do Pacto Hitler-Stálin – a julgar por suas implicações políticas após Stálin revelar seu jogo – só poderia ser a guerra relâmpago.

Como aduz Suvorov:

"O resultado do pacto assinado em Moscou, em 1939, é que Stálin conseguiu a guerra – a guerra que ele desejara, planejara e preparara durante longo tempo. As nações da Europa Ocidental mergulharam em uma guerra destruidora, mas a União Soviética permaneceu neutra. Agora, Stálin poderia esperar a exaustão total e a autodestruição da Europa central e ocidental. Hitler adivinhou as intenções de Stálin e, em 1941, súbita e quase fatalmente, atacou a União Soviética. Nessa situação crítica, Stálin recebeu ajuda gratuita dos Estados Unidos e da Grã Bretanha, uma ajuda que em volume e quantidade não teve precedente histórico. Ao mesmo tempo, o papel soviético na eclosão da guerra foi rápido e totalmente esquecido. No cômputo final, a Polônia, por cuja liberdade as nações da Europa ocidental haviam entrado na Segunda Guerra Mundial, não ganhou a liberdade – mas foi entregue, juntamente com toda a Europa central e parte da Alemanha, ao controle de Stálin".



Pilotos soviéticos na Batalha de Khálkhin Gol

Muito oportunamente, o texto de Suvorov recorda ao leitor quem foi, aliás, o pioneiro da "Blitzkrieg". Adivinhem? Sim, Joseph Stálin.


A primeira Blitzkrieg da história foi realizada Em Khalkhin-Gol, na Mongólia, onde foi destruído o 6º Exército Japonês. Seus resultados foram silenciados na grande imprensa para que fossem melhor empregados como tática soviética de dissuasão dos verdadeiros objetivos expansionistas do país. Como relata Suvorov:





"A operação em Khálkhin-Gol foi brilhantee em planejamento e execução. Jukov arriscou-se bastante, mas de forma justificável. Ele ordenou que as bases do ar chegassem o mais perto possível das linhas de frente, o que permitia aos aviões levarem menos combustível e mais bombas. A intensidade do ataque por ar cresceu: os aviões decolavam e, mesmo antes que atingissem a altitude de cruzeiro, descarregavam as bombas, voltavam rapidamente, recebiam mais bombas a bordo e repetiam o processo. Quando os tanques soviéticos já tinham avançado bastante, a aviação pôde apoiá-los sem deslocamentos das bases. Jukov levou hospitais e bases de provisões à linha de frente, com munição e combustível; o que fosse necessário para a batalha era transportado de forma rápida e eficiente. (...) Durante os preparativos dessa ofensiva, Jukov proibiu quase todo o uso das comunicações por rádio, elas eram feitas apenas pelos dois que conversavam".




"Khálkhin-Gol foi a primeira guerra relâmpago do século XX; uma blitzkrieg em sua mais pura forma. Trata-se da primeira vez na história em que grandes unidades de tanques foram usadas corretamente: para ataque em profundidade. Foi o grande exemplo de concentração invisível de artilharia em áreas restritas da linha de frente. Também foi um exemplo de ataque totalmente surpresa; nos primeiros 90 minutos de batalha, a artilharia japonesa não disparou um único tiro nenhum avião japonês apareceu no céu". Pg. 143
"(...) Stálin exigiu silencio. Por quê? Porque estava preparando o mesmo tipo de vitória, só que em escala muito maior, em toda a Europa. O interesse de Stálin estava em ocultar o poder do Exército Vermelho, mantendo um véu sobre sua capacidade de lançar ataques-surpresa indefensáveis. O interesse de Stálin estava em deixar o mundo acreditar no atraso do Exército Vermelho e em sua incapacidade de enfrentar a guerra moderna. O interesse e Stálin era pegar Hitler de guarda baixa, não assustá-lo". Pg. 144



terça-feira, dezembro 20, 2011

O Grande Culpado de Viktor Suvorov - O Plano de Stálin para iniciar a Segunda Guerra Mundial - Parte I


