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quarta-feira, maio 29, 2013

Felicidade e Qualidade de Vida III - A Dinâmica da Infelicidade

A Dinâmica da Infelicidade 

Creomar Baptista

A infelicidade é o oposto da felicidade. Ela é uma constante ao longo da caminhada evolutiva do homem e obedece a princípios e leis detalhados por muitos mestres, filósofos e pensadores ao longo do tempo. De algumas de minhas próprias leituras – que abarcam um espectro de ensinamentos do Oriente e Ocidente – gostaria de traçar um breve esquema do que chamarei, por falta de melhor termo, “dinâmica da infelicidade”.
Jean Paul Sartre. Medíocre, entendiante e infeliz "ab ovo"
Nascemos em uma família inserida em dada sociedade, sujeitos a leis hereditárias que conformam nosso biótipo físico e mesmo parte do nosso psiquismo. Estes três fatores (ambiente familiar, sociedade, hereditariedade) são os principais condicionantes de uma determinada “visão de mundo” ou o que os budistas denominariam “delusões” ou um vislumbre parcial dos fenômenos manifestos. A principal característica desta “visão de mundo” reside na dificuldade em distinguir o real do ilusório e, em termos práticos, atribuir maior valor aquilo que é realmente importante e que contribui para a consecução de objetivos importantes (15 ).  Melhor dizendo, precisamos evitar uma triste cilada em que cai a maior parte da Humanidade, bem formulada pelo filósofo Greco-armênio Georges Ivanovitch Gurdjieff ou , “o homem é uma máquina. Tudo o que faz, todas as suas ações, todas suas palavras seus pensamentos, seus sentimentos, suas convicções, suas opiniões, seus hábitos, são os resultados das influências exteriores, das impressões exteriores. Por si mesmo, um homem não pode produzir um único pensamento, uma só ação. Tudo o que diz, faz, pensa, sente, tudo isso acontece. O homem não pode descobrir nada, não pode inventar nada. Tudo isso acontece”

Essa atribuição distorcida de pesos a determinadas escolhas (pois a vida envolve escolhas a todo instante) opera por meio de mecanismos psíquicos e neurobiológicos de atração e repulsão. Algumas coisas nos agradam, outras nos causam repulsa e isto (fora os casos de defesa instintiva) corresponde a opções em geral equivocadas, derivadas de nossa visão parcial de mundo que, naturalmente falsa, leva-nos à busca incessante (e amiúde decepcionante) da satisfação dos prazeres mais imediatos.
O resultado das más escolhas e da eleição de pequenos e desprezíveis deleites como um fim em si mesmo, faz com que o homem realize ações inadequadas que interferem em seu bem-estar físico (como alcoolismo, debilitação por uso de drogas, esgotamento muscular ou fadiga por excesso de exercícios com o fito de tornar-se belo etc); no seu sentido moral (vergonha, remorsos, arrependimento) e nas suas relações com os outros seres humanos, fazendo com que padeça de inúmeros sofrimentos
Essas dores ou modalidades de sofrimento são de três tipos: a) o sofrimento em si (físico ou psicológico); b) o sofrimento pela mudança (a sensação de permanente insatisfação); c) o sofrimento como “melancolia” (o mal do século, a dor e o sofrimento como algo de fundo estrutural que aflige toda a humanidade e produz o terrível flagelo social da modernidade, o suicídio).
O reconhecimento deste sofrimento e de seus condicionantes é o primeiro passo para que se adote a conquista da felicidade como um compromisso vigoroso. Sua felicidade individual é pré-requisito para a construção de um mundo efetivamente promissor para nós e nossos descendentes sendo, por excelência, uma bandeira revolucionária. 

À Guisa de Conclusão


   Jorge Amado com Sartre e a  chatona piriguete Simone de Beauvoir.


Não há uma receita para a felicidade. Toda a argumentação precedente limitou- se a um esboço do tema, fazendo largo uso de recursos como a livre associação de idéias e convicções pessoais, articuladas a opiniões de alguns filósofos, pensadores e religiosos através dos tempos. Não foi nosso intuito produzir um artigo acadêmico que exaurisse o assunto, traçando paralelos entre autores ou submetendo palavras a criterioso exame filológico. Tudo isto seria “gastar o latim” sem atingir o cerne de nossa preocupação que foi transmitir a um pequeno público certas recomendações para uma vida de autorrealização.

Como tudo na vida tem o seu tempo, supomos ter cumprido este modesto objetivo neste dado momento. Quiçá futuramente possamos contar com um arcabouço intelectual mais sólido, uma “Ciência da Felicidade”. Como o homem iluminista e materialista fez do conhecimento científico seu “Deus ex-Machina”, nada nos resta além da doce ilusão de que a sociedade humana possa resolver o maior problema de nossa raça , o que acalenta certos ânimos e os leva a fazer MERDAS como revoluções idiotas. Pelo contrário, sustentamos, não obstante, que a felicidade é uma disposição interior do ser humano e, ao menos que haja uma profunda modificação de nossas mentes, nenhuma solução se mostra plausível, sem o cumprimento dessa premissa fundamental.

Modificação que no Novo Testamento é chamada de “metanoia”, erroneamente traduzida como “arrependimento”.

Bibliografia 


AUROBINDO, SRI. A Sabedoria de Sri Aurobindo – seleção de seus escritos. São Paulo: Ed. Shakti 1999,
AZEVEDO, Mateus soares de. Iniciação ao islã e sufismo.Rio de Janeiro: Record, 1996.
FROM, Erich. The art of living. New York, HarperCollins, 2006.
GORDON, Mathew. Conhecendo o islamismo.Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.
LAURIOLA, Rosana. De eudaimonia à felicidade. Visão geral do conceito de felicidade na antiga cultura grega, com alguns vislumbres dos tempos modernos. Revista Espaço Acadêmica no 59, abril de 2006.
OUSPENSKY, P.D. Fragmentos de um ensinamento desconhecido. Em busca do milagroso. São Paulo: Ed. Pensamento, 2002.
RUSSEL, Bertrand. A conquista de felicidade. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.
SENECA, Lucius Anneus. Da vida feliz. São Paulo, Martins Fontes, 2001.
YOGANANDA, Paramhansa. A sabedoria de Yogananda. A essência da autorrealização. São Paulo:  Ed. Pensamento, 2012.  

Um comentário:

Sara disse...

Espero que em algum momento têm a capacidade de escrever coisas como você está, sempre bom ler isso quando você estiver viajando a sorte de encontrar um Apartamentos em buenos aires