Gurdjieff

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domingo, novembro 22, 2015

Monsieu Gurdjieff - Julius Evola

Monsieur Gurdjieff

Traduzido por CB , 22/11/2015 *

por Julius Evola (publicado pela primeira vez em Roma, 16 de abril de 1972; primeira publicação desta tradução francesa por Gérard Boulanger: A idade do ouro, primavera de 1987)



É raro que apareçam em nossa época – onde eles correm o risco de ser confundidos com certos mistificadores – personagens que nos façam tocar com o dedo, de maneira inquietante, isto a que foi reduzida, metafisicamente falando, a existência da grande maioria das pessoas.
A essa categoria pertence, sem qualquer sombra de dúvida, o “misterioso Senhor Gurdjieff”, a saber, George Ivanovitch Gurdjieff. A recordação de sua presença e da influência que exerceu é ainda viva, mesmo tendo morrido há muitos anos, como o testemunham as obras que lhe foram consagradas e mesmo os romances onde figura sob um outro nome. Louis Pauwels, o autor da Manhã dos Mágicos, pôde escrever um volume de mais de quinhentas páginas, objeto de duas edições sucessivas, no qual recolheu um grande número de documentos – artigos, cartas, lembranças, testemunhos – concernentes a ele. De fato, a influência de Gurdjieff se estendeu aos meios mais diversos: o filósofo Ouspensky (que a partir de sua doutrina, escreveu uma obra intitulada Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido, assim como uma outra,  A Evolução Possível do Homem, da qual uma tradução italiana foi anunciada), os romancistas A. Huxley e A. Koestler, o arquiteto “funcionalista” Frank Lloyd Wright, J.B. Bennet, discípulo de Einstein, o doutor Wakey, um dos maiores cirurgiões nova-iorquinos, Georgette Leblanc, J. Sharp, fundador da revista The New Statement: todos tiveram com Gurdjieff contatos que deixaram traços.
Nosso personagem apareceu pela primeira vez em São Petersburgo, pouco antes da Revolução de outubro. Não sabemos grande coisa do que fez antes: ele mesmo se limitou a dizer que tinha viajado ao Oriente em busca de comunidades que depositavam os restos de um saber transcendente. Mas ao que parece, havia sido igualmente o principal agente tzarista no Tibete, que deixou para se abrigar no Cáucaso onde foi, quando criança, condiscípulo de Stalin. Na França, e em seguida em Paris, na Inglaterra e nos Estados Unidos, consagrou-se à organização de círculos que seguiam seus ensinamentos, círculos intitulados “grupos de trabalho”. Um editor francês que se retirou dos negócios lhe ofereceu em 1922 a possibilidade de fazer do chatêau d'Avon, próximo à Fontainebleau, sua “central” onde, em um primeiro momento, ele criou qualquer coisa como um exílio ou eremitério. Entre os boatos que circulam a respeito, alguns concernem ao domínio político. Gurdijieff havia tido contatos com Karl Haushofer, o fundador bem conhecido da “geopolítica”, que ocupou o primeiro plano no III Reich e, pretende-se mesmo que essas relações tenham presidido a escolha da cruz gamada como emblema do nacional-socialismo, cuja rotação se efetua, não em direção à direita, símbolo da sabedoria, mas à esquerda, símbolo do poder (como foi efetivamente o caso).
Que mensagem anunciou Gurdjieff? Uma mensagem ao menos desconcertante. Poucos homens “existem”, poucos têm uma alma “imortal”. Alguns dentre eles possuem o germe dela, que pode ser desenvolvido. Em regra geral, nós não possuímos um “Eu” de nascença: é necessário adquiri-lo. Aqueles que não o alcançam se dissolvem com sua morte. “Uma ínfima parte dentre eles chega a ter uma alma. ”
O homem na rua não é mais que uma simples máquina. Ele vive em estado de sono, como se hipnotizado. Ele crê agir, pensar, mas é “movido”. São os impulsos, os reflexos, as influências de toda ordem que atuam sobre ele. E não tem um “ser”. As maneiras de Gurdjieff não tinham nada de delicadas. “Você não pode compreender, você idiota completo, sua 'merdidade' ”, dizia ele em seu mau francês àqueles que dele se aproximavam. De Katharine Mansfield, morta durante sua estadia no eremitério d'Avon em busca da “via”, Gurdjieff declarou: “Eu não conheço”, querendo explicar por isto que a morte nada era, que ela não existia.

 A via ordinária é a a de um indivíduo continuamente aspirado, ou “sugado”, ensinava Gurdjieff. “Eu não sou aspirado pelos meus pensamentos, pelas lembranças, meus desejos, minhas sensações. Pelo bife que eu como, pelo cigarro que eu fumo, o amor que eu faço, os bons tempos, a chuva, a árvore, este veículo que passa, este livro. “Trata-se de reagir. De “despertar”. Então nascerá um “Eu” que, até então, não existia. Então ele aprenderá a ser, a ser dentro de tudo que ele faz e daquilo que se ressente, em lugar de representar mais que a sombra de si mesmo. Gurdjieff chamava “pensamento real”, “sensação real”, etc., isto que se manifesta de acordo com certa dimensão existencial absolutamente nova que a maioria das pessoas não podem nem mesmo imaginar. E ele distinguiu igualmente em alguns a “essência” da “pessoa”. A essência constitui a qualidade autêntica, a pessoa, o “indivíduo social”, construída de todas as peças, e exterior; estes dois elementos não são coincidentes, encontramos aqueles nos quais a “pessoa” é desenvolvida enquanto sua “essência” é nula ou atrofiada – e vice-versa. No nosso mundo, o primeiro caso prevalece; aquele de homens e mulheres cuja “pessoa” é exacerbada ao ponto de ser desmesurada, mas a essência está em um estado infantil – quando não é totalmente ausente.
Não é lugar aqui para evocar os procedimentos indicados por Gurdjieff para “despertar”, para se ancorar na essência. O que quer que seja, o ponto de partida seria o reconhecimento prático, experimental, de sua própria “inexistência”, este estado quase sonambúlico que faz com que sejamos “sugados” pelas coisas, por nossos pensamentos e nossas emoções. É igualmente a isto que serve o “método da desordem”: revolver a máquina que somos para tomar consciência do vazio que ela esconde. Não é preciso se surpreender se alguns dos que seguiram Gurdjieff nesta via foram levados a crises extremamente graves, perturbando seu equilíbrio mental ao ponto de fugirem ou de se afastarem com terror de experiências semelhantes nas quais tiveram experiências algo aproximadas com a impressão de viver a morte. Quanto àqueles que resistiram à prova e persistiram no “trabalho sobre si” junto a Gurdjieff, estes falam de um incomparável sentimento de segurança e de um novo sentido dando à sua sua existência.
Parecia que Gurdjieff exercia sobre quem quer que dele se aproximasse, de maneira quase automática e sem que o desejasse, uma influência que podia exercer efeitos positivos ou deletérios, segundo o caso. É fora de dúvida que possuía algumas faculdades supranormais. Ouspensky conta que recorrendo a uma ciência aprendida no Oriente, da qual no Ocidente não conhecemos “sequer uma parte insignificante sob o nome de hipnotismo”, Gurdjieff podia, graças a certas experiências, separar a “essência” da “pessoa” em um indivíduo dado – fazendo aparecer eventualmente a criança ou o idiota que se escondia por trás de qualquer indivíduo evoluído ou cultivado ou, inversamente, uma “essência” muito diferenciada a despeito da existência de manifestações exteriores.
Entre os testemunhos recolhidos por Pawels, há um particularmente picante relativo ao poder, atribuído igualmente no Oriente a certos iogues (e evocado por um autor digno de fé como Sir John Woodroffe), de “lembrar a fêmea à fêmea”. Aquele que conta a anedota se encontrava em Nova Iorque, em um restaurante, em companhia de uma jovem escritora muito segura dela mesma à qual mostrou o “famoso Gurdjieff, sentado em uma mesa vizinha. A jovem o mirou com um olhar de superioridade fixo, mas pouco tempo depois, ela se tornou pálida e parecia estar ao ponto de desfalecer. Isto deixou surpreso seu companheiro, que não conhecia essa grande mestra dela mesma. Mais tarde, ela lhe confessou isto: “É ignóbil! Eu olhei este homem e ele me surpreendeu. Ele apenas me observou friamente e, naquele momento, senti-me intimamente com uma tal precisão que experimentei o orgasmo! ”.
Gurdjieff se contentava com poucas horas de sono. Chamavam-no “aquele que não dorme”. Ele alternava um modo de vida quase espartano com banquetes de uma opulência russo-oriental desaparecida há muito tempo. Em 1934, foi vítima de um acidente automobilístico muito grave: ficou três dias em coma mas retomou a consciência e parecia ter rejuvenescido, como se o choque físico, no lugar de lesar seu organismo, o tivesse galvanizado. Numerosas coisas deste gênero correm por sua conta, nós mesmos as ouvimos diretamente, pela voz de um de seus próximos que dirigiu no México “grupos de trabalho” evocadas bem alto. Que seja bem entendido, um processo de mitificação é inevitável em casos desse gênero, e não é fácil separar a realidade do imaginário. Gurdjieff não deixou quase nada escrito e o que publicou é de qualidade suficientemente medíocre, mas é extremamente frequente que aquele que é “alguém” não tenha nem as qualidades nem a preparação para ser escritor: ele dá um ensinamento direto e exerce sua influência. Como já dissemos, à parte a coleção de testemunhos publicados por Pawels sob o título Senhor Gurdjieff, coube a Ouspensky escrever seus ensinamentos.
Gurdjieff morreu com a idade de oitenta e dois anos, em plena posse de seus meios e dizendo ironicamente aos discípulos que o assistiam: “Eu os deixo numa bela enrascada! ”
Ainda hoje, ele não cessa de ser citado e, como já dissemos, aqui e na Inglaterra, na França, na Africa do Sul, os restos dos grupos que foram constituídos sob sua influência subsistem.

