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sábado, dezembro 10, 2011

A "Revolução Sexual" e "A Nova Ordem Pornográfica Mundial"


“Crescei-vos e multiplicai-vos”. Quando o pretenso Criador formulou esta curta admoestação diante do assustadiço casal primordial recém expelido do Jardim do Éden, nem mesmo ele, talvez, esperasse que em pouquíssimo tempo os descendentes de Adão e Eva – residindo, agora, nas majestosas cidades de Sodoma e Gomorra - viessem a assediar os próprios Anjos enviados do Alto em auxílio à Abraão e Sara. A concupiscência nefanda destes varões naqueles pecaminosos ajuntamentos de gente (as primeiras “grandes cidades”, com seu rol de perversões, raras entre tribos nômades) propiciaram o surgimento do termo “sodomia”, designando todo um conjunto de práticas dissociadas do fim último do ato sexual tal concebido no “Gênesis”.
Do longínquo primeiro mandamento de D`us (não nos esqueçamos, o segundo deles é referente a ganhar o pão com o próprio suor do rosto) até os dias atuais passaram-se alguns milhares de anos cuja duração exata cientistas e religiosos de todas as matizes buscam de forma bizantina estimar. Foram séculos e mais séculos de recreação sexual em que a humanidade certamente soube diversificar e burlar, ocasionalmente, a sóbria ponderação divina apimentando-a com um pouco de "cultura local". Babilônios e egípcios já usavam preservativos, israelistas (sim, israelistas como o lendário Rei David) se divertiam ao cantar e perseguir uma espécie de amor cortês – assassinando em batalhas, às vezes, o esposo do amada – enquanto os gregos e romanos simplesmente escrachavam suas preferências sexuais promovendo todo um cardápio de opções para a satisfação do freguês (em que pesem certos estudos que relativizem o homossexualismo dos primeiros, considerado "não totalmente invasivo").
Na Idade Média, não são poucos os relatos de orgias, que durante o renascimento eram praticadas à luz do dia em agradáveis simpósios regados a vinho, boa comida e a extravagante música polifônica (hoje "música pornofônica", como o Axé Music baiano, por exemplo) que entretiam os jovens de boas famílias. O “Satyricon” e o “Deccameron” são boa literatura informativa sobre as traquinagens dos romanos e seus pósteros italianos. Mas, enfim, no século XVIII o capitalismo moderno se firma, descambando para o falso moralismo vitoriano do Século XIX que humilhou e encerrou Oscar Wilde na Torre de Londres. Com uma certa libertinagem insinuando-se nas altas rodas européias e americanas, no auge da Grande Depressão dos anos XX, a opção pelo sexo “não obediente ao mandamento primordial” tornou-se uma vocação dos “intelectuais” (marxistas principalmente, como não podia deixar de ser), celebrada na vida de casais mundialmente celebrados e imitados como Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir.
Mas nada que neste pobre e inexoravelmente sofrido planeta Terra pudesse outrora merecer o epíteto de "luxúria" poderia se comparar com a explosão individualista do sexo lúdico e irresponsável, cujo caminho fora meticulosamente preparado pela "entourage" de propagandistas filomarxistas (a maior praga que acossa a modernidade). Seu objetivo estratégico, como de praxe, não era outro, senão minar os próprios fundamentos da sociedade. Mas como operava mais esta maldosa artimanha dos sórdidos agentes da desintegração social?

