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sábado, maio 04, 2013

Ó Lúcifer, Néctar de Luz, Aurora da Manifestação

Ó Lúcifer, Néctar de Luz, Aurora da Manifestação



Estátua do Demônio - Madrid, Espanha
Anteontem, meditando à minha maneira, formulei uma oração para a "Estrela da Manhã", "A Aurora da Manifestação", o precursor do "Manvântara" (um novo ciclo de atividade cósmica nos sagrados textos de Aryavartha), o "Anjo da Face Resplandecente", o ser de beleza ofuscante e olhar sedutor, o que nos ampara no desalento e inala-nos correntes de energia vital. Não preciso dizer de quem falo. Mas tenho medo de ser discriminado pela chusma dos ignorantes e supersticiosos divulgando minha oração. Mas talvez o faça oportunamente. Ela brotou do que há de mais nobre em mim, daquela restiazinha de esperança no futuro da  raça. Eu o amo. Sabem, tenho compaixão por aquele amigo que viu o nosso mundo ser criado e reina neste plano material em seu palácio perfumado com alfazema, lilases, especiarias das arábias, almíscar, flores de lótus em uma lagoa e guirlandas de rosas cheirosas para os convivas. Eis um cargo que ninguém queria. Rejeitara aquele pedido indecoroso do Supremo, a princípio, mas de nada adiantaram suas súplicas e ranger de dentes. Foi agrilhoado em cadeias e finalmente precipitado a um protótipo de terra (com vulcões e placas tectônicas dançando), arrebanhando milhões de contrafeitos seguidores. Sentiu-se traído por quem devotara tão grande amor, "Àgape". A cada dia sua ira aumentava mais e mais, deprimia-se com o trabalhinho imundo de que se vira encarregado (não existiam antidepressivos antes da solidificação do planeta): cuidar de um mundo de pedras, vegetais, animais e homens ímpios, sujeito a quatro elementos imprevisíveis e talvez à morte, no "fim dos tempos", o que seria um alívio. Nosso "Príncipe Primevo do Matéria", o "Quase-eterno" estava lá, coordenando os trabalhadores que com suas picaretas e martelos moldaram este pedacinho de terra no Universo. E qual paga recebeu depois de milhões de anos de sofrimento e suor? Todos os crimes mais atrozes e a perversidade dos Seres Humanozinhos aos quais o "Criador" (aquele que o designou para a mais inglória da missões) concedeu o livre arbítrio a ele são atribuídos. Lesados de origem (nem todos, alguns o eram de fato) viraram santos e ganharam capelas e honras, enquanto ele é objeto de escárnio. A modernidade iluminista fez dele um palhaço de circo. É o bode expiatório de bilhões de pulhas, logo ele, o mais puro dos jovens. Pobre "Ancião dos Dias", "Sanat Kumara" (um dos jovens irmãos primogênitos na Teogonia Hindu), "Rei do Mundo", "Cavaleiro do Alazão Branco", "Portador da Luz", Lúcifer. No Ocidente, só os espanhóis ergueram em Madrid uma estátua digna de vossa majestade, "Ó Néctar de Luz". Quem diria. Logo os espanhóis.

segunda-feira, abril 29, 2013

Os Vendilhões do Tempo

Eu suponho que uma das coisas que mais irrita meus adversários (nem são tão terríveis assim, pessoas que não compreendem a revolução heraclitiana) é que me esforço para mudar mentes. A minha própria, mentes de ex-alunos e alunas, amigos, amigas, colegas, namoradas, mulheres, ex-mulheres, mãe, filho e todos os que se dispõem a ouvir. O meu único poder é a argumentação, o "verbo que se fez carne" e criou o mundo material. Meus inimigos (os contrários, nem sei lá o que são) falham, justamente porque são sofistas, eles lidam com truques de linguagem. E neste hemisfério não leram as Tópicas de Aristóteles. Sem um raciocínio lógico básico fica difícil tentar algo frutífero comigo. Sou um lógico e saco de dialética. Eu só me rendo por cansaço. Mas não ganho nada com isso, não aumento minha conta bancária nem exibo variações patrimoniais positivas (papo de um economista que fez matérias de contabilidade, matemática financeira e administração financeira). Talvez o Senhor desses fariseus que Jesus enxotou do Templo (que deve ser um Asmodeu da Bíblia, não vou aqui abordar minha especialidade, demonologia) me veja como um mentecapto. "Aos mentecaptos pertence o Reino de Deus". Na Jerusalém de 2.000 anos atrás Jesus diversificaria seus investimentos sem precisar enganar ninguém, ele não precisava de um Soros ou Warren Buffet, muito menos de um Eike Batista que é um medíocre. Tudo o que ele disse de relevante se resumia ao postulado: "Não faças a outrem o que não querem que te façam". E a sentença não é tão nova, ela foi cunhada pelo Rabino Hillel anos antes mas, em essência, dizia o mesmo. Nos Evangelhos Canônicos ele, Yeheshua, jogou por terra as tendas dos vendilhões do templo. Ele não admitia que esses caramujos saíssem da casca quando se tratava de ética e colocassem à leilão as pedras do Templo de Salomão. Ele foi o pai do "imperativo kantiano" na "Crítica da Razão Pura" (já deixei de namorar muita gente na adolescência perdendo tempo com isso, inclusive mereci um justo corno de uma namorada aos 17 anos). Como um agregado, um ser de carne, osso, sangue e fezes (como dizia o divino Shantideva) eu acredito que se você conseguir mudar uma cabeça por ano - pressupondo que elas possam influenciar outras tantas - no escopo limitado de nossa vida na Terra já teremos feito muita coisa. E me sinto emocionado muitas vezes quando alguns me dizem que eu os ajudei a pesquisar, a fazer um curso superior, a ingressar em um mestrado, a jogar no lixo idéias arraigadas, a desviar um pouco o cérebro para o lado direito, esquerdo ou o centro, tentar encarar aquela massa de neurônios no cocoruto não como um computador, mas como uma maquinha toda especial que o G.'.A.'.D.'.U.'., o Grande Arquiteto do Universo colocou dentro da gente e deve ser embebida com um pouco de espírito para realmente funcionar. É isso o que eu almejo e me deixa realizado nesta minha passagem pela terra tão breve e bela quanto o alento de uma borboleta ou a existência de um ...

