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sábado, abril 27, 2013

JACK KEROUAC.Cenas de Nova York & outras viagens.

Jack Kerouac

"Eu simplesmente me deitava nos campos da montanha ao luar, com a cabeça na grama, e ouvia o reconhecimento silencioso das minhas angústias passageiras. - Sim, desse modo, tento atingir o Nirvana quando você já está nele, atingir o topo de uma montanha quando já está lá e tem apenas que permanecer - assim, permanecer na bem-aventurança nirvânica é tudo o que tenho a fazer, que você tem a fazer, sem esforço, sem caminho realmente, sem disciplina, mas saber que tudo é vazio e desperto, uma Visão e um filme da Mente Universal de Deus (Alaya-Jnanana) e permanecer mais ou menos sabiamente em meio a isso. - Porque o silêncio em si é o som dos diamantes que podem cortar tudo, o som da Vacuidade Sagrada, o som da extinção e da Bem Aventurança, esse silêncio de cemitério que é como o silêncio do sorriso de um bebê, o som da eternidade, da beatitude na qual certamente é preciso acreditar, o som de que jamais-houve-nada-senão Deus (que em breve eu ouviria em uma ruidosa tempestade no Atlântico. - O que existe é Deus em sua Emanação, o que não existe é Deus na sua serena Neutralidade, o que nem existe nem não existe é a divina aurora primordial do Céu Pai (este mundo neste exato instante). _ Por isso eu disse: 'Permaneça nisso, aqui não existem dimensões para quaisquer das montanhas ou mosquitos ou vias lácteas inteiras dos mundos'.
Porque sensação é vazio, envelhecimento é vazio. - Tudo é apenas a Dourada Eternidade da Mente de Deus, por isso pratique a bondade e a compreensão, lembre que os homens não são responsáveis por si mesmos, por sua ignorância e maldade, se deve ter pena deles, Deus se compadece porque o que há para se dizer a respeito de qualquer coisa visto que que tudo é apenas o que é, livre de interpretações - Deus não é 'aquele que alcança', ele é 'viajante' naquilo em que tudo é, o 'que subsiste' - uma lagarta,mil cabelos de Deus. _ Portanto, saiba sempre que isto é apenas você, Deus, vazio, desperto e eternamente livre como os incontáveis átomos da vacuidade em todos os lugares".

JACK KEROUAC.Cenas de Nova York & outras viagens. L&PM Pocket, Santa Maria, 2012. pp. 41 ee 42

terça-feira, agosto 14, 2012

O Poder da Sincronia


Recomendo a todos a leitura do livro "O Poder da Sincronia" de Luiz Bassuma. Com leveza de estilo o autor recapitula as biografias de personagens históricos como Sócrates, Buda, Confúcio, Joana D'Arc, entre outros, evidenciando o que todos eles tinham em comum: sincronia. Sobre Confúcio: "Como profundo estudioso do assunto, ele enxerga um grande enigma da História. Trata-se mais uma vez do poder da sincronia entre o saber, o falar e o fazer. Assim como Sócrates e Jesus Cristo, Confúcio não apenas falava defendendo idéias simples e eficazes para a evolução do gênero humano. Acima de tudo, eles vivenciavam o que defendiam para os outros. Eram essencialmente coerentes e absolutamente fiéis à verdade. Exercitaram com grande elevação a sincronia entre o saber, o falar e o fazer, visando sempre o bem".

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Meditar no Ocidente - A Mente Raiz

Aqui no Ocidente nós encaramos a meditação de forma diametralmente oposta ao Oriente. Meditação nas línguas tibetana e no sânscrito é um estado de espírito apaziguado e a ação mental que é a causa principal de paz mental. A maçonaria e os rosa cruzes autênticos são guardiões desta velha tradição meditativa ocidental, que remonta às antigas escolas de mistérios. Em suas fórmulas fazem referências a um "Oceano de Tranquilidade" e à "Paz Profunda" que em alguns ensinamentos budistas são comparados ao mar aberto sem agitação que provoque ondas. Ou seja, nossa mente plenamente centrada, em equilíbrio.