www.gurdjieff.org para conhecer um pouco mais sobre G. Gurdjieff.

quarta-feira, março 12, 2014

O implante dentário e um lampejo de si mesmo


Submeter o paciente a um implante de dentes equivale a descer da condição do "Homem-Massa" de Ortega y Gasset ao "Homem-Máquina" de Gurdjieff, regredi-lo conceitualmente a um ser mecânico, para o qual tudo acontece, tudo se se manifesta exteriormente. 

O dentista manuseia instrumentos lúgubres, invisíveis, ruidosos; não podemos divisá-los com acuidade; mas o paladar; azedado com saliva, sangue e pus; o tato não completamente amortecido; e, sobretudo a audição, incólume; - aliados à percepção naquele ambiente hostil dos "sentidos comuns" do movimento, repouso, figura e grandeza. 

A seringa amiga não refrea inteiramente a constatação da dor. Ouvimos o doutor dizer à assistente, "Pega a broca!"; de pronto, instala-se o pânico. Arrancam-se as carnes das gengivas com força tamanha que o maxilar afrouxa; não controlamos os lábios; na mente rodopiam fantasias, formam-se imagens desconexas que informam o corpo anestesiado da agressão iminente. 

De fato, o pedacinho de osso que restou do primeiro molar é perfurado; mas, isto não é suficiente: é necessário desbastá-lo como a "pedra bruta" de um Aprendiz Maçom. O rijo sobrevivente em sua cadeira é posto ao lado do Trono do Vigilante, o dentista, o aprendiz ignorante, perfila seus instrumentos; não o maço e o cinzel; mas o broca e agulha que lhe cabem em sua etapa iniciática, coisa ainda mais apavorante para o objeto do obreiro odontológico que as estórias macabras de convescotes satânicos. 

Terminado o serviço, o cirurgião, sorri, com a dentição saudável exposta ante a miséria alheia e; ainda, declara em tom elogioso, sem galhofa, sincero também na sua rotina: "Nunca vi osso mais forte que o seu".



Explicação

Muito frequentemente, em momentos singulares - costumeiramente naquelas ocasiões em que o homem tem estimulado em mais alto grau o senso instintivo - pode-se produzir uma rara unidade dos sentidos que nos dá notícia de nós mesmos. Ainda que fragmentária, ela, a nova informação, condensa uma verdade sobre o nosso "todo" de forma sintética. Estuda a ti mesmo, observa-te e conhece-te; são estes os passos no cotidiano, não circunstanciais pois exigem disciplina e constância.

sábado, agosto 21, 2010

Uso de Drogas e Estágios Superiores de Consciência - A Falsa Opção


Muitos iniciantes no estudo do esoterismo e ocultismo se deparam após estudos avançados de Yoga ou do "Quarto caminho" com a cômoda possibilidade de empregar um "tipo de substância que, atuando sobre a "psiquê", induza a incursão célere em níveis "superiores" de consciência. A respota positiva a essa pergunta leva a opções como a do moderno "xamanismo" (em suas correntes e interpretações latino-americanas e brasileiras, inclusive) ou ao recurso a chás, cogumelos, infusões e beberagens associadas às idéias "à la Castañeda" em curso há cerca de três décadas.
Em sua magistral obra "O Quarto Caminho", um resumo de palestras realizadas em Londres para um seleto grupo de discípilos, Peter Ouspensky esclarece, de forma precisa e sucinta, toda a falácia subjacente às drogas e como o Sistema de Gurdjieff opõe-se veemente a elas. Por outro lado, o mesmo sistema rejeita abertamente os "vagabundos" ou indíviduos que sequer são capazes de dar um curso mínimo às suas vidas por reputá-los incapazes de dar, sequer, os passos iniciais no Trabalho.

"Pergunta: As drogas não podem nos pôr em contato com os centros superiores (1)?
Resposta: A idéia não é nova; as drogas foram usada nos tempos antigos, na Idade Média, nos Mistérios da Antiguidade, na magia, etc. Constatou-se que alguns estados interessantes resultavam de um uso inteligente das drogas. O sistema (2), no entanto, opõe-se a elas. O seu uso não dá bons resultados, porque elas não podem influir na consciência, faze-l a crescer. Entorpecendo os centros inferiores, as drogas podem nos pôr em contato com os centros superiores, mas isso não nos seria de nenhuma utilidade, porque só podemos nos lembrar na medida em que temos consciência. Visto que não a temos, a ligação com os centros superiores só resultará em sonhos ou inconsciência.
Todos esses estados de transe descritos, por vezes, nos livros, são um caminho muito perigoso. O ato de transportar-se a um transe está relacionado com a criação da imaginação no centro emocional superior, e isso é um beco sem saída. Se estivemos nele, não podemos sair nem ir adiante. A nossa idéia é controlar a imaginação; se, em vez disso, a convertemos, através de certos métodos, em imaginação no centro emocional superior, obteremos satisfação felicidade, mas, no fim das contas, trata-se apenas de dormir num nível superior. O verdadeiro desenvolvimento deve seguir duas linhas: desenvolvimento da consciência e desenvolvimento dos centros (3).
Além do mais, tais experiências são, em geral, desapontadoras, porque as pessoas geralmente consomem, na primeira experiência, todo o material que possuem para serem conscientes. Pode-se dizer o mesmo de todos os métodos de entorpecimento mecânicos e auto-hipnotizadores; dão os mesmos resultados que as drogas; adormecem os centros comuns, mas não podem aumentar a consciência. Mas, quando a consciência se desenvolver, os centros superiores não apresentarão nenhuma dificuldade. Admite-se que o centro emocional superior funciona no terceiro estado de consciência e o centro intelectual superior no quarto".