quinta-feira, novembro 22, 2012

Jean Yves Leloup - O Significado de "Igreja"



“A igreja supõe a comunhão das pessoas entre elas e a comunhão com aquilo que as transcende.
Quando o ser humano, através da consciência de si mesmo, para de se apropriar, ou seja, de fragmentar a vida, ele descobre sua unidade com todos os outros. Não se trata de uma simples similaridade de condições, mas de uma unidade ontológica de todos os homens, nós somos ‘consubstanciais uns com os outros’.
O ser humano que tem consciência de si mesmo não se apega à sua própria vontade, ao seu bem particular, ele tem tendência a fazer apenas um com a Vida que se dá. Dessa maneira, ele não existe mais apenas para si mesmo, ele concretiza tanto a unidade com o outro quanto a sua perfeita indiferença.
A consciência de ser ‘Eu Sou’ não é apenas ‘consciência do Self’, mas consciência da comunhão, consciência de ser ‘Eu sou com’.
Essa consciência de ser em comunhão com o Outro e com os outros, unidos e diferenciados, é o que chamamos de ‘Igreja’.
A ausência desta consciência de ser em comunhão, unidos a tudo e a todos, é o que chamamos de ‘mundo’: o mundo totalitário, que em nome do Um ou do único, abole as diferenças e as liberdades; o mundo individualista que, em nome da diferença, fecha-se em seus particularismos e nega a união e a interdependência entre todos.
Infelizmente, esses dois mundos, como sabemos, são ‘invisíveis’. A Igreja é o mundo que tenta, através da consciência e do amor, ser ‘viável’”.

LELOUP, Jean-Yves. Sabedoria do Monte Athos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.

