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domingo, março 11, 2007

Mais algumas Opiniões sobre Umbanda

Estes comentários também foram respostas a perguntas na Comunidade "Teosofia e Esoterismo".

Este é um assunto bem delicado no Brasil, até porque envolve uma dívida histórica para com o povo negro e mestiço, que só nos dia de hoje consegue soerguer sua religião. Vou falar um pouco do camdomblé, pois moro há bastante tempo na Bahia e desconheço a Umbanda, a qual desconfio ser uma mescla de espiritirismo, candomblé e ultimamente pitadas "teosóficas".

Em primeiro lugar já coloco a discussão tão batida sobre exoterismo e esoterismo. Os antigos gregos sacrificavam seres humanos nos primórdios de sua religião e toda a mitologia grega é um tributo à superação destas práticas e o engradencimento do homem, sua forma e suas virtudes. Mas a religião grega "externa" manteve durante toda sua existência a prática do sacrifício de touros - comidos como um "churrasco" entre os presentes - e outros animais aos Deuses de cima e de Baixo. Os "deuses de baixo" ou "ctonianos", entre eles, Hermes, recebiam as melhores partes das carnes, curiosamente. Aqui cabe uma observação: o Hermes helenênico, o mensageiro dos deuses, cumpria o mesmo papel do Exu afro-brasileiro, sendo, inclusive, adorado nas encruzilhadas sob a forma de pedras fálicas como atestam inúmeros autores.

Entre os romanos, sua religião, diretamente derivada da matriz ariana - os romanos eram arianos - admitia inúmeros tipos de sacrifícios. Herdaram dos etruscos a adivinhação através dos "arúspcices" que arrancavam as entranhas dos animais e, não raras vezes - em ocasiões de grande necessídade cívica - seres humanos (escravos e outros).
Entretanto, os sacrifícios eram detestados pelos romanos mais ilustrados, como os grandes filósofos e pensadores, os Sênecas e Marco Aurélios. Historiadoresm relatam a repulsa que causava aos conquistadores romanos o rio de sangue no templo de Salomão em Jerusalém e como os sacrifícios dos mistérios egípcios enchiam de nojo os patrícios da cidade imperial, ao ponto de serem proibidos.

Porém, tanto os romanos quanto os gregos possuíam os seus mistérios, os seus ritos esotéricos, que não empregavam sacrifícios e eram restritos aos iniciados. Nestes a morte em honra do Deus era substituída pela passagem simbólica. A própria missa católico-romana e certos ritos protestantes substituíram a "carne de cristo sacrificado" pelo "pão e o vinho" e não são poucas as seitas e religiões cujos ritos exotéricos culminam em uma representação do sacrifício do Deus.
Seria até entediante falar do sacríficio do Deus Osíris - esquartejado por Hórus; do sacrifício de Jesus, da mitológica versão da morte de Moisés e de tantos outros sacrificados célebres". Quem já leu a Ilíada conhece a sorte dos troianos sacrificados em honra a Pátroclo e a tragédia pré-helênica (isto é, antes do advento da grande civilização grega) presente no mito de Agâmenon (ele mesmo morto anos depois da guerra de Tróia pela mulher e seu amante).

O colega mais acima falou do candomblé, que é uma religião muito complexa, com ritos iniciáticos e uma hierarquia definida e rígida. Seu grande mérito é, inclusive, ter conservado a linguagem original do povo africano, transmitida sem escrita por gerações, sendo uma religião geracional.Neste ponto, o aspecto externo me parece ter uma grande importância nesta religião africana, mas o aspecto interno e esotérico vem sendo cada vez mais enfatizado e esclarecido, à medida que o preconceito histórico contra as religiões afro-brasileiras tem sido dissipado e mesmo coibido por lei.

Agora, quanto à minha humilde opinião, o que está havendo aqui é uma grande confusão entre a verdadeira religião africana, o candomblé, e a Umbanda, que se trata de uma síntese brasileira de várias matrizes religiosas. No Candomblé não há "incorporação" de entidas, mas é o próprio Orixá que fala, com seu arquétipo definido. Não há as miríades de hostes de seres que se dizem incorporar nos terreiros de umbanda. Neste último caso, creio que valem mais as interpretações da teosofia sobre certos fenômenos espíritas ou certos "espíritos" que não passariam de "cascões astrais" ou resíduos "kama-lokicos", até porque demandam bebidas, carne, cigarros e outros objetos do desejo que provavelmente não conseguem satisfazer em seu suplício de Tântalo...