OBS:
(1) No sistema de Gurdjieff traçado por P.D. Ouspensky os centros intelectual e emocional superior não estão ativados no homem comum ou apenas acidentalmente. Em condições usuais de vida a “usina humana” não pode produzir as substâncias sutis (que Gurdjieff chamada de “hidrogênios” como combinações trinas de forças e elementos) para alimenta-lãs.
(2) O “Sistema” é o “Quarto Caminho” ou o “Caminho do Homem Astuto”, uma outra possibilidade em relação ao “Caminho do Faquir”, do “Monge” e do “Iogue” (definidos a partir do predomínio dos centros instintivo-motor, emocional e intelectual inferiores).
(3) Desenvolver os “Centros” é ter a capacidade de alimenta-los de forma adequada para funcionem com o seu próprio combustível.

sexta-feira, julho 02, 2010

O Simbolismo na Maçonaria e o Trabalho - As Funções Intelectual Superior e Emocional Superior do Sistema de Gurdjieff

A Maçonaria tem sido definida ao longo do tempo por vários modos, entre eles como um “sistema de Moral, velado por alegorias e ilustrado por símbolos”. Nas instruções ministradas na Ordem, aspectos essenciais deste sistema são expostos paulatinamente, a partir da observância de rituais que remontam às “Escolas de Mistérios da Antiguidade”. Alguns autores que escrevem sobre a “Arte Real” ensinam que “quando a Maçonaria Livre e Aceita começou a ter uma vida própria, separada da Maçonaria Operativa, ela usava símbolos e emblemas para lembrar a seus membros os princípios morais e espirituais inerentes á sociedade. Ao longo do período em que se deu esse desenvolvimento, (...) o uso geral dos símbolos era uma prática comum e de uso cotidiano; assim, a sua incorporação em qualquer instituição esmerada, tal como a dos Maçons Especulativos, não seria nada extraordinária”.
Esses são os sistemas que, no passado, eram chamados de “Mistérios”, entre eles os do Egito, os da Pérsia, os de Elêusis, na Grécia e outros na Babilônia, Roma e nos grande centros da alta antiguidade. A esse respeito, na “Introdução sobre a Doutrina Esotérica” que abre a grande obra do Sr. Èdouard Schuré em português (“Os Grandes Iniciados”), enfatiza-se que “todas as religiões têm uma história exterior e uma história interior; uma aparente, outra oculta. Por história exterior entendo os dogmas e os mitos ensinados publicamente nos templos e nas escolas, reconhecidos no culto, e as superstições populares. Por história interior entendo a ciência profunda, a doutrina secreta, a ação oculta dos grandes iniciados, profetas ou reformadores que criaram, sustentaram, propagaram estas mesmas religiões“. Esta é a “tradição esotérica ou doutrina dos mistérios, é bastante difícil de discernir, pois ela se passa no fundo dos templos, nas confrarias secretas, e seus dramas mais surpreendentes se desenrolaram inteiramente no mais profundo das almas dos grandes profetas, os quais não confiaram suas crises supremas ou seus êxtases divinos a nenhum pergaminho e também a nenhum de seus discípulos”.
Estes círculos exotéricos e esotéricos delimitam a fronteira entre a humanidade mecânica e o trabalho isto é, entre a "Torre de Babel" ou o "Reino da Confusão das Línguas" e a busca através de "sofrimentos intencionais e esforços conscientes" do conhecimento de si. Podem ser vializados nas esferas concêntricas que demonstram as dimensões exotérica, mesotérica e esotérica da vida. A passagem de uma a outra compreende uma fase "transicional" de tomada de decisão, de rompimento da dualidade e formação da tríade no ser humano, isto é, a criação de uma linha contínua de resultados.
Com toda a sua sagacidade, o filósofo Greco-armênio, Georges Ivanovitch Gurdjieff, expressava sua interpretação das escolas de conhecimento e de mistérios como meios de transmissão de verdades arcanas que não poderiam ser traduzidas nos marcos da linguagem convencional. Segundo ele deveria haver uma “ciência objetiva”, uma unidade de todas as coisas e “procurava-se, pois, colocá-la em formas capazes de assegurar sua transmissão adequada, sem risco de deformá-las ou corrompê-las”.
Assim, “dando-se conta da imperfeição e da fraqueza da linguagem usual, os homens que possuíam a ciência objetiva tentaram exprimir a idéia da unidade sob a forma de ‘mitos’, ´símbolos’ e ‘aforismos’ particulares que, tendo sido transmitidos sem alteração, levaram essa idéia de uma escola a outra, freqüentemente de uma época à outra”. Estas idéias não atuavam sobre os estados convencionais, normais de consciência do homem mas sobre níveis superiores, o que ele denominava “centro emocional superior” e o “centro intelectual superior”. Ao primeiro, o “centro emocional superior”, destinavam-se os mitos, ao segundo, o “centro intelectual superior”, os símbolos.
A Maçonaria, portanto, elegeu como meio por excelência de aprendizagem a simbologia herdada tradições do passado que permeiam as instruções dos seus graus e seu Manual de Ritualística. Resultante da confluência mais recente das velhas Oficinas operativas de Roma e da Itália em seus albores, das corporações de ofício medievais e das contribuições dos filósofos herméticos e mestres da "Arte Real, esta nobre Ordem é a guardiã no Ocidente de um corpo de verdades que são incorporadas pelo Obr.'. através do trabalho consciente em Loj.'.. Isso significa que na verdadeira Maçonaria, assim como no "Trabalho", nenhuma transformação pode se operar sem que haja uma "harmonização" do Templo interno e do externo, do físico, do emocional e do intelectual. Tal como no "Quarto Caminho" nada é possível sem que os centros sejam harmonizados, tanto é que ao entrar no Temp.'. físico o cortejo de MM.'. deve, conduzido pelo M.'. de Cer.'., entrar em um "oceano de tranquilidade".
Na Maç.'., mais que em outras ordens, prerrogativas fundamentais do trabalho estão presentes. Em primeiro lugar, a necessidade de ser um bom "Chefe de Família", alguém que tenha responsabilidades e as cumpra. Ao contrário das falsas "ordens" de adolescentes (bruxaria, satanismo, simulacros da "Golden Dawn" e Thelema e mesmo da "Rosa Cruz" mercadológica) a Maçonaria exige que o M.'. seja trabalhador, tenha renda e seja fiel às suas obrigações no casamento e com a família.
Gurdjieff advertia que nenhum lunático ou vagabundo poderia ingressar no trabalho. Nenhum lunático ou vagabundo pode ser iniciado na Maçonaria.
Outras exigências da condição maçônica também são similares às do Trabalho. É indispensável uma vida sexual saudável e sem aberrações. Também é preciso tempo e recursos para cumprir obrigações maçônicas e socorrer aos homens. È fundamental a humildade porque no trabalho das oficinas todos os Obr.'. são iguais e regidos pelo nível. Em uma Loj.'. mesmo o Ven.'. M.'., caso transgrida os rituais ou a Lei Maçônica pode ser corrigido pelos IIr.'. O objetivo da Maçonaria, assim como no Grupo do Quarto Caminho ou a "Sangha" budista é escapar da "prisão do mundo material" e esse ato não se executa sem ajuda mútua. Por isso, equivocadamente, a Ordem foi confudida por tanto tempo como uma Sociedade de Socorro Mútuo. De certa forma não deixa de sê-lo.
Porém, ser Maçom não significa que se está no Trabalho Real.. No Trabalho Real de um Grupo Gurdjieff é preciso sempre estar trabalhando não apenas exteriormente mas sobretudo interiormente. Nas Loj.'. se diz um Ir.'. que está indisposto com outro Ir.'. não deve comparecer a suas reuniões para não comprometer a Egrégora. Porém, nem sempre este mandamento é levado a sério na prática. Em sentido amplo, no Trabalho, as coisas não são vistas tão "formalmente" e o mestre de um Grupo pode tomar decisões mais ou menos duras que soem como destempero ou demasiadamente violentas. Nesse sentido, o "Trabalho" transcende todo o resto e penetrar nele, como diria Nicoll, é submeter-se a mais Leis ainda que o comum dos mortais na Terra. É preciso estar ciente disso antes de tomar qualquer decisão preliminar sobre ele.