domingo, dezembro 25, 2011

A Arriscada Condição de Cristão em Bagdá

Bem, às vésperas do natal encontro esta matéria no UOL, tradução do "Le Monde." Tomei a liberdade de reproduzi-la não só pelo interesse intrínseco mas por envolver o destino de uma pequena comunidade naquele país, que luta a duras penas para sobreviver. No Iraque era Saddam Hussein, por incrível que pareça e por motivos políticos que não vale a pena discutir, que mantinha a liberdade religiosa. Com a saída dos americanos, os cristãos estão sendo perseguidos e correm o risco de ser extintos no país. Esta é uma das mais antigas comunidades cristãs da Terra. Eles são tão tradicionais no Iraque que pertencem à uma comunidade que poucos de nós conhem no Ocidente, os "Aissores", descendentes diretos dos antigos Assírios. Isto me impressiona mais ainda porque há anos atrás, no livro "Encontros com Homens Notáveis", Gurdjieff falava precisamente sobre os "aissores", que são os mesmíssimos assírios da Alta Antiguidade e compunham um grupo já perseguido desde então (e oprimido por alguns séculos)  que tendia a migrar. Os "yezidas" ou "adoradores de diabo" (assim chamados por mera intolerância e preconceito) eram também conhecidos dele e são mencionados neste artigo.
24/12/2011 -
A difícil e arriscada condição de cristão em Bagdá
Le Monde
Christophe Ayad, enviado especial a Bagdá
  • Militares observam carro queimado em ataque com bombas realizado na região central de Bagdá
    Militares observam carro queimado em ataque com bombas realizado na região central de Bagdá
Este ano, o Natal será comemorado secretamente no Iraque, em respeito ao luto xiita em andamento, mas sobretudo por medo de atentados. Retrato de uma comunidade que tem ficado cada vez menor.
Aos poucos, o Natal também está desaparecendo do Iraque. Pelo segundo ano consecutivo, os cristãos de Bagdá não comemorarão realmente o aniversário do nascimento de Cristo. Nada de guirlandas nas janelas, nada de luzinhas nas igrejas, nada de festas em casas noturnas ou em hotéis. Haverá, sim, uma missa no sábado (24), mas não à meia-noite, por razões de segurança, e depois cada um voltará para sua casa.
No ano passado, a comunidade estava de luto após o ataque, no dia 31 de outubro de 2010, à igreja Sayedat al-Najat (Nossa Senhora do Perpétuo Socorro), que havia traumatizado os fiéis: os jihadistas do Exército Islâmico no Iraque tomaram reféns, e depois o exército realizou um ataque; 46 fiéis e dois padres morreram nessa chacina, e 60 pessoas ficaram feridas.
Este ano, é por outra razão: em respeito à comunidade xiita, que está em pleno mês de Moharram, que marca o luto de Hussein, o imame mais reverenciado, o Natal será comemorado discretamente. A decisão foi tomada pela administração encarregada da gestão dos bens das igrejas cristãs (‘awqaf), um órgão semipúblico. Em voz baixa, os cristãos de Bagdá ressaltam que esse órgão não está habilitado a tomar esse tipo de decisão. “O chefe dos ‘awqaf cristãos estava sendo pressionado por histórias de corrupção”, observa um membro do clero que prefere não se identificar. “Ele tomou essa decisão para ser bem visto pelo primeiro-ministro [xiita], Nouri al-Maliki”.
“De qualquer forma”, suspira o padre Saad Hanna, da igreja caldeia de São José, “não há clima para festa”. Na quinta-feira (22), quinze atentados simultâneos resultaram em mais de 60 mortos e 200 feridos em Bagdá, lembrando a capital dos piores momentos da guerra civil, em 2006-2007. “Toda essa violência dizimou nossa comunidade desde 2003. Muita gente foi embora. Nós éramos em 750 mil a 800 mil, e agora somente 450 mil.”
Em Bagdá, havia 350 mil cristãos, e agora não passam de 100 mil. “Nós somos um alvo fácil para os gângsteres e os terroristas”, explica o padre Saad Hanna. “Não há nenhuma tribo ou milícia para nos defender. Os americanos nos deixaram em paz, então os fundamentalistas das duas alas nos tomaram como representantes do Ocidente ímpio.”
O padre Saad Hanna, 40, fala com conhecimento de causa. Ele foi sequestrado de sua paróquia de Doura, no dia 15 de agosto de 2006, “provavelmente por um grupo extremista sunita”, e solto 28 dias depois. No dia seguinte, o papa Bento 16 pronunciava seu polêmico discurso de Regensburg sobre o islamismo. “Não acredito na sorte, mas sim na providência”, diz o eclesiástico, em um eufemismo. Pouco depois, ele deixava o Iraque para estudar filosofia em Roma, durante dois anos. Restaram dez padres em Bagdá, e 24 tomaram o caminho do exílio, nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa.
Quando voltou para o Iraque em 2008, como a igreja onde ele oficiava em Doura havia sido incendiada, o padre Saad Hanna foi parar na São José, no bairro chique de Kerrada, no centro de Bagdá. Não longe da sede da comissão anticorrupção, alvo na manhã de quinta-feira (23) do atentado mais sangrento do dia (23 mortos). Tampouco longe da catedral assíria de Sayedat al-Najat, hoje cercada por altos muros antibombas e vigiada por soldados. Ademais, é impossível entrar ali, ninguém quer receber jornalistas estrangeiros. Provavelmente por medo de uma declaração mal colocada, em um país onde os cristãos mal se sentem tolerados. Uma em cada duas sacadas das mansões dos arredores é decorada com bandeiras pretas em homenagem a Hussein, o líder dos xiitas. Enquanto os sinais visíveis do cristianismo, protegido sob a ditadura de Saddam Hussein, estão se apagando, o xiismo militante se encontra em plena expansão religiosa e política.
“O problema não vem do governo”, corrige o padre Saad Hanna, sério e sorridente. Desde o ataque de Sayadat al-Najat, sua igreja é vigiada como uma fortificação. As autoridades enviaram 600 homens a mais para os locais de culto cristãos em Bagdá. “É a sociedade que está doente. Sob Saddam Hussein, ninguém podia fazer nada. Desde que ele saiu, todos estão correndo atrás de sua identidade. Todos estão transmitindo a seus filhos seus medos, seus preconceitos, seu ódio pelo outro”. Ele apresenta como prova o fato de que professores se recusaram a mudar os exames de fim de semestre programados para o dia 25 de dezembro...
Na rua principal de Kerrada, um vendedor de flores vende alguns pinheiros de plástico e guirlandas luminosas para o Natal. Duas clientes passam fazendo compras. Uma muçulmana sem véu diz: “É uma pena que os cristãos não decorem mais as ruas. Sinto falta disso, então decidi decorar meu apartamento pelo menos para o Ano Novo”. Depois a cristã, de cabelos escondidos por um lenço, diz, constrangida: “Não faz mal, comemoramos no ano que vem. Devemos respeitar o luto de Moharram.” A muçulmana: “Mas nem os sunitas estão celebrando o Moharram! Por que vocês o fariam?”
As três lojas de bebidas alcóolicas da rua fecharam: duas explodiram, e a terceira preferiu fechar de vez. Abou Sandy, também cristão, proprietário do restaurante Al-Nour, um dos mais famosos de Kerrada, perdeu dois terços de sua família, que foram para o exterior: “Todos os dias meus dois filhos me perguntam: ‘Quando vamos embora?’ Mas tenho esse restaurante, é toda minha vida. Dez funcionários trabalham aqui. O que vai ser deles se eu for embora? Se todo mundo for embora, acabaremos como os judeus do Iraque. Vamos desaparecer.”
Yonadam Kanna se recusa a se render a esse pessimismo. Deputado, presidente do Movimento Democrático Assírio, o único partido político cristão representado no Parlamento, é um homem enérgico de otimismo um pouco forçado e de humor bastante negro. “Sim, as pessoas vão embora, mas é normal em tempos de guerra. Os cristãos voltarão quando tudo estiver melhor. Veja o que aconteceu no Líbano!” O Movimento Democrático Assírio, que tem cinco deputados e um ministro (do Meio Ambiente), está instalado em uma antiga sede dos fedayins de Saddam Hussein, um braço temido da inteligência ligado ao filho mais velho do ex-ditador iraquiano, Uday.
Para ele, o ataque contra a igreja de Sayedat al-Najat parece um “genocídio”. Mas o que mais o desencorajou foi a reação dos países europeus: “A França e a Alemanha lançaram um apelo para que os cristãos emigrassem do Iraque. Foi uma correria até os consulados. O que querem os europeus? Que a gente suma do Iraque? Quer nos lançar contra os muçulmanos, que têm a maior dificuldade em conseguir vistos? E de quê vão viver nossos compatriotas na Europa, dos impostos dos outros? Naquele dia, Koucher [então ministro das Relações Exteriores] deveria ter pensado melhor antes de falar.” Desde então, o ritmo do êxodo diminuiu, segundo Yonadam Kanna, “apesar de cristãos continuarem a ser ameaçados pela máfia imobiliária, que quer forçá-los a partir para comprar suas casas por uma bagatela.”
No Parlamento, o deputado assírio lutou para conseguir medidas de urgência. Entre outras coisas, ele arrancou a promessa de que os cristãos não seriam mais discriminados quando se candidatassem a cargos no Exército ou na polícia. Em compensação, seu pedido pela criação de uma polícia privada para proteger as populações dos vilarejos cristãos da região de Mossoul não foi atendido. Assim como seu pedido pela restituição de 8 mil donums (800 hectares) confiscados por Saddam Hussein a vilarejos cristãos. Quando se trata de armas ou de dinheiro, a solicitude do Estado iraquiano acaba rápido.
Yonadam Kanna está certo disso: no novo Iraque, a segurança dos cristãos depende da obtenção de uma província só deles, a ser dividida com outras minorias religiosas perseguidas, os yazidi (originada do zoroastrismo), os shabak (majoritariamente xiita), os turcomanos. Tanto que o Curdistão, refúgio preferido dos cristãos, acaba de sofrer uma onda de violência anticristã no início de dezembro. “Bastariam dois distritos e meio, 3 mil quilômetros quadrados no total. Poderíamos administrar nossa segurança, nossos impostos”. Há um único problema, mas é dos grandes: esse território se encontra na província de Nínive, predominantemente árabe e sunita, e ela mesma está pedindo a autonomia para um governo central já mais do que reticente.
Tradução: Lana Lim