É claro que há outras interpretações do assunto. Quando cheguei à Bahia, a trabalho, há cerca de 12 anos atrás, morei por certo tempo em uma pensão no largo da Vitória que possuía uma magnífica vista para a Bahia de Todos os Santos. Com o passar do tempo comecei a ouvir um forte chamado vindo das águas e certo dia debrucei-me sobre a janela, vislumbrando um enorme gigante negro, de olhos penetrantes e corpo robusto que nada falava, apenas agitava-se nas águas. Tornei a ver este Ser por inúmeras outras vezes e durante alguns tempo não fui capaz de compreender seu significado. Há alguns anos, aprofundando-me no estudo teosófico e esotéricos, compreendi que se tratava de uma egrégora poderosa, resultante da condensação de formas-pensamento lançadas por séculos pela população da Bahia, algo como um Deus que protegia e velava por este Estado, tão valoroso e sofrido ao mesmo tempo. Isto me fez refletir seriamente sobre a maneira como o povo baiano vem mantendo sua religião por tanto tempo, apesar dos ataques dos poderosos e do odioso racismo velado do brasileiro, a única coisa capaz de assegurar a este pedaço de terra o seu decisivo papel nos destinos desta nação.

Nota:

Para o teósofo, o único interesse em saber se o culto A ou B pratica sacrifícios reside em avaliar o seu grau de utilidade na evolução. Se uma entidade pede carne, bebida ou fumo, certamente não é "do bem". Não há diferença entre sacrificar animais em um "culto" cheio de cascões astrais (restos de skhandas do kama-loka)que se apresentam como "espíritos" ou comer um carneiro na sua mesa. Tudo depende da sua postura em relação ao consumo de carne animal, do entendimento de suas implicações kármicas, da compreensão do "karma do açougueiro", das influências maléficas do estado de espírito do animal sobre você e da aquisição de um sentimento mínimo de compaixão.

Mais acima se falou de elementais na Umbanda. Mas que elementais são esses? Tratam-se de seres artificiais animados por poderosas formas-pensamento construídas por séculos. Daí têm as características médias do povo que as criou, como o tipo de fala, atributos raciais, preferências culinárias etc. Geoffrey Hodson no seu livro "O Reino dos Deuses" relata vários casos de elementais que assumem determinada forma graças ao folclores local. Agora, uma outra parte das manifestações tem o mesmo caráter dos fenômenos mediúnicos mais comuns.

6 comentários:

Menino Azul disse...

Poderia falar suscintamente sobre o continuente Mu, qual a relação dele com os lemures.

Henrique disse...

Há muitas interpretações sobre como e quando ocorreu essa "discensão" das práticas umbandistas e candoblesistas.

Uma delas, e do qual eu acho a mais pertinente, e que ajuda os nossos irmãos "raspados no santo" a entender a incorporação de entidades, e o fato delas pedirem cigarro, bebida, carne etc nos trabalhos é a seguinte:

Todos os elementos dos quais os guias espirituais que "baixam" nos terreiros de Umbanda pedem para seus trabalhos, não são "comidos", "bebidos" ou "fumados" pela entidade em si.

Esta (a entidade) pega o elemento, e retira dele seu "prana" elemental, e o utiliza no consulente para descarregá-lo, curá-lo, ou desmagia-lo.

Daí explica-se também o fato da entidade não "tragar" a fumaça do cigarro ou charuto, ou mesmo do fato de que quando a entidade bebe uma bebida forte, após a "subida" da entidade, o médium não fica embriagado.

Esta forma de explicar as coisas está fazendo muita diferença para a união da umbanda e do candomblé, principalmente no estado de são paulo.

Hoje, temos "babás" que trabalham em casas de amigos da umbanda, e pais e mais umbandistas que trabalham em terreiros de amigos do candomblé.


Espero ter podido auxiliar no trato desta questão, que, de tão mal explicada, gerou um mal estar entre a umbanda e o candomblé

Anônimo disse...

humildimente gostaria de saber quais tuas fontes de pesquizas, e tambem se é possivel obter maiores informações sobre o assunto. agradeço

sofia disse...

tenho curiosidade em saber se os gregos de fato sacrificavam seres humanos, e se o candomble realiza essa pratica! ficaria de toda grata; voltarei nessa pagina para conferir a resposta, caso