Mas principalmente no século XX a penetração de técnicas e dos textos do Leste nos países da Europa e América mesclou-se ao cientificismo em voga para o qual cérebro e mente são a mesma coisa ou, então, muito parecidos. Com o passar do tempo a eficácia da "meditação" foi aceita, porém considerada apenas como uma terapia válida de relaxamento, diminuição do stress e alívio do desconforto associado ao uso intenso e prolongado do cérebro.

Porém, o cérebro não é a mente. Este um princípio basilar em todas as tradições do Oriente. O cérebro é um órgão físico que cumpre seu papel no âmbito do ser-forma. Haverá um dia, creio, que até mesmo este órgão poderá ser transplantado com facilidade de um crânio para outro. Há indícios que sequer a perda substancial de uma grande parte do cérebro sequer afeta funções vitais ou a fala, memória e capacidade de raciocinar das pessoas.

Então, o cérebro é apenas um instrumento. A mente é algo sutil, que perdura. Ela tem uma função no âmbito do ser, mas que transcende a forma: perceber e entender os objetos só isso. Penso que ao mesclar-se excessivamente com que os teosofistas chamam de "manas inferior", ao cérebro físico e suas elaborações, a mente é contaminda por uma série percepções errôneas que estabelecem falsas relações entre os fenômenos, as delusões.

Um dos principais objetivos da nossa vida é combater estas delusões. Os métodos de meditação recomendados pelos bons instrutores são ótimos caminhos para destruí-las, desde que se saiba meditar. O primeiro passo para se fazer uma correta meditação é deixar de lado o foco no cérebro físico. Muitas pessoas tentam meditar mas seu foco está no cérebro físico e o processo como um todo não surte efeito. Lembro-me que antes me esforçava para controlar os pensamentos, mas todo o meu esforço era guiado impulsivamente para a área no centro da testa, havendo dias em tinha até mesmo dores de cabeça.

Uma técnica budista que tem provado ser útil - ao menos para mim - é a da "mente raiz". Ela parte da natureza de clareza e da função da mente que é perceber e conhecer. Após as atitudes preparatórias, o meditador deve se esforçar para direcionar sua percepção para o chacra do coração, no centro do peito, criando uma imagem mental desta "mente raiz". Concentrando-se neste imagem e em sua função - que é pura clareza - o meditador afasta-se aos poucos da falsa percepção da mente física.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Meditação - Algumas Anotações para os Amigos

O que é Meditação

“A concentração deve ser num objeto. Isto é muito importante tanto na prática do Dharma como na vida comum. A palavra tibetana para meditação e concentração é zhi NE; NE significa ‘residir’ ou ‘permanecer’, e ‘zhi’ significa em ‘paz’. Num sentido prático, então zhine significa viver pacificamente sem ocupação. Se não observarmos cuidadosamente, nossa mente parece até bastante pacífica, mas se nós realmente observarmos seu interior, ela não é nada pacifica. (...) A mente não é capaz de concentrar-se no mesmo objeto por um segundo”.

O que atrapalha a meditação são os fatores mentais, então:
“Dentre os nossos fatores mentais, as impurezas são mais fortes que as boas qualidades. Normalmente não tentamos controla-los e, mesmom quando tentamos, isto é muito difícil, porque por muito tempo tivemos o hábito de sempre segui-los. Concentração ou calma permanente ocorre quando nossos fatores mentais são purificados e, assim, nossa mente é capaz de demorar-se, pacificamente, num objeto”.

RABTEN, Geshe. A senda graduada para a libertação. Instruções orais de um lama tibetano. Brasília: Ed. Teosófica, 1993.