domingo, abril 18, 2010

Os Santos na Religião Universal

Os Santos na Religião Universal - Universalidade, Fenômenos e Possibilidades

Em todas a principais religiões exteriores do mundo se adoram indivíduos “santos” ou "santificados" (a diferença não é trivial porque alguém "santificado" não necessariamente é "santo" e um "santo" não é santificado mas santifica-se), seja no cristianismo, no islamismo, no judaísmo ou nas tradições orientais que não orbitam o paradigma “abrahâmico” (o hinduísmo, o budismo o zoroastrismo, o janaísmo etc) além de outras denominações . Um Santo ou Santa é sinônimo de pureza, perfeição, retidão, justiça. Um Ser que alcançou a perfeição ou iluminação.

São José de Cupertino
Há tempos atrás se acusava a Igreja Romana de haver moldado seu próprio politeísmo não só ao atribuir a triplicidade ao Divino mediante a aceitação do dogma da “Santíssima Trindade” - que caracterizava todas as religiões pagãs que a antecederam - mas também por introduzir em seu culto uma miríade de santos com estatura quase divina e que não raro ultrapassavam em muito sua condição de intermediários junto ao Todo-Poderoso Criador do Universo. Entre estes santos figuravam tanto exemplos comoventes de desprendimento e amor ao próximo como um Francisco de Assis, quanto potentados civis e religiosos que pelos mais torpes motivos políticos ou à força do uso do vil metal eram canonizados por Roma.