sexta-feira, junho 25, 2010

A Curta Vida do Homem como um Fenômeno Cósmico - Relações entre a Cristalização do Órgão Kundabuffer e o Raio de Criação no sentido de Gurdjieff

Vale do Capão, Chapada Diamantina. Foto do autor.
Estou em uma pousada no Vale do Capão, na Chapada Diamantina. A paisagem é bucólica, apaixonante como os picos dos Alpes, mais nova e menos imponente que os Andes mas transbordam mistérios da "mãe natureza". A temperatura é baixa e agradável, contrastando com o sempiterno calor da cidade de Salvador e a alta umidade do ar que me deixa enxaguado de suor durante todo o dia. Nas trilhas da Chapada colho pequenas amostras da flora local e cheiro seu aroma com o intuito de associá-lo a algo conhecido. As casas enormes dos cupins do mato abundantes por aqui me intrigam. Elas são feitas de terra amalgamada em substância secretada pelos pequenos insetos. Furo como uma espécie de "experiência científica" uma delas com o golpe de um pequeno martelo e centenas deles saem do seu reino. Intimamente me debato com certo sentimento de culpa por ter destruído trabalho tão belo e ao mesmo tempo me assaltam três idéias: em primeiro, a de que aquele "drama de proporções cósmicas" que abalou todo o "mundo dos cupins" partiu de um ato de vontade de minha parte (tomar o matelo e batê-lo na casinha). Outra foi a conclusão de que, do ponto de vista dos cupins,nada poderia ter sido antecipado, o choque com o meu martelo não poderia ser evitado. Elas são exatamente como nós, sujeitos a "leis superiores" e sujeitos ao acaso pois, assim como para nós, tudo para os cupins acontece. A terceira idéia é menos filosófica e se relaciona com o remorso que desencadeia ato tão brutal do ponto de vista dos valores "espirituais" ou o que nos ensinaram nos cursos de "bom mocismo" da religião da "Nova Era" quanto aos animais.
À noite volto para meu canto e durmo com o zunido das cigarras e os barulhinhos dos grilos. Ressinto-me de que ainda preciso um longo trabalho sobre mim mesmo para que as impressões que borbulham em meio tão rico possam ser assimilados pelo meu mecanismo interno e produzir as substâncias de ordem superior de que meu organismo realmente precisa.
Da varandinha do quarto vislumbro as montanhas que circundam o vale. Caminhando por ma trilha que conduz a um mirante, à tardinha, percebo que o efeito da tênue luz solar sobre as formas gigantescas ao longe compõe um espetáculo fascinante. Com a câmera reflex mais um tripé tiro algumas fotografias e usando meu lápis grafite faço esboços rápidos da paisagem em um caderno de desenho, para retocá-los depois. Espanto-me como a visão física das coisas pode mudar graças a meros deslocamentos do sol em sua carreira diurna. Assim como no mundo físico, nossa interpretação dos fenômenos também é sujeita às distorções de perspectiva. A forma como a luz incide ou não sobre nossa razão é que determina seu grau de objetividade.
Antes do anoitecer de ontem, ainda no mirante, contemplo o infinito. Tudo se cala e com os ouvidos capto apenas um som básico que reúne em um fio vibratória continuo as emanações de toda a natureza, o vento batendo nas pedras, os bichinhos e animais da caatinga, os resquícios da atividade humana em uma a vila próxima. Nestes momentos de intensa atividade consciente vieram-me à mente algumas implicações da idéia do raio de criação ensinada nas escolas e transmitida ao Ocidente por Georges Gurdjieff principalmente as relações entre os vários cosmos e a duração da vida do homem na atualidade.