“Meditação é uma mente que se concentra em um objeto virtuoso e uma ação mental que é a causa principal de paz mental. Sempre que meditamos, estamos realizando uma ação que que nos fará experienciar paz interior no futuro”. (...) Um objeto virtuoso é aquele que nos faz desenvolver uma mente serena quando nos concentramos nele. Se nos concentrarmos em um objeto que nos faça desenvolver uma mente agitada, como raiva ou apego, isso indica que, para nós, o objeto é não-virtuoso. Também existem muitos objetivo neutros que não são virtuosos nem não-virtuosos”.

Gyatso, Geshe Kelsang . Como solucionar nossos problemas humanos - as quatro nobres verdades. São Paulo: Ed. Tharpa, 2009.

“Meditação é um método para familiarizar nossa mente com a virtude. Ao meditar, analisamos um objeto virtuoso ou nos concentramos nele”.
“Há dois tipos de meditação: a analítica e a posicionada. Fazemos meditação analítica quanto, tendo ouvido ou lido, uma instrução de Darma, contemplamos seu significado. Contemplando profundamente esse ensinamento, somos levados a tirar uma conclusão definitiva ou a desenvolver um estado mental virtuoso, os quais podem ser tomados como objeto de meditação posicionada. Se nos concentrarmos unificadamente nesse objeto e permanecermos assim por bastante tempo para nos familiarizar profundamente com ele, estaremos praticando a meditação posicionada. Em geral, a meditação analítica costuma ser chamada de “contemplação” e a posicionada, simplesmente, de “meditação”. A posicionada depende da analítica quem, por sua vez, depende de ouvir, ou de ler, as instruções do Darma”.

Gyatso, Geshe Kelsang . Introdução ao Budismo - uma explicação ao estilo de vida budista. São Paulo: Ed. Tharpa, 2004.

Postura Meditativa

“O lugar no qual praticamos a concentração deve ser limpo, calmo, próximo à Natureza e que nos seja agradável. O corpo deve também estar em boas condições, sem doenças. Colocar o corpo numa posição correta também ajuda. Para a meditação há sete aspectos diferentes sobre posição do corpo.
1. Se não for penosa, é melhor a postura “vajara” (Nota: do diamante) com as pernas cruzadas e os pés descansando nas coxas, voltados para o alto. Entretanto, se sentar nesta posição for doloroso e distrair a concentração, o pé esquerdo pode ficar preso sob a coxa direita e o pé direito pode descansar sobre a coxa esquerda.
2. O tronco deve estar tão reto e ereto quanto possível.
3. Os braços devem estar arqueados, não descansando ao lado do corpo ou empurrados para trás; eles devem estar em repouso, porém firmes. Os polegares devem estar ao nível do umbigo.
4. O pescoço deve estar ligeiramente curvado para frente com o queixo para dentro.
5. A boca e os lábios devem estar focados à frente, acompanhando os lados do nariz.
6. A boca e os lábios devem estar relaxados, nem abertos, nem fechados firmemente.
7. A língua deve pressionar gentilmente o palato.

“Estes são os sete elementos da postura vajra. Cada um simboliza os diferentes estágios da Senda, mas cada um possui também uma razão prática”.

RABTEN, Geshe. A senda graduada para a libertação. Instruções orais de um lama tibetano. Brasília: Ed. Teosófica, 1993.



Métodos para Tornar a Mente Estável

“Os textos de meditação ensinam nove métodos para cultivar a atenção, estabelecer a serenidade mental e tornar a mente mais estável. Lembremos que, nesse caso, a consciência plena consiste em que se permaneça continuamente atento ao objeto de concentração escolhido.