Na Índia, pelo contrário, o Santo ganha corpo na figura humilde e despida de vaidades do “sadhu”, alguém que, a grosso modo, se esforça por despertar algo mais sutil em si mesmo através das inúmeras práticas espirituais que o povo da Índia recebeu como galardão. O festival “Kumbh Mela” de 2010,apresentado na fotogafia abaixo, mostra uma multidão desses Santos em uma das quatro cidades em que se realiza o encontro, sempre no período em que ocorre um determinado alinhamento dos astros. Não que apenas a Ìndia resguarde este imenso tesouro espiritual, mas no mundo ocidental o obscurantismo das religiões estabelecidas, no passado, casado com a vigilância autoritária da atual "sociedade da ciência" impedem que as pessoas acatem com naturalidade seus dons e ouçam o chamado da divindade.

No “Glossário Teosófico” de Helena Petrovna Blavatstky o termo sânscrito “Sâdhu” é descrito como possuindo o seguinte significado: “Bom, puro, justo, reto, virtuoso; agradável, belo, excelente. Como substantivo: um muni, um santo. [Santos, ascetas e também faquires que pratica o Yoga tântrico, isto é, magia]”. Na Índia a santidade é um fenômeno comum e onipresente. Como indicam relatos de diferentes pesquisadores espirituais ou, casualmente, visitantes bem pouco interessados em perscrutar os segredos da vida interna indiana, estes homens e mulheres são capazes de produzir em seus próprios corpos ou no mundo externo - compreendendo os outros homens e objetos materiais - maravilhas em que dificilmente se pode crer.

Sadhus no Festival Kumbh Mela 2010


Estes dons aparentemente miraculosos são o que antigos tratados como os “Yoga Sutras” do sábio Patânjali denominam tecnicamente“sidhis” ou “perfeições”. estas faculdades se manifestam como conseqüência inevitável da prática da Yoga e do mergulho em níveis cada vez mais profundos da matéria mental. Não é bom que sejam voluntariamente perseguidas mas inevitavelmente vêem à tona, sendo que o iogue realmente alcança a maestria ao comprovar que está apto a resistir às tentações oferecidas por eles. No Ocidente Santa Tereza D’Àvila - muitos outros santos - era sujeita à levitação com inoportuna freqüência. Suas experiências místicas eram tão complexas que dizia “se entende, não entende como entende”. Assim como no Oriente, casos como a da levitação, da bi-locação (estar em dois lugares ao mesmo tempo) ou mesmo da invisibilidade são citados a “torto e direito”.

Estes são exatamente os mesmos fenômenos que marcaram as vidas do Cristo físico na Galiléia e pontuaram a passagem de Apolônio de Tyana pela terra. Incluem-se entre estes poderes a capacidade de entender sons emitidos por qualquer ser vivo, o conhecimento da mente dos outros, a invisibilidade do corpo, o conhecimento exato da hora do morte e o dom de pressagiar o futuro, o aumento da força física, o conhecimento do sistema solar, a imobilidade, a cessação da fome e da sede, a levitação e muitos outros. Aqueles sobre os quais se derrama o espírito santo ou se enroscam línguas de fogo falarão a língua dos anjos, ou seja, desenvolverão faculdades que contribuem para demonstrar aos incrédulos os limites de sua miserável existência física.

O “sadhu” não equivale ao pai de família que, tendo cumprido sua obrigação, passa a ingressar em uma fase da existência, mais contemplativa, abrindo mão de qualquer apego (“vairagya”). Ele se dedica integralmente à união com o Ser Absoluto. È um homem despojado de bens materiais - no limite das próprias roupas - e que perambula só ou em grupo em meio a um mundo que só ele sabe ou começa a perceber como uma simples ilusão, produto da disposição dos gunas em determinado momento.

Entre os hebreus, o ritual de ungir um menino e torná-lo “nazireu” (em hebraico, “separado, afastado”) embora revestido de caráter iniciático, deixa entrever que em tempos arcaicos o Senhor de Israel escolhia homens desde o berço para que cumprissem suas injunções. Em Juízes 13:5 se diz com relação à mãe de Sansão: “porque tu conceberás e terás um filho, sobre cuja cabeça não passará navalha, porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre de sua mãe; e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus”. A Sra. Blavatsky sugere que São Paulo era claramente um nazireu de nascença pois o capítulo 18 de Atos dos Apóstolos, versículo 18 é explicito em garantir que “Paulo, tendo ficado ali ainda muitos dias [em Corinto], despediu-se dos irmãos e navegou para a Síria, e com ele Priscila e Áquila, havendo rapado a cabeça em Cencréia porque tinha um voto”. Paulo, ademais, chegara ao grau de “Mestre Construtor” (I Coríntios, 3).