A formação rochosa da Chapada Diamantina faz parte de um subgrupo comportado pela Serra do Espinhaço no Brasil. Há cerca de um bilhão de anos atrás o Ser Vivo que é o planeta Terra foi depositando ao longo de sua evolução geólógica, umas sobre as outras, camadas rochosas e areníticas que resultaram na atual conformação da sua superfície que se assemelha às delicadas capas de um doce folheado. Há algumas centenas de milhões um movimento de “ejeção” propiciado pela peculiar dinâmica energética do “fogo interno” que arde nas camadas que circundam frenético núcleo terreno elevou estas paragens situadas na Bahia alguns metros. O mesmo ocorreu nos Andes, por isso este "autor" teve a oportunidade de colher várias amostras de conchas em povoados nos arredores de Cuzco, situados milhares de metros acima do nível do mar. Em sua esfera cósmica e no seu lugar no raio de criação que emana do Absoluto, o Planeta que habitamos não se encontra em uma posição confortável. Fica apenas um pouquinho acima do “pior lugar do universo”, a lua. Aqui as possibilidades de evolução do homem são muito pequenas, senão inexistentes. Só com “sofrimentos intencionais e trabalhos conscientes” o homem pode esperar alguma mudança em seu destino.A “cronologia geológica” é trilhões de vezes mais abrangente que a humana segundo a escala dos cosmos. Penso que não é possível comparar a vida do homem com a da terra por dois motivos. Em primeiro lugar, a terra “ab initio” tem uma fim determinado para sua existência e um período de vida estipulado. O homem também tem um fim determinado para sua existência - suprir um dos seus satélites,a lua ou Anulios de alimento, isto é, manter a pulsação do “raio de criação” , ou seja, a oitava cósmica, desde a origem à sua nota final , a lua. Se o fim a que tende o homem enquanto gênero é definido, sua duração vital nem sempre o foi. Hodiernamente, pequenas mudanças na "qualidade de vida do homem" (mais alimento físico, sistemas de saúde eficientes, melhores remédios ou menos guerras e violência urbana) alteram o que os "demógrafos" (esquisitos "especialistas" hasnamussem em "populações humanas")batizaram de "expectativa de vida" que, no geral, oscilam no intervalo compreendido entre uns 70 e 90 anos, no máximo. Mas nem sempre foi assim.
Antes que as conseqüências do órgão que fazia com que os seres humanos não vissem as coisas como elas realmente são - o órgão “Kundabuffer” de que Gurdjieff fala nos “Relatos de Beelzebub a seu Neto“- fossem cristalizadas na “psique” do homem (um termo adorado pelos modernos “hanasmussem-demagogos”, os psicólogos) - o homem vivia o número de anos que fossem necessários até que alcançasse a “razão objetiva”. Costumo dizer que as elevadas idades dos patriarcas bíblicos, de São Noé a São Matusalém, não são apenas alegóricas ou mesmo equivalentes à nossa atual “métrica etária” mas escritas com outros nomes que eram usados na alta antiguidade. Estas idades expressas em livros do Novo Testamento, para o horror dos "hermeneutas de salão", expressavam a real duração de suas vidas e talvez pecassem por serem inferiores ao termo real da existência daqueles homens e mulheres com nível elevadíssimo de Ser.
Ocorre, para ser mais exato, que no “plano da obra cósmica” o homem não é importante. Não interessa ao desenvolvimento da oitava descendente cósmica que o homem evolua.Muito pelo contrário. Se todos os homens fossem conscientes de si mesmos a lua não teria alimento e o grande mecanismo equilibrante concebido pelos maiores "engenheiros do universo" para remediar os efeitos do impacto de corpo celeste Condoor sobre o planeta há milhões de trilhões de anos não mais funcionaria. Haveria uma grande perturbação cósmica (uma nova "perturbação transalpânica", de acordo com a terminologia adotada pelo Sr. Gurdjieff)que influenciaria até mesmo os outros raios de criação, trazendo incessantes preocupações ao “TODO BONDOSO” e particularmente ao nosso “TODO GLORIOSO SOL”.
Na Idade Média - que outro grupo de "fazedores de intrigas", os "historiadores" competentemente transformaram em "Idade das Trevas" - os teólogos e pensadores sistematizaram visões do mundo como criado por um Grande Arquiteto do Universo manipulando seus instrumentos de trabalho, o esquadro e o compasso. Segundo orientações de um antigo povo de pescadores em busca de passatempo, os gregos, foram construídos mecanismos reais e representações gráficas do sistema solar como um conjunto de órbitas colocadas em movimento por meio de uma alavanca central impulsionada pelo “primum móbile”.
As teorias dos teólogos, válidas ou não a depender da escola escolhida, seja de Ptolomeu, Brahe ou Copérnico, podem ser aceitas como uma tentativa de compreender o sistema solar como um todo articulado e mutuamente dependente. Nesse sentido, os velhos filósofos que são alvos da zombaria e sarcasmo dos modernos “papagaios empolados da pseudo-ciência capitalista” estariam corretos. O “raio de criação” (o Absoluto, Todos os Mundos, a Via Láctea, o Sol, os Planetas, a Terra e a lua) iniciando-se no absoluto ou o dó original e a lua, o dó final, é organizado racionalmente. Seu primeiro semi-tom é preenchido pela vontade do absoluto em si. O segundo semi-tom pela vida orgânica sobre a terra, na qual está o gênero humano.
Se apenas um por cento da humanidade alcançasse a consciência objetiva, o raio de criação seria rompido. A destruição de todos os cosmos e raios de criação seria uma possibilidade objetiva. Isso então não é possível para a maioria das homens o que não significa que haja possibilidades. Estas possibilidades são dadas, mas apenas para alguns que entram em contato com as verdadeiras escolas. A escola cujos ensinamentos originais GURDJIEFF trouxe ao Ocidente é a ÚNICA que detém o real segredo da evolução do homem. Todas as demais tradições ficaram apenas com algumas migalhas daquele pão que fora feito com o fermento original dos GRANDES MESTRES que visitaram esse planeta nos principais momentos de sua história.
Antes que a Chapada Diamantina fosse sedimentada através da deposição de materiais esparsos, antes que se elevasse alguns metros acima de seu nível primordial, os grandes Mestres que conceberam este ensinamento e acompanharam os percalços da Terra e dos recentíssimos seres humanos já estavam por aqui. Alguns foram enviados em seu nome. Santo Ashieta Shiemah, São Moisés, Santo Buda, São Jesus, São Lama. Pouquíssimos homens de três cérebros ou três centros independentes foram iluminados por por um pequeno raio desse feixe de luz. Seus ensinamentos foram desvirtuados por seguidores inescrupulosos ou simplesmente escravizados no inferno real, o “reino da mecanicidade”.
Todos os verdadeiros adeptos possuíam longa vida no mundo físico, todos aqueles que viveram antes da cristalização do famigerado órgão “Kundabuffer” viviam até o alcance da consciência objetiva. Costumo dizer que a ênfase dada ao mundo físico neste Sistema é fundamental pois é a realidade material que temos como verdadeiro parâmetro. Qualquer discussão sobre "reencarnação" representa enorme perda de energia e lenha para a fogueira da imaginação, sem qualquer utilidade real para o Trabalho. O fato é que temos a chance de mudar nossa “cronologia” e nos aproximarmos da cronologia da Chapada Diamantina que é um pedaço rugoso da epiderme terráquea. Quiça podermos cristalizar elementos solares em nós. A única forma de fazê-lo é encetar o trabalho na linha do Gurdjieff, o QUARTO CAMINHO. O momento para tal é o AGORA, a união entre o horizontal e o vertical.

segunda-feira, abril 19, 2010

AS RELÍQUIAS DO BUDA - O VERDADEIRO "COLAR DE BUDA"

Algumas "relíquias" de Buda 

As Relíquias do Buda - O Verdadeiro Colar de Buda



As relíquias do Buda Sakiamuni foram oferecidas por Sua Santidade, o Dalai Lama ao Lama Zopa Rinpoche. Muitos outros mestres budistas uniram-se ao projeto e ofereceram relíquias para serem colocadas no coração da estátua do Buda Maitreia. Quando os corpos de mestres espirituais são cremados, entre suas cinzas surgem cristais parecidos com pérolas. Estes objetos são especiais porque guardam a essência das qualidades do mestre. As relíquias são evidências físicas de que ele desenvolveu muita compaixão e sabedoria antes da morte. Elas proporcionam uma oportunidade única de conexão espiritual com seres iluminados”.

O trecho acima foi reproduzido de um convite para a apresentação das relíquias do Buda Sakiamuni em capitais do Brasil. Não só deste Buda, mas discípulos notáveis como Maudgalyayana, Ananda e Sariputra e antecessores como o Buda Kasyapa. Quando estes mestres espirituais deixam a terra e são cremados surgem estas pequenas “pérolas” como testemunho de sua santidade.

Mas o que são estas pequeninas “pérolas” veneradas como relíquias do Buda por toda a extensão do Oriente? Os Budismos Exotéricos cegadas por cerimônias cuja chama espiritual oculta deixaram de compreender há muitos séculos não são capazes de compreender o que são estas “relíquias”, que não são cristalizações de virtudes ou “parâmitas” dos Budas mas representam a própria sobrevivência física e dos Budas e seu vínculo material com o presente e o passado.