1. Concentrar a mente, ainda que de maneira breve no início, num objeto, conforme as instruções, evitando que ela se deixe levar pelas imagens ou pelos pensamentos discursivos.
2. Situar a mente continuamente sobre esse objeto, durante um período de tempo maior, sem se distrair. Para consegui-lo, temos de nos lembrar claramente dos ensinamentos de como manter a mente concentrada no seu suporte, guarda-los na memória e coloca-los em prática com cuidado.
3. Trazer a mente de volta ao seu objeto cada vez que percebemos que a distração a afastou dele. Para isso, temos de reconhecer que a mente esteve distraída, identificar a emoção ou o pensamento que provocou essa distração e utilizar o antídoto apropriado. Pouco a pouco, tornamo-nos capazes de mantê-la calma e estável durante longos períodos de tempo, tendo uma concentração mais clara.
4. Situar a mente com cuidado, quanto mais firme é a mente, ela é concentrada, mais tendência temos para meditar. Mas se a atenção ainda não for perfeita, conseguiremos não perder mais completamente o suporte da meditação e nos livrarmos das formas mais perturbadoras da agitação mental.
5. Controlar a mente: quando a concentração mergulha no torpor, reavivamos a acuidade, a clareza da presença atenta e renovamos a inspiração e o entusiasmo, considerando os benefícios da concentração perfeita (samadi).
6. Acalmar a mente. Quando a acuidade se torna muito restritiva e a concentração é abalada pela agitação mental sutil que toma a forma de uma pequena conversação discreta por trás da atenção, o fato de se considerarem os perigos da agitação e da distração acalma a mente, tornando-a clara e límpida, a imagem de um som puro emitido por um instrumento de música bem afinado.
7. Pacificar completamente a mente recorrendo à atenção sustentada e entusiasta a fim de abandonar todo apego às experiências meditativas. Estas podem revestir vários aspectos, tais como a felicidade, a clareza ou ausência de pensamentos discursivos, e se manifestar também por movimentos espontâneos de alegria ou de tristeza, de confiança inabalável ou de medo, de exaltação ou de desânimo, de certeza ou de dúvida, de renúncia às coisas deste mundo ou de paixão, de devoção intensa ou de vistas negativas. Todas essas experiências podem surgir sem razão aparente. Elas são o sinal de que mudanças profundas estão acontecendo em nossa mente. Precisamos evitar nos identificar com essas experiências e não lhes dar mais importância do que as paisagens que vemos desfilar pela janela de um trem.
Graças à atenção perfeitamente pacificada, essas experiências esmaecerão por si mesmas sem perturbar a mente, e esta conhecerá, então, uma profunda paz interior.
8. Manter a atenção concentrada em um ponto: depois de eliminar a inércia e a agitação mental, manter a atenção estável e clara em um ponto durante uma sessão de meditação. A mente é como uma lâmpada protegida do vento cuja chama, estável e luminosa, clareia com o máximo de sua capacidade. Basta um mínimo esforço para estabelecer a mente no fluxo da concentração em que ela se mantém, em seguida, sem dificuldade, permanecendo em seu estado natural, livre de restrições e perturbações.
9. Repousar num estado de perfeito equilíbrio: quando a mente está plenamente familiarizada com a concentração em um único ponto, ela permanece num estado de serenidade que acontece espontaneamente e se perpetua sem esforço“.

RICARD, Mathieu. A arte de meditar. Um guia prático para os primeiros passos na meditação. São Paulo: Ed. Globo, 2009.