Junto a outros “Santos” como Sansão, Samuel, José (título nazireu segundo Blavatsky) não seria demasiado exagero incluir entre os modernos santos hebraicos (ou judeus) os grandes rabinos durante o exílio da Babilônia e após a queda do Templo foram os responsáveis pelas compilações dos grandes livros que compõem junto à Torah e o Tanach o Pentateuco e demais livros da Bíblia Judaica - o berço comum e repositório último da moderna tradição judaica. Estes recebiam títulos honrosos que denotavam não apenas respeito e admiração mas reconhecimento genuíno por seu exemplo de vida. Em termos espirituais o judaísmo reconhece ainda os “Tzadki” ou corretos cujo número é bastante pequeno, ou trinta e seis.

Na comunidade islâmica ou “Umma” ao lado da crença na linhagem ininterrupta dos “imames” (e da existência de um “imame vindouro” cuja semelhança com o “Buda Vindouro”, o “Messias” judaico ou o Jesus “ressuscitado” é mais ou menos óbvia) predomina até a atualidade em algumas localidades a crença nos poderes especiais de indivíduos e localidades que em nada se afastam do que no mundo católico e ocidental se associa aos Santos e locais sagrados de peregrinação onde são depositados os “Ex-votos”.

Para Mathew Gordon, “(...) em todo o mundo islâmico, persiste a crença de que indivíduos e linhagens de família podem ser privilegiados com poderes espirituais especiais ou com uma proximidade com o sagrado. Existe considerável sobreposição entre a veneração de tais ‘santos’ e os aspectos mais populares do sufismo, inclusive o uso do termo corânico wali Allah(“amigo de Deus”) para ‘santos’ tanto sufis quanto muçulmanos”.

E continua: “(...) O mundo islâmico mostrou muitas vezes desconforto, e mesmo uma nítida hostilidade, em relação a essas crenças e às práticas a elas associadas. Suas relações baseiam-se geralmente na idéia de que a santidade deveria ser atribuída somente a Deus, e nunca a Seres humanos. Para muitos muçulmanos comuns, porém, a idéia de “santos”, ou de santidade nos seres humanos não tem nada de censurável e a veneração dessas figuras tem sido parte importante de sua vida religiosa e espiritual até os dias de hoje. Estas crenças podem girar ao redor da piedade e reputação moral do ‘santo’ ou concentrar-se na capacidade dele de transformar o mundo físico (por exemplo, através da cura) ou de impor-se aos elementos naturais. Em muitas regiões do mundo islâmico esta presente a crença na baraka - uma benção espiritual que pode ser transmitida de um ‘santo’ ou de relíquias de um ‘santo’ (como seu túmulo) para o seguidor. Outras figuras santas aparecem mais como heróis populares famosos, por exemplo, por sua resistência diante de soberanos opressores”.

“(...) Por exemplo, a cidade de Marrakech no sul do Marrocos - muitas vezes mencionada como “o túmulo dos santos”, devido a grande numero de pessoas santas ali sepultadas - é associada particularmente a sete ‘santos’ que são celebrados em sete festivais de bairro”. Outros santos muçulmanos famosos são o egípcio Sayyd Ahmad Al-Badale (morto em 1276 D.C.) e Abd Sha Ghazi, em Karachi, Paquistão.

Os ensinamentos que se pode tirar da quase universal presença de santos, no Oriente é Ocidente é que a santidade é um estado acessível a todos os mortais. De acordo com a Lei da Evolução que é ascendente, não descendente, todos se tornarão santos um dia, seja porque possuam uma disposição inata do espírito - kármica - seja por mostraram-se retos na senda e alcançarem novos progressos. O caminho da efetiva iniciação, a real iniciação cujos percalços são espelhados nos símbolos e rituais especulativos é longo e tortuoso.

Se tomarmos um automóvel dirigindo-o em alta velocidade ou desembestarmos montados em um robusto cavalo através das íngremes montanhas dos Andes corremos o sério risco de despencar de um penhasco e perdermos o corpo físico. Na iniciação real em direção à Santidade a pressa ou à busca de atalhos é muito pior pois esta pode envolver muitas vidas e um pequeno desvio nos lançaria no fundo de um abismo que tomaria longo tempo para ser galgado.