Viktor Suvorov é o pseudônimo adotado por Vladmir Rezún, nascido na antiga União Soviética e oficial daquele país, no qual serviu na inteligência militar. Persona non grata tanto na ex-URSS quanto na atual democracia capitaneada pelo eterno mandatário Putin, mora incógnito em Londres, para onde desertou após partir de Genebra, Suiça. No Brasil, como de praxe, Suvorov é um ilustre desconhecido, apesar das prateleiras de algumas poucas livrarias contarem com ao menos um de seus livros vertido para a língua portuguesa: "O Grande Colapso - O Plano de Stálin para iniciar a Segunda Guerra Mundial", publicado pela pequena Editora Amarylis, em Barueri, São Paulo, 2010.
Georgiano bejando Titio Stálin
Mais que se inscrever simplesmente no rol da literatura “revisionista” da II Guerra Mundial, o livro de Suvorov é talvez a mais importante e elucidativa interpretação de inúmeros fatos “submersos” da história mundial na primeira metade do Século XX, sobretudo os bastidores políticos da invasão "surpresa" da Alemanha à URSS e as inúmeras manobras patrocinadas pelo Kremlin desde os anos 30 (a bem da verdade, ainda no imediato pós 1ª Guerra, com as ações de Lênin e Trótsky) sob a égide da "realpolitik" stalinista. O exemplo mais sórdido dentre eles foi o combate do Partido Comunista Alemão aos Sociais Democratas e consequente favorecimento ao NSADP, o Partido Nazista, nas eleiçõe ao Reichstag em Novembro de 1932. Ao tempo em que traz à tona bombásticas revelações amparadas por pesquisa minuciosa e dados de inquestionável veracidade, o livro foi alvo do mais flagrante boicote por parte da imprensa internacional e abaixo do equador é solenemente ignorado (nada de se admirar nesta nação de apedeutas). Mas o que explica o silêncio sepulcral dos formadores de opinião quando se trata de Suvorov? Tentemos desvendar o mistério, por partes.
Após o período de lutas intestinas que se seguiram à morte (ou assassinato) de Lênin, Iossip Vissarianovitch Djugachvilli (vulgo "Stálin") se sobressaiu como o homem de "aço" do Partido Comunista, aquele que eliminou a "direita" (Bukhárin e a dupla Kamenév-Zinoviev) e a "esquerda" (Trotsky que - desprezado por Stálin - caiu nos braços dos seus amigos "revolucionários" do México). Não só as disputas entre os bolcheviques pelo poder caracterizam os anos 30, que no plano externo à URSS se destacaram por eventos que os trotskystas (adeptos do vampiro Lev Bronstein Trotsky) viam como estupidez ou pusilanimidade stalinista, tais como a famosa “purga do exército” ou a participação soviética na guerra civil espanhola, anteolhados por um novo prisma pelo nosso autor. Longe do sanguinário e sombrio ditador que quer amealhar totalmente para si as rédeas do aparato estatal, fuzilando potenciais adversários, o que Stálin fez ao “depurar” as forças armadas foi apenas se livrar da velha guarda bolchevique incompetente e treinada para matar camponeses (a quem se atribuía o estigma de “kulaks”) com o objetivo de dotar o aparato militar de quadros mais jovens, dinâmicos e afeitos às modernas tecnologias.  Entre estes cães vermelhos raivosos precipitados no inferno por Stálin, ninguém era pior que o General Tukhatchévsky, um virulento e incompetente bolchevique que:
“(...) esforçou-se para conseguir o poder do modo mais tolo. Mais do que qualquer um, teve uma participação patética na guerra civil, e ainda assim declarou-se um vencedor. Decidiu editar pessoalmente o livro de três volumes chamado “Guerra Civil, 1918-1921, retratando a si mesmo como grande estrategista e culpando os outros por duas derrotas. Devo enfatizar que Tukhatvésky trabalhou especificamente para editar a história, não para escrevê-la”. Pg. 107.

Trótsky surrando duas irmãs contra-revolucionárias

Quanto à participação da URSS no teatro de guerra da Espanha, não só de glórias ou atos heróicos em grande parte inventados pelos comunistas (pois os anarquistas estavam preocupados demais em matar para explorarem sua “veia” poética) se caracterizou a atuação do seu exército. Assim como se aponta em Hitler a intenção de “testar” novo armamento naquele evento, pode-se muito ver em Stálin:

 “O objetivo óbvio (...), que aliás, foi expresso aberta e claramente, era atrair a Inglaterra e a França para a guerra espanhola. Se esse plano fosse bem sucedido, haveria um conflito maior entre Alemanha, Itália e Portugal de um lado, e França e Inglaterra do outro, no extremo ocidental do continente europeu, em território espanho. A União Soviética estava bem distante. (...) Tudo que Stálin tinha de fazer era jogar combustível em uma guerra que começava a esquentar”. Pg. 128.


Mas como operacionalizar esta guerra? Como alimentá-la de forma de adequá-la, tecer o necessário forro político e construir bases materiais para suportá-la e vencê-la?