segunda-feira, abril 26, 2010

Notas sobre as Relíquias do Buda

Uma Visita às "Relíquias" do Buda


Dirigi-me pessoalmente à exposição das relíquias do Buda e seus discípulos no dia 25/04/2010, no Museu da Misericórdia que fica situado na Igreja da Misericórdia, logo na entrada do Pelourinho, Salvador.
Logo ao aproximar-me do Museu, acompanhado de meu filho, senti o enorme poder espiritual que fluía daqueles objetos. È indescritível o impacto que a presença da cristalização de um grande mestre espiritual produz sobre os homens. Ao entrar no recinto fomos conduzidos a um pequeno átrio, logo na entrada, onde foi exibido um curta metragem sobre a origem das "relíquias", seu significado, os mestres que as originaram e o percurso da mostra por uma série de países.
Em seguida fomos conduzidos ao salão principal da igreja que circumbulávamos no sentido horário, fixando-nos primeiramente nas relíquias de Buda, Tsongkhapa e outros. As duas primeiras eram muito brilhantes e esféricas, contando com uma "bolinha" maior que as outras. Delas emanava quase toda a energia vibracional de emitida por todo o conjunto. As duas certamente eram "colares de buda" em "strictu sensu".
Os monges e religiosos budistas exotéricos presentes pareciam bastante satisfeitos com os efeitos produzidos pelo espetáculo. Na verdade, estes eram mais oriundos do próprio caráter das relíquias (entre as quais, além das falsas pérolas havai os ossos e dentes de preceptores falecidos) que tendem a atrair os crédulos como em qualquer outra região.
Pouquíssimos ou talvez nenhum dos presentes sequer nutria uma fraca concepção do real alcance do que estava diante de seus olhos. O espesso véu da matéria e do engodo de "maya" cobria seus olhos presunçosos.

segunda-feira, abril 19, 2010

AS RELÍQUIAS DO BUDA - O VERDADEIRO "COLAR DE BUDA"

Algumas "relíquias" de Buda 

As Relíquias do Buda - O Verdadeiro Colar de Buda



As relíquias do Buda Sakiamuni foram oferecidas por Sua Santidade, o Dalai Lama ao Lama Zopa Rinpoche. Muitos outros mestres budistas uniram-se ao projeto e ofereceram relíquias para serem colocadas no coração da estátua do Buda Maitreia. Quando os corpos de mestres espirituais são cremados, entre suas cinzas surgem cristais parecidos com pérolas. Estes objetos são especiais porque guardam a essência das qualidades do mestre. As relíquias são evidências físicas de que ele desenvolveu muita compaixão e sabedoria antes da morte. Elas proporcionam uma oportunidade única de conexão espiritual com seres iluminados”.

O trecho acima foi reproduzido de um convite para a apresentação das relíquias do Buda Sakiamuni em capitais do Brasil. Não só deste Buda, mas discípulos notáveis como Maudgalyayana, Ananda e Sariputra e antecessores como o Buda Kasyapa. Quando estes mestres espirituais deixam a terra e são cremados surgem estas pequenas “pérolas” como testemunho de sua santidade.

Mas o que são estas pequeninas “pérolas” veneradas como relíquias do Buda por toda a extensão do Oriente? Os Budismos Exotéricos cegadas por cerimônias cuja chama espiritual oculta deixaram de compreender há muitos séculos não são capazes de compreender o que são estas “relíquias”, que não são cristalizações de virtudes ou “parâmitas” dos Budas mas representam a própria sobrevivência física e dos Budas e seu vínculo material com o presente e o passado.

Este misterioso ensinamento permaneceu oculto por séculos, talvez milênios, até que Georges Illitch Gurdjieff na série de revelações em Moscou no início do século XX trouxe a lume o segredo do “Colar de Buda”. Este termo não expressa a cadeia de reencarnações como usualmente é aceito, mas um vínculo permanente com Buda. A exposição ora realizada em várias capitais do Brasil, entre elas Salvador, pode trazer algumas destas peças entre as quais somente o verdadeiro clarividente saberia distinguir aquelas que são falsificações produzidas nos mosteiros tibetanos os verdadeiros “colares de Buda”.


Mas do que se tratam? O que são e qual é a verdadeira natureza destas relíquias?