Este misterioso ensinamento permaneceu oculto por séculos, talvez milênios, até que Georges Illitch Gurdjieff na série de revelações em Moscou no início do século XX trouxe a lume o segredo do “Colar de Buda”. Este termo não expressa a cadeia de reencarnações como usualmente é aceito, mas um vínculo permanente com Buda. A exposição ora realizada em várias capitais do Brasil, entre elas Salvador, pode trazer algumas destas peças entre as quais somente o verdadeiro clarividente saberia distinguir aquelas que são falsificações produzidas nos mosteiros tibetanos os verdadeiros “colares de Buda”.


Mas do que se tratam? O que são e qual é a verdadeira natureza destas relíquias?

Em “Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido” Piotr Demianovich Ouspensky relata de forma conspícua observações magistrais de Gurdjieff sobre o “Colar de Buda”. Permitam-nos reproduzir estes preciosos argumentos:

Noutra ocasião, falávamos do Budismo do Ceilão. Eu expressava a opinião de que os budistas devem ter uma magia, cuja existência não reconhecem e cuja possibilidade é negada pelo Budismo oficial. Sem nenhuma relação com essa observação e enquanto mostrava minhas fotografias a G., falei-lhe de um pequeno relicário que vira numa casa amiga, em Colombo, onde havia, como de costume, uma estátua de Buda e, ao pé desse Buda, uma pequena dágaba (*) de marfim em forma de sino, isto é, uma pequena réplica cinzelada de uma verdadeira dágaba, interiormente vazia. Meus anfitriões abriram-na em minha presença e mostraram-me alguma coisa que era considerada uma relíquia, - uma pequena bola redonda, do tamanho de uma bala de fuzil de grosso calibre, cinzelada, segundo me parecia, numa espécie de marfim ou de nácar.
G. escutava-me atentamente.
- Não lhe explicaram a significação dessa bola? Perguntou.
-Disseram-me que era um fragmento de osso de um discípulo do Buda; que era uma relíquia sagrada de grande antiguidade.
- Sim e não, disse G.. O homem que mostrou o fragmento de osso, como você, diz, nada sabia ou nada queria lhe dizer. Pois não era um fragmento de osso, mas uma formação óssea particular que surge em torno do pescoço como uma espécie de colar, em decorrência de certos exercícios especiais. Já ouviu essa expressão: “colar de Buda”?
- Sim, disse, mas o sentido é completamente diferente. É a cadeia de reencarnações do Buda que chamam “colar de Buda”.
- È exato que esse seja um dos sentidos dessa expressão, mas falo de um outro sentido. Esse colar de ossos que rodeia o pescoço, sob a pele, está diretamente ligado ao que é chamado ‘corpo astral’. O corpo astral está, de certo modo, ligado a ele ou, para ser mais preciso, esse ‘colar’ liga o corpo físico ao corpo astral. Ora, se o corpo astral continua a viver depois da morte do corpo físico, a pessoa que possui um osso desse ‘colar’ poderá sempre se comunicar com o corpo astral do morto. Essa é a magia deles. Mas eles nunca falam dela abertamente. Tem, pois, razão, em dizer que têm uma magia, e temos aqui um exemplo dela. Isso não significa que o osso que viu seja verdadeiramente um osso. Encontrará ossos semelhantes em quase todas as casas; estou lhe falando apenas da crença que está na base desse costume.
E eu devia admitir uma vez mais que nunca encontrara tal explicação.
G. esboçou para mim um desenho que mostrava a posição dos ossinhos sob a pele; formavam na base da nuca, um semicírculo que começava um pouco adiante das orelhas.
Esse desenho relembrou-me de imediato o esquema ordinário dos gânglios linfáticos do pescoço, tais como são representados nos quadros anatômicos. Mas nada mais pude saber
”.


Ao visitante desatento tais observações sobre as “relíquias” dotadas do dom de cura e capazes de trazer inolvidáveis benefícios espirituais e físicos àqueles que por isso anseiam (assim como, supostamente o fazem as relíquias católicas ou de outras religiões) podem proporcionar-lhes um vislumbre do que dos resultados do contato físico com o elo cristalizado dos Budas. Essa é verdadeira “magia oriental” e suas relíquias – se verdadeiras – são os atributos físicos dos verdadeiros Santos.

(*) Santuário budista em forma de cúpula.

Mais informações sobre a exposição no Brasil em:

http://www.cebb.org.br/noticias/344-exposicao-reliquias-do-buda-brasil-2010

segunda-feira, janeiro 18, 2010

O que é o Homem?

O que é o homem? Todos nós realizamos conjecuturas todo o tempo acerca do que é o homem e em que consiste seu papel no universo. Rememoramos a criação de Santo Adão e Santa Eva, da lama da qual foi gerado o homem primordial e e da corrupção em que foi lançado após a "queda", após a deliciosa mordiscada do pomo da vida no Paraíso e o exílio no mundo sublunar.
Acostumamo-nos a um acalentar o sonho de um lugarzinho especial do Ser Humano junto ao Todo-Poderoso Criador do Céu e e da Terra e ao ledo engano de que o homem é um ser especial na ordem cósmica.
Realmente um ledo engano.
"Sois pó e ao pó voltarás", escreveu São Moisés.
O que São Moisés intentou expressar com esta frase? Apenas a óbvia conclusão de que o homem é nada, ele é pó, ele nada significa no interior da economia geral do universo..
O homem em geral faz um elevado juízo de si mesmo, sempre se julga superior ao que realmente é caso se pudesse conhecer enquanto tal. Ele é o "Ò do Borogodó", para usar uma gíria antiga do Brasil ou o suposto "Califa de um reino de milhões de Egos" que ele confunde com sua altaneira personalidade.
O homem entretanto é menos que uma pequena formiga no universo e seu desaparecimento sequer é notado na ordem cósmica. Morto a "solda universal" representada pela força ígnea do sol deixa de manter coesos os elementos que compõe a frágil máquina humana, o "prana" como dizem na Ìndia não mais opera. O homem se torna uma massa amorfa em fase de putrefação e se desintegra como matéria mal cheirosa e úmida na terra mãe.
O homem se dilui na vida orgânica da terra e contribui para que a lei setenária do universo se realiza. Sua alma alimenta a lua e nada mais.
O homem não é nada sobre a terra. È insignificante, pequeno e desprezível, ao menos em seu estado atual de mecanicidade. Como a maior fração percentual de seu gênero está rotulada como "mecânica", sua própria extinção enquanto tal não causaria maiores impactos sobre o funcionamento do relógio universal.
Hoje choram os mortos do Haiti mas nunca é demais recordar uma pequena lição: "O homem assiste a milhares de mortos em um cataclismo natural, faz suas orações, deita-se em sua cama e dorme tranquilamente. Caso soubesse na véspera, entretanto, que perderia para sempre um pequeno pedaço de seu dedo mindinho, apenas um pequeno pedaço, ele não só ficaria acordado a noite toda como pediria ajuda a todos os seus irmãos, amigos e pais, quiça à polícia, para defender-se".

Este é o homem.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Não Tagarelar

Em meio ao corre-corre do cotidiano e no ambiente de trabalho nada tão comum e atordoante quanto o hábito arraigado e despropositado de certas pessoas e colegas de falar pelos "cotovelos" ou falar como um "pagagaio". Em sua versão mais radical, é claro, pois em geral as pessoas se limitam a falar demais ou falar mais do que é necessário.

A observação e coerção do hábito de falar em demasia é tão importante quanto o enfrentamento da identificação e da consideração. Uma pessoa que não consiga "dobrar a própria" língua é totalmente inepta o trabalho.