Com a introdução dos escritos patrocinados por uma espécie de “New Left” americana turbinada pela “sexual intelligentzia” catapultada da Europa Ocidental (como um Reich) se teve o combustível para alimentar a mais ampla mudança nos padrões de conduta na cama (ou em qualquer outro lugar) jamais vista na humanidade, uma verdadeira “revolução sexual”. Todas as formas de conjunção carnal ou intelectual, admissíveis ou reconhecíveis por nossa condição humana passaram a ser lugar comum, primeiramente nos EUA, depois por todo o mundo e, até mesmo, na América do Sul, Àsia e Oriente Médio.
Como todo movimento externo à sociedade, influenciado prioritariamente por pequenos grupos do sub-establishment acadêmico, a “Revolução Sexual” perdeu impulso e ímpeto sedutor. A proliferação da AIDS nos anos 80 - ao atingir artistas e personalidades públicas - arrefeceu a “criatividade” dos propositores da “ultrapassagem de quaisquer limites”. Nos anos 90, a aversão e temor ao contágio com desta doença foram, aos poucos, substituídos por maiores preocupações e cuidados com as relações sexuais e escolha "criteriosa" de "parceiros" (um termo nojento e vil cunhado pela patota do mal absoluto que avulta e desrespeita o Ser Humano) o que, no entanto, não eliminou a demoníaca lubricidade inflada por alguns teóricos na década anterior. E, nos anos 2000, enfim, gestou-se a cultura do sexo asséptico e virtual, a eclosão de todas as taras nas salas de internet, nas páginas X eróticas, nos programas de mensagens instantâneas, nos milhões de arquivos digitais de fotografias e filmes que impregnam a inesgotável fonte de cultura que na Rede Mundial de Computadores somando bilhões de  kilotons de bytes (um poder de fogo com destrutividade emocional e mental maior que todos os arsenais atômicos acumulados por todo o planeta).
Mas qual é o problema disso tudo? Alguém já se deu ao trabalho ou já se reservou alguns momentos para pensar com seriedade sobre os efeitos dessa incursão (ou excursão) pansexual sobre as sociedades? Alguém poderia contra argumentar, não sem razão, que ao ser maximizado, levado ao extremo do aberrante, o animalesco impulso humano à satisfação sexual seria finalmente domado, aniquilado. A banalização da experimentação sexual poderia fomentar as condições ideais para a rarefação e extinção das bases do desejo. Esta é uma ideia chocante, mas pode ser comparada ao que ocorreu em alguns países nos anos 80 e 90, quando a passagem à hiperinflação (a elevação generalizada e permanente do nível de preços, levado a extremos incalculáveis) suprimiu a memória inflacionária das pessoas e contribuiu para a extinção do fenômeno inflacionário.
Em termos esotéricos, a mesma coisa corresponderia às teses do ocultista e artista plástico inglês,  Austin Osman Spare em sua “Magia do Chaos”, a noção do alcance do êxtase e da libertação final não pela elevação aos níveis superiores do espírito mas através da submersão decidida e rápida aos níveis mais baixos da materialidade mediante práticas adequadas de magia sexual .
Mas este não é o caso. Existe uma certa dose de verdade nos argumentos alinhavados no parágrafo anterior, mas há aspectos mais graves. O que tem ocorrido, na prática, é que todas as consequências lógicas do desenfreado despudor e da banalização da sexualidade conduziram a situações que urge enfrentar:

a) Em primeiro lugar, a exacerbação da individualidade e gradativo enfraquecimento dos valores que diferenciam o ser humano do animal. Se formos a um zoológico perceberemos, de cara, que um dos únicos parentes biológicos próximos do homem, o Chimpanzé (assim como o Bonobo), comporta-se de maneira análoga ao seu primo, ao menos do ponto de vista do seu "hábito solitário". Não obstante, o homem conta com um cérebro físico superior e capacidade de receber influxos de níveis mais altos de consciência (o que alguns chamam de "intuitivo" ou algo que jorra do seu elo de ligação com o Absoluto, a divindade), o que o faz, mais que o chimpanzé, capaz de estabelecer para si mesmo objetivos nobres e altruístas na vida, impondo limites às paixões e aos vícios, incluida a incontinência sexual.

b) a proliferação de uma série de práticas moralmente condenáveis, especialmente aquelas que violam a santidade da infância e a integridade física das mulheres (e mesmo dos homens). Esta é uma consequência imediata e facilmente dedutível do trinômio individualismo-amoralismo-libertinagem propugnado pelos defensores da “liberdade sexual”.

c) progressiva extinção da família tradicional, cuja importância é óbvia e insofismável. Com a abolição da família tal como a conhecemos, é anulado automaticamente o legado ético e moral da humanidade e uma de suas realidades mais detestáveis é a instalação de uma sociedade em que os filhos são "importados" do exterior (já comum na Europa), ou seja, a pseudo-liberação da mulher (que não quer engordar ou exibir possíveis mazelas estéticas da gravidez), levando-a às práticas "bonitinhas" e "politicamente corretas" da adoção mercadológica.

d) o incentivo em escala planetária e em níveis incalculavelmente altos à prostituição, inclusive em suas modernas formas “virtuais” como se vislumbra nos EUA e Europa, onde toneladas de pornografia eletrônica envolvendo milhões de pessoas é depositada na World Wide Web. Este mal tem se enraizado em uma vasta rede de facilitação à prostituição da mulher e da jovem, transmudado em objeto por excelência da indústria pornográfica digital do primeiro mundo, alimentada, basicamente, por insumos fornecidos pelos países do assim chamado "Terceiro Mundo".

Para todos aqueles realmente preocupados com os destinos do mundo (não aqueles que se incluem entre os bajuladores dos que mantêm a nova Ordem Mundial, as ONU's e UNESCO's da vida) cabe um conselho: vigiar e orar. E a lista das consequências - que tracei em suas linhas gerais – suplico-lhes que a ampliem.

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