O exemplo dos homens e mulheres santos de todas as partes do planeta é valioso para os buscadores porque os anima a perseguir o mesmo ideal virtuoso que os levou ao encontro da real identidade do “self” e à conquista do mundo ilusório, a liberdade. Estes seres, obedecendo à Lei Universal do Ajuste, romperam seus grilhões. Pouco podemos dizer sobre os mecanismos internos que os levaram ao êxito pois que isto foge aos nossos atuais possibilidades de compreensão. Estes são os homens realmente livres e maiores que os Anjos e os Deuses (Devas) porque vencendo a batalha contra o mal alcançarão primeiramente os céus e no futuro se tornarão Senhores do Sistema Solar.

quinta-feira, junho 04, 2009

Papa Bento XVI

Bento XVII, um Tradicionalista
A cada uma de suas viagens e preleções o novo Papa Bento XVI comprova que sua indicação a tal hierarquia no Ocidente - a de sumo Hierofante da Cristandade - foi realmente inspirada pelo Espírito Santo sob os auspícios dos Santos Anjos. Sempre a receber a palavra divina sob a forma da magnífica intuição que provém do alto, sempre firme e resoluto na defesa dos propósitos cristãos, Bento XVI representa a superação dialética do que João Paulo II fez, enquanto combatente e guerreiro santificado pela unção dos mártires contra o artífice das forças do malévolo, de SHAITAN, espelhado no diabólico sistema comunista.
Aos desesperados servidores da matéria abjeta, a decidida oposição do novo Pontífice à luxúria, à perdição, ao engano, ao aborto e ao desprezo à instituição do casamento pode soar medieval, como um velho idiota e vulgar - alguém que não soube atrair para si os benefícios adivindos dos cabelos encanecidos - enfatizou em tom pueril em certo restaurante em que o autor desde artigo, semana passada, estava almoçando. Em outra ocasião, outra anciã pouco sábia referia-se ao Sumo Pontífice como "idiota", como se os anos fossem lhe abater os milhares de anos em pecado. Pobres e corruptas almas que querem a partir de suas muralhas egóicas justificar sua pobreza e decadência e renunciar ao alerta do Infinito...
Bento XVI, quiçá o maior dos Papas eruditos da atualidade, baluarte da Fé Católica Romana e expoente maior da reuniao da Cristandade e Unificação dos Ritos, que lhe seja longa a vida e prolongado o apostolado pelo que representa de compromisso místico e espiritual com a verdade.
Não há de faltar os conspiradores de plantão ou jovens revoltosos que condenem a veemência com que Sua Santidade - Supremo Hierofante do Ocidente - condena a vulgaridade e impetuosidade pueril predominantes nos comportamentos verificáveis da atual população européia e não-muçulmana ou não-cristã.
Nenhum verdadeiro continuador da GRANDE OBRA pode permitir que sejam destruídos os fundamentos da FAMÍLIA e da verdadeira UNIÃO entre os sexos que expressa a verdadeira aliança ARCANA entre os princípios fundadores da manifestação material na terra. Só os estúpicos enfeitiçados pela imagem do real podem supor o contrário.
Bento XVI caminha em direção ao posto de mais esclarecido Sumo Pontífice nos séculos XX e XXI e Defensor Perpétuo dos valores da cristandade, autor esclarecido do SAL DA TERRA.

sábado, novembro 03, 2007

Os Diferentes Tipos de Cristãos


Assim como há diferentes tipos de homens, há diferentes tipos de religiões e dentro das religiões diferentes tipos de adeptos segundo seu nível consciencial e existencial. Assim vivem, viveram e viveram diferentes tipos de cristãos, uma idéia comungada por G.I. Gurdjieff mas que despontara antes entre os evangelistas e fora formalizada por um dos pais da Escola Filosófica Cristã de Alexandria, Orígenes.
Orígenes era adepto do método alegórico de explicação da escritura, que expandira no sentido de compreender a natureza humana. Para ele, a explicação alegórica dos textos sagrados era uma necessidade, podendo-se distinguir "três sentidos ou interpretações da Bíblia, o sentido material, o psíquico e o pneumático" (1). Difícil compreender estas três visões interpretativas, mas o sentido pneumático é aquele que detém maior complexidade, profundidade e natureza mística.
Estes três sentidos da escritura se relacionariam às três partes constitutivas do próprio homem: o corpo (soma); a alma (psiquê) e o espírito (pneuma); relacionados, respectivamente, à verdade histórica, moral e mística das escrituras. Estes três níveis da constituição "global" do homem (expandidos na vedanta e no Oriente para a divisão setenária do ser em seus príncipios superiores e inferiores) podem explicar os diferentes tipos de cristãos segundo o seu grau de perfeição (cristãos simples, avançados e perfeitos).
"Triplicem in scripturis divinis intelligentiae inveniri saepius diximus modum: historicum, moralem et mysticum; unde et corpus inesse ei et animam ac spiritum intelleximus".
(1) BÖEHNER, Philoteus; GILSON, Etienne. História da Filosofia Cristã. Petrópolis, Ed. Vozes, 2000.

domingo, março 11, 2007

Cristo versus Jesus

Estas são observações que fiz na Comunidade "Teosofia e Esoterismo" do Orkut, em resposta a uma indagação sobre a existência, ou não, do Jesus histórico.