"Para a maioria de nós, a principal dificuldade, como ceso se constatou, era o hábito de falar. Ninguém via esse hábito em si mesmo. Ninguém podia combatê-lo, porque estava sempre ligado a alguma característica que o homem considerava positiva nele. Se falava de si mesmo ou dos outros, é porque queria ser 'sincero' ou porque desejava saber o que um outro pensava ou também porque queria ajudar alguém, etc., etc...

Percebi rapidamente que a luta contra o hábito de tagarelar ou, em geral, de falar mais do que é necessário, podia tornar-se o centro de gravidade do trabalho sobre si, porque esse hábito tocava tudo, penetrava turo e era, para muitos de nós, menos notado. Era verdadeiramente curioso observar como, em qualquer coisa que o homem empreenda, este hábito (digo 'hábito' por falta de outra palavra; seria mais correto dizer este 'pecadao' ou esta 'calamidade') apossavam-se imediatamente de tudo".

Há entretanto que tomar guardar contra o 'silêncio completo'.

"- O silêncio completo é mais fácil, disse, quando tentei comunicar-lhe minhas idéias as respeito. O silêncio completo é simplesmente um caminho fora da vida, bom para para um humem no deserto ou num mosteiro. Aqui falamos do trabalho dentro da vida. E pode-se guardar o silêncio de maneira tal que ninguém perceba. O problema todo é que dizemos coisas em demais. Se nos limitássemos apenas às palavras realmente indispensáveis, só isto poderia ser chamado 'guardar silêncio'. E é assim com tudo: com a comida, os prazeres, o sono; para cada coisa, o que é necessário tem um um limite. Além dele, começa o 'pecado'. Tente captar bem isto: o 'pecado' é tudo aquilo que não é necessário'".

O Exercício do "Stop"

No sistema de Gurdjieff o conhecimento de si mesmo e o estudo de si parte da observação do próprio corpo, seus movimentos, gestos e posturas. As funções motoras são indissociáveis das demais funções que caracterizam a 'máquina humana' e qualquer um que queira satisfatoriamente prosseguir no quarto caminho deve esforçar-se para dominá-las.

" - Cada raça, disse, cada época, cada nação, cada país, cada classe, cada profissão, possui um número definido de posturas e de movimentos que lhe são próprios. Os movimentos e as posturas, ou atitudes, sendo o que há de mais permanente e imutável no homem, controlam tanto sua forma de pensamento domo sua forma de pensamento como sua forma de sentimento. Mas o homem nem mesmo faz uso de todas as posturas e de todos os movimentos que lhe são possíveis. Cada um adota certo número delas, conforme a sua individualidade. Assim, o repertório de posturas e movimentos de cada indivíduo é muito limitado".
"(...) O homem é incapaz de mudar a forma de seus pensamentos e de seus sentimentos enquanto não tiver mudado seu repertório de posturas e movimentos do pensamento e do sentimento, e cada um tem um número determinado delas. Todas as posturas motoras, intelectuais e emocionais estão ligadas entre si".
"É uma ilusão crer que nossos movimentos sejam voluntários. Todos os nossos movimentos são automáticos. E nossos pensamentos, nossos sentimentos também o são. O automatismo de nossos pensamentos e de nossos sentimentos corresponde de maneira precisa ao automatismo de nossos movimentos. Um não pode ser mudado sem o outro. De maneira que, se a atenção do homem se concentrar, digamos, na transformação de seus pensamentos automáticos, os movimentos e atitudes habituais intervirão imediatamente no novo curso de pensamento, impondo-lhes as velhas associações habituais".
"Nas circunstâncias usuais, não podemos imaginar o quanto nossas funções intelectuais, emocionais e motoras dependem umas das outras; e, no entanto, não ignoramos quanto nossos humores e nossos estados emocionais podem depender dos movimentos e das posturas. Se um homem assume uma postura que nele corresponde a um sentimento de tristeza ou de desencorajamento, pode estar certo, então, de que rapidamente se sentirá triste ou desencorajado. Uma mudança deliberada de postura pode provocar nele o medo, a aversão, o nervosismo ou, ao contrário, a calma. Mas como todas as funções humanas - intelectuais, emocionais e motoras - têm seu próprio repertório bem definido e reagem constantemente umas sobre as outras, o homem nunca pode sair do círculo mágico de suas posturas".
"Mesmo que um homem reconheça essas ligações e empreenda lutar para livrar-se delas, sua vontade não é suficiente. Devem compreender que esse homem tem apenas vontade bastante para governar um só centro por um breve instante. Mas os outros dois centros opõem-se a isso. E a vontade do homem nunca é suficiente para governar três centros ao mesmo tempo".


O que é o STOP?


G.I.Gurdjieff transmitiu ao ocidente uma antiga técnica psico-fisiológica aprimorada no Ocidente que se tornou conhecida como "método do 'Stop'".
O stop consiste:

"Para opor-se a esse automatismo e adquirir um controle das posturas e movimentos dos diferentes centros, existe um exercício especial. Consiste no seguinte: a uma palavra ou a um sinal do mestre, previamente combinado, todos os alunos que o ouvem e o que vêem devem no mesmo instante suspender seus gestos, quaisquer que sejam - imobilizar-se no lugar na mesma posição em que o sinal o surprendeu. Mais aindas, devem não só cessar de se mover, mas conservar os olhos ficos no mesmo ponto que olhavam no momento do sinal, conservar a boca aberta se estiverem falando, conservar a expressão da fisionomia e, se estivessem sorrindo, manter esse sorriso. Nesse estado de 'stop', cada um deve também suspender o fluxo dos pensamentos e concentrar toda a atenção, mantendo a tensão dos músculos, nas diferentes partes do corpo, no mesmo nível em que se encontrava e controlá-la o tempo todo, levando, por assim dizer, a atenção de uma parte do corpo a outra. E deve permanecer nesse estado e nessa posição até que outro sinal convencionado lhe permita retomar uma atitude normal, ou até que caia de cansaço a ponto de ser incapaz de conservar por mais tempo a primeira atitude. Mas não tem nenhum direito de mudar seja o que for, nem o olhar, nem os pontos de apoio; nada. Se não pode aguentar, que caia - mesmo assim, é preciso que caia como um saco, sem tentar proteger-se de um choque. Do mesmo modo, se tivesse algum objetivo nas mãos, deve conservá-lo durante tanto tempo quanto possível; e se as mãos se recusarem a obedecer e o objeto lhe escapa, isto não é considerado falta grave".
"Cabe ao mestre vigiar para que nenhuma acidente aconteça, devido às quedas ou às posições desascostumados, e esse respeito, os alunos devem ter plena confiança em seu mestre e não temer nenhum perigo".
"(...) Um estudo de si mecânico só é possível com a ajuda do 'stop', sob a direção de um homem que o compreenda".