Em “Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido” Piotr Demianovich Ouspensky relata de forma conspícua observações magistrais de Gurdjieff sobre o “Colar de Buda”. Permitam-nos reproduzir estes preciosos argumentos:

Noutra ocasião, falávamos do Budismo do Ceilão. Eu expressava a opinião de que os budistas devem ter uma magia, cuja existência não reconhecem e cuja possibilidade é negada pelo Budismo oficial. Sem nenhuma relação com essa observação e enquanto mostrava minhas fotografias a G., falei-lhe de um pequeno relicário que vira numa casa amiga, em Colombo, onde havia, como de costume, uma estátua de Buda e, ao pé desse Buda, uma pequena dágaba (*) de marfim em forma de sino, isto é, uma pequena réplica cinzelada de uma verdadeira dágaba, interiormente vazia. Meus anfitriões abriram-na em minha presença e mostraram-me alguma coisa que era considerada uma relíquia, - uma pequena bola redonda, do tamanho de uma bala de fuzil de grosso calibre, cinzelada, segundo me parecia, numa espécie de marfim ou de nácar.
G. escutava-me atentamente.
- Não lhe explicaram a significação dessa bola? Perguntou.
-Disseram-me que era um fragmento de osso de um discípulo do Buda; que era uma relíquia sagrada de grande antiguidade.
- Sim e não, disse G.. O homem que mostrou o fragmento de osso, como você, diz, nada sabia ou nada queria lhe dizer. Pois não era um fragmento de osso, mas uma formação óssea particular que surge em torno do pescoço como uma espécie de colar, em decorrência de certos exercícios especiais. Já ouviu essa expressão: “colar de Buda”?
- Sim, disse, mas o sentido é completamente diferente. É a cadeia de reencarnações do Buda que chamam “colar de Buda”.
- È exato que esse seja um dos sentidos dessa expressão, mas falo de um outro sentido. Esse colar de ossos que rodeia o pescoço, sob a pele, está diretamente ligado ao que é chamado ‘corpo astral’. O corpo astral está, de certo modo, ligado a ele ou, para ser mais preciso, esse ‘colar’ liga o corpo físico ao corpo astral. Ora, se o corpo astral continua a viver depois da morte do corpo físico, a pessoa que possui um osso desse ‘colar’ poderá sempre se comunicar com o corpo astral do morto. Essa é a magia deles. Mas eles nunca falam dela abertamente. Tem, pois, razão, em dizer que têm uma magia, e temos aqui um exemplo dela. Isso não significa que o osso que viu seja verdadeiramente um osso. Encontrará ossos semelhantes em quase todas as casas; estou lhe falando apenas da crença que está na base desse costume.
E eu devia admitir uma vez mais que nunca encontrara tal explicação.
G. esboçou para mim um desenho que mostrava a posição dos ossinhos sob a pele; formavam na base da nuca, um semicírculo que começava um pouco adiante das orelhas.
Esse desenho relembrou-me de imediato o esquema ordinário dos gânglios linfáticos do pescoço, tais como são representados nos quadros anatômicos. Mas nada mais pude saber
”.


Ao visitante desatento tais observações sobre as “relíquias” dotadas do dom de cura e capazes de trazer inolvidáveis benefícios espirituais e físicos àqueles que por isso anseiam (assim como, supostamente o fazem as relíquias católicas ou de outras religiões) podem proporcionar-lhes um vislumbre do que dos resultados do contato físico com o elo cristalizado dos Budas. Essa é verdadeira “magia oriental” e suas relíquias – se verdadeiras – são os atributos físicos dos verdadeiros Santos.

(*) Santuário budista em forma de cúpula.

Mais informações sobre a exposição no Brasil em:

http://www.cebb.org.br/noticias/344-exposicao-reliquias-do-buda-brasil-2010

terça-feira, agosto 15, 2006

Budismo Pré-histórico

Não há nenhuma outra religião tão antiga quanto o budismo. Fora da exegese religiosa convencional e das correntes predominantes na "ciência" da história, só a visão esotérica da evolução do mundo pode assegurar, com razoável margem de certeza, a precedência temporal do budismo sobre todas as religiões. O budismo é anterior aos Vedas e seus cantos, os slocas, é anterior ao "manunsritti", o "Livro de Manu", é mais velho que as mais arcanas inscrições efetuadas pelos hierofantes egícpios e antes mesmo que as primeiras plaquetas em caracteres cuneiformes pudessem narrar a cosmogonia dos sumérios, já reinava absoluto na Atlântida o budismo, há 40 milhões de anos atrás.
Sidharta Gautama, foi apenas um dos "Budhas", o iluminado funcionários superior (superior mesmo ao "Christos") na hierarquia de seres que inspecionam a humanidade sob a ordem do manu supremo das raças. "Shidarta", o que alcança o alvo, o "Tattaghata" de de Sakhya, o Sakyamuni foi um dos avatares de Vishnu, como Rama ou Krishna e veio à Índia quando o bramanismo se havia degenerado em letra morta e e apodrecido, transformando-se nas mãos de "brâmanes" carnais (pois não o eram no "espírito") em instrumentos de opressão dos pobres, subjugados por uma "Lei de Manu" que convenientemente adulterada pelos "marajás" e "reis" estabelecia uma rígida divisão entre as castas e a tolerância para com toda a sorte de crimes hediondos cometidos contra as castas mais baixas, sobretudo os intocáveis.
O "bramanismo", à época da vinda do Gautama, havia se convertido em ritualismo formal, as fórmulas dos Vedas eram recitadas sem que o sacerdote, o "purohita", compreendesse sua significação maior, os Upanhishads quando lidos, não eram aplicados. Tanto a doutrina do Gautama Buddha não era original que já se encontra perfeitamente definida em suas linhas linhas mestras no "Baghavad" Gita e, um seu contemporâneo, fundador da ordem janaísta, em suma não difere dos budistas, exceto por seu radical apego a um conceito de compaixão que leva seus adeptos a temerem a morte do menor de todos os animais (até mesmo o germe, no limite).
Esse budismo de milhões de anos, este "budismo pré-histórica", é a primeira de todas as religiões simplesmente porque era a mais simples, lembrando os ensinamentos doa atual budismo "hinayana" (o "pequeno veículo"). O que defendia limitiva-se à nobre caminho óctuplo, as quatro verdades e a prática das perfeições (parâmitas), e o indivíduo através da contemplação, concentração e "samadhi" seria capaz de alcançar o nirvana e libertar-se do "sansara", o ciclo perpétuo da morte e da reeencarnação.
Foi este ensinamento simples do budismo ancestral, de milhões de anos atrás, que operou como matriz das principais religiões do mundo. A essência esotérica dos princípios transmitidos nos mistérios de todos os povos (como os de Elêusis, a cabala e outros) centrada na unidade entre o eu (Self) e o todo é uma herança desta religião originária, que nasceu nos tempos da Atlântida. Com o cataclismos que destruíram esta civilização, há uns 40 milhões de anos atrás, grupos de sacerdotes e alguns iniciados (que na antiga Índia do Decão eram chamados de Rishis) colonizaram terras do planalto iraniana e influenciaram as tradições das futuras tribos árias, que se espalharam pela Pérsia e Índia, neste último país dominando os povos de pele negra representados pelos "rakshasas" do Ramayana.
Como estes primeiros habitantes da Índia ariana eram ainda rudes e impossibilitados de compreender qualquer idéia em nível mais elevado de abstração, os antigos iniciados da Atlântida, a princípio, promoveram o sincretismo do budismo pré-histórico com as religiões politeístas dravídicas, o que perdura até hoje nos deuses animalescos adorados como devas pelo hindu ignorante (que não compreende o sentido altamente espiritual destas representações divinas). Com a vinda dos dois avatares de Vishnu, Rama e Krishna, consolidou-se a religião bramânica, a quintessência do antigo budismo, sob os auspícios do profeta Viyasa, que redigiou os mais célebres livros dos hindus. Estes rishis, inspirados pelo Logos, ditaram a seus discípulos os Vedas, a assim permaneceu viva a religião imemorial dos antepassados, os pitris.
Após a primavera da Kali Yuga veio então o Senhor Gautama, o novo avatar do Deus Vishnu (que sempre desce à terra para conservar a ordem cósmica) e através da sua palavra (sutras) e dos tratados de seus discípulos na Índia e no Tibete, instruiu os homens no verdadeiro conhecimento e lhes trouxe a consciência de si. Este é o budismo original restaurado, que existe "ad seculum seculorum".