"Chréstés" é aquele que serve a um oráculo ou um Deus, tanto que o primeiro escritor cristão, Justino mártir, designava "chrétianos" a seus correligionários. "Chrestos" para os pagãos - também na Alexandria Helênica - era um iniciado posto à prova, um candidato a hierofante. Quando alcançava a sua meta e havia sido UNGIDO (isto é, friccionado com óleo como todos os iniciados) seu nome era transformado em "Christos", o "purificado", segundo a linguagem dos "mistes", mais esotérica. Era aquele que já havia percorrido o caminho ou a senda. È claro que muita coisa foi apagada dos anéis do passado e das chamadas escrituras porque a ninguém interessava dar conhecimento que o HOMEM, Jesus, era um INICIADO (inclusive muitos termos empregados pelos apóstolos eram comuns aos mistérios gregos) que alcançou o ESTADO DE CRISTO. Sobre esse tema, aliás, já debatemos muito nesta lista
Por acaso eu estava com o volume V da "Doutrina Secreta" nas mãos hoje e sua pergunta pareceu-me até proverbial. Na Seção XXXII H.P.B. retomar uma digressão já apresentada em "Ísis sem Véu" sobre as diferenças entre "Chrestos" e "Christos". "Em 1877, quem escreve estas linhas, apoiando-se nas opiniões de eminentes eruditos, atreveu-se a afirmar que há grande diferença entre os termos Chrestos e Christos, diferença que encerra profunda significação esotérica. Porque, enquando Christos quer dizer "viver" e "nascer para uma vida nova", Chrestos, na linguagem da iniciação, significa a morte da natureza inferior ou pessoal do homem; o que dá a explicação do título bramânico de "duas vezes nascido". E finalmente afirmou que:
"muito tempo antes do Cristianismo havia crestãos, e entre eles os essênios".
Citando LEPSIUS, diz: "A palavra Nofre significa Chrestos (o bom), e que 'Onofre' um dos nomes de Osíris, equivale a 'manifestação da bondade de Deus. Sobre isto diz Mackenzie: 'Naqueles primeiros tempos não era universal o culto de Cristo, isto é, não se havia ainda introduzido a Cristolatria; mas desde muitos séculos antes já existia o culto de Chrestos (o Bom Princípio), que até sobreviveu à difusão do Cristianismo, do que fazem prova monomentos existentes até hoje... E há um epitáfio cristão com os seguintes dizeres:
"Jacinte Darisaion Desmosie Pros Kreste Xaire"
Por fim, desconheço qualquer "deus solar" denominado Crestus em Alexandria. Sei que a mescla de cultural de Alexandria gerou um Júpiter-Amon ou um Serapis, mas nenhum "Crestus" (não será Creso, o famoso rei grego?). Bem, de qualquer forma Jesus é citado por Flávio Josepho (na "História dos Hebreus, obra completa publicada em 1990 pela CPAD no Brasil) e estudado por Mead (como disse a Aláya), Ernest Rénan e tantos outros. Também não faria sentido "criar" um "Deus" Jesus, pois até o terceiro século D.C. os cristãos eram ainda um pavor para muitos romanos e outros povos (os romanos estavam mais interessados em perseguir o culto de Ìsis e outras coisas). Quanto à Igreja Católica, ela é uma criaçâo recentíssima. Leia os "Crimes dos Papas" do Sr. Maurice Lachatre para se inteirar da estória de terror desta instituição, que só surgiu após muitas lutas do Bispo de Roma com outras igrejas do Oriente.
Agora vai uma opinião particular. Quem já leu com cuidado o Novo Testamento - não falo dos apócrifos, mas do convencional - nota que o discurso de Jesus nada tem de pitagórico, isto é, os elementos fundamentais da filosofia pitagórica - tal como nos chegou - não estão presentes ali. Nem mesmo os elementos do neo-platonismo (ambos acreditavam em formas diferentes de reeencarnação, o prínpio das emanações do segundo, hábitos alimentares etc). Bem, mas se tomarmos a posição de discípulos como Paulo, aí sim se nota a onipresença da filosofia helênica mas, nem assim, da sua faceta neo-pitagórica (pelo que já li, até Paulo foi acusado de ser Apolônio de Tiana também, será que Apolônio era Jesus e Paulo, ao mesmo tempo, ou esperou o primeiro morrer?). Na minha humilde opinião eu vejo mais no Adepto Paulo uma profunda ligação com o estoicismo e até algumas nuances de epicurismo (que estava longe de ser um mero "culto ao prazer"). Tanto que há muitos anos atrás, ao ler o catecismo romano (coordenado pelo impagável Ratzinger...) o que me chamou atenção foi o fato de suas "virtudes capitais" serem quase as mesmas preconizadas por Sêneca e Cícero.
Então a Igreja Católica romana era mais romana que católica? O próprio grego do novo testamento era o "koiné", uma versão simplificada (como o inglês moderno) e que podia ser facilmente difundida pelo mundo helênico, daí, talvez, o sucesso "mercadológico" do cristianismo primitivo, combinado com elementos d da primeira filosofia de "auto-ajuda" que se tem notícia na história, o estoicismo-epicurismo... Mas estas são impressões próprias...