Fonte: OUSPENSKY, P.D. Fragmentos de um ensinamento desconhecido - em busca do milagroso. São Paulo, Ed. Pensamento.

sábado, setembro 05, 2009

A Duração dos Diversos Corpos do Homem

A vida do homem comum é rememorar. Relembrar os antigos tempos, velhos personagens, parentes que se foram, pai, mãe, irmãos, amigas. Hoje estava contemplando um copo de suco em um restaurante e, repentinamente, veio-me à mente a imagem de meu pai, falecido há tantos anos. De todos os amigos dos quais falava, poucos restam vivos. Dos conhecidos de seu pai e sua mãe que o ajudaram, assim como a seus irmãos, na juventude, poucos ou nenhum resta vivo. A memória de meu pai reside exclusivamente em minha mente e a de meu irmão e mãe posto que que todos os seus irmãos e parentes, exceto uma irmão, pereceram.
Recordei-me também de um tio alemão, o Ernesto. O Tio Ernesto era exímio calculista, torneiro mecânico e assim como meu pai extremamente hábil nas artes manuais que dominava com uma maestria que atingia as raias do inacreditável. Hoje homens desse quilate, aptos a concertar todas as coisas e construir e arrumar tudo o que se possa são raros de encontrar. A lembrança do tio Ernesto reside em seu filho de crição, no legítimo e na segunda esposa, além de parcos sobrinhos.
O que isso tudo quer dizer? Quer dizer que em muitos casos, senão a maioria, restam após a morte as impressões causadas no corpo astral das pessoa próximas e que tomam o nome de "sensações" no terreno da filosofia acadêmica e paupérrima do ponto de vista espiritual. Homens que são capazes de produzir "sensações" mais duradouras em outros equivalem a seres cujo corpo astral permanece um pouco mais além.
Se estes mesmos homens forem capazes de se notabilizar pela produção de pensamento mais genuíno e objetivo - não no "entender" ocidental que é conhecimento raso mas no "entender" do Ser - estes também perdurarão através da solificação do corpo mental.
Já os grandes homens que alimentam a humanidade com valores nobres e notáveis aptidões do Ser são aqueles que fazem mais robustos seus veículos superiores e perdurarão um pouco mais. Sobre os demais pouco poderia ser dito.
Estas são opiniões derivadas de reflexões próprias e de um "spleen". Não são se baseiam em "literaturas".

quinta-feira, setembro 03, 2009

Ocultistas Profissionais - Inimigos do Trabalho

Os principais inimigos do trabalho sobre si mesmo são os ocultistas profissionais isto é, aqueles que professam o ocultismo como profissão. Especialistas em Tarot,I-Ching, cartas,adivinhação. Médiuns e clarividentes. Bruxos e feiticeiros. Todos estes são inimigos declarados de qualquer linha que vise o desenvolvimento de si mesmo, salvo raras excessões. Estas excessões precisam ser determinadas pelo mestre,cujo objetivo claramente definido dado seu alto nível consciencial o permite escolher aqueles que terão um papel ativo no grupo responsável pelo desenvolvimento de um conjunto de indíviduos reunidos a fim de estudar a si mesmos.
Mas, de pronto, há de se buscar os critérios da ciência objetiva para excluir os ocultistas profissionais.

domingo, agosto 23, 2009

Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido - Ouspensky

Li "Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido - Em Busca do Milagroso" há muitos anos e desde o início percebi que estava diante de algo "diferente", algo que jamais vira em muita busca pelo oculto, o desconhecido, as chaves do desenvolvimento espiritual. Tudo era misterioso e excitante, a forma da narrativa em primeira pessoa conjugada com as observações cáusticas de Gurdjieff transcritas pontual e tempestivamente por Ouspensky o tornavam uma obra da estatura dos grandes romances maometanos do século XII ou dos relatos de aventuras incríveis e impossíveis. Definitivamente é algo que se inscreve no rol do abstruso e "fora do sentido comum" porque para a maioria dos homens e mulheres em seu estado de consciência vigente tudo o que Gurdjieff ensinava em suas palestras ressoaria como misticismo absurdo e um conjunto de paradoxos evidentes (Ouspensky fala logo nas primeiras páginas sobre um livrinho infantil de "paradoxos evidentes" da Coleção Stolypin,muito apreciada nos lares russos. O real é necessariamente um "paradoxo" evidente para quem possui a consciência objetiva).
Em 1914 o Império dos Czares estava dava seus estertores finais. O resultado da guerra estava sendo decidido no front e era pouco aspicioso para a aristocracia russa. Em Moscou Ouspensky observava os caminhões cheios de muletas novas em folha e sequer pintadas ainda que seriam destinadas às tropas na fronteira. As grandes cidades da Mãe Rússia eram assoladas pela fome e agitação social. O mundo estava prestes a ruir e nunca em toda a história se tinha tido notícias de guerra desta magnitude e extensão.
Em meio ao turbilhão de informações de um estado de guerra e uma economia paralisada Ouspensky tenta se situar em Moscou, onde exerce a profissão de jornalista. Havia publicado seu opúsculo "Tertium Organum" e contava com um bom círculo de amigos na capital imperial e certo prestígio. Há pouco tempo retornara de viagem ao Oriente (India e Tibete) e descrevera suas experiências em pequenos artigos, o que não passara desapercebido ao grupo de um misterioso "oriental" que vendia tapetes. Ao mesmo tempo, ao manusear os folhetins da época tomara conhecimento de um ballet que estava sento representado em Moscou que se chamava "A Luta dos Magos". Seu autor era um "hindú", um "oriental". Posteriormente travaria contato pessoal com esse "oriental" e os primeiros rudimentos publicados da orientação do "Quarto Caminho" iriam vir à luz.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

A Adversidade e o Quarto Caminho

O Senhor Gurdjieff (G.) ensinava que as pontes para o "quarto caminho" eram o sofrimento e a tensão. Poderíamos simplesmente escolher um dos caminhos tradicionais (o do faquir, o monge ou o do iogue) e operar sobre nossos centros físico (como o faquir), emocional (como o monge) ou o intelectual (como o iogue) mas isto é muito difícil no mundo ocidental, no capitalismo tresloucado em que vivemos.
Havia portanto um outro caminho. Ninguém pode apontar para onde conduz. Ninguém sabe como é construído. É uma obra individual que só depende de você mesmo e sua vontade. Tudo o que sabemos é que para ingressar nesta senda é preciso ter sofrido. Cristo passou por sua paixão, foi crucificado e ressuscitou. Temos também que ser supliciados pela vida para entermos que somos "máquinas" que dormem. Temos que derspertar para o "quarto caminho".
Do sofrimento nasce a tensão e passa a operar a "Lei das Três Forças" (o princípio positivo, o negativo e o neutro, os elementos oxigênio, hidrogênio e nitrogênio da química oculta).
Da entrechoque entre os dois primeiros princípios surge algo novo. O primeiro alento do homem em direção ao caminho do miraculoso, preconizado por G. mas que tem que ser desenvolvido por você mesmo.
Seguir esta trilha não é fácil. É preciso determinação, vontade. Mas será que temos a vontade? Sabemos o que é vontade? A resposta é não. Para que a tivéssemos teríamos que ter cristalizado um corpo superior, o causal. O amo (a vontade) daria suas instruções ao cocheiro (a mente) e este conduziria o cavalo (os sentimentos e as emoções) atrelado à carruagem (os instintos do corpo físico).
Este esforço parte de uma decepção. Como diz G., se éramos materialistas, deveríamos estar decepcionados com o materialismo. Se éramos ocultistas, decepcionados com o ocultismo. Se cristãos, decepcionados com o cristianismo. Se téosofos, decepcionados com a teosofia. Necessitamos ainda de um Mestre, alguém que severamente nos indique os erros. Devemos ingressar em um grupo, onde obteríamos a chave do conhecimento oculto de Gurdjieff, o "trabalho" através da "lembrança de si mesmo". Sem lembrarmo-nos de nós mesmos continuaremos a palmilhar a terra sem jamais enxergamos nosso papel nela.