quinta-feira, agosto 03, 2006

Dharma e Sharia

Sobre a questão do "Dharma, Murilo Nunes de Azevedo foi feliz em destacar sua funcionalidade e relação próxima com a ordem cósmica (Rta) na religião védica (em "O pensamento do extremo oriente. Pensamento.São Paulo, 1993"). Leia-se o seguinte excerto:
O hindúísmo, baseado nos vedas, é a mais antiga religião do mundo que ainda se mantém viva. É como um vasto oceano que contém profundidades tão insodáveis que nem um gigante pode alcançar e poças onde as crianças podem brincar. Quanto mais a estudamos, mais nos sentimos iluminados pela beleza de seus conceitos. Sua idéia básica é a da Lei. Essa lei, que nos Vedas é apresentada como Rta, viria adquirir posteriormente a características de Dharma. Como afirma um texto védico: “O dharma é aquilo que mantém unidos as pessoas e o Universo”. Aplica-se desde o cosmo até a nossa vida diária – uma vida que poderá tornar-se feliz, tranqüila e benéfica para todas as criaturas. As relações humanas, que hoje tanto são estudadas, podem ser perfeitas quando baseadas na Lei Suprema do Dharma. O verdadeiro ariano é aquele que vive a vida de acordo com a Lei".
Com relação à especificidade do islamismo - e sua diferença do cristianismo, ao qual se revela superior dada a existência de regras a serem observadas, em "Introdução ao Islã" se lê
A Sharia, ou Lei, é a dimensão exterior. Outra idéia-chave do Islã é a totalidade das prescrições, consideradas de origem divina, ao homem. Baseia-se essencialmente no Corão, mas também nos ditos (hadiths) e práticas (sunnah) do Profeta, no consenso da comunidade (ijma) e finalmente no raciocínio analógico, se necessário.



A Sharia diz como o muçulmano deve viver tanto em sua vida privada como social. É um guia para as ações e engloba toda faceta da vida humana, dando um significado religioso a todos os atos. Diz como o muçulmano deve se comportar, como fazer negócios (a usura, aliás é proibida), como portar-se à mesa etc.
O cristianismo, por não possuir uma Shariah, uma lei revelada para o domínio social – e tendo recusado a lei judaica, encarada como uma ‘letra que mata’, como diz o Evangelho, em nome do ‘espírito que vivifica’ – é visto pelos muçulmanos como uma ‘tariqah’, isto é, uma via exclusivamente contemplativa, sem a correspondente lei revelada. Quando o cristianismo sai da clandestinada e se torna uma religião das massas e do próprio Estado, contudo, viu-se obrigado a incorporar uma lei, a romana, ‘exoterizando’ uma via originalmente esotérica.
Do mesmo modo que o Sufismo, a Shariah está baseada no Corão e na Sunnah (os costumes, os ditos, a ‘prática’) do Profeta; a lei, contudo, interessa-se apenas pela vida ativa, e não pela vida contemplativa. Se o Sufismo visa ao amor e o conhecimento do divino, e à santificação ainda nesta vida, a Shariah visa à salvação póstuma da alma mediante o cumprimento de determinadas ações. A lei islâmica diz o que pode e que não pode ser feito pelo fiel para ganhar a salvação; já o sufismo enfatiza antes as práticas contemplativas, como as litanias, a khalwah (retiro espiritual) e a invocação (dhikir), como meios seguros para chegar a Deus, aqui e agora”.

Ação, devoção e conhecimento, são universalmetne tidos, como os três modos principais da vida espiritual. Na Índia recebem o nome de Karma, Bhakti e jnana. No sufismo são conhecidos como makhâfa (temor), mahabah (amor) e marifah (conhecimento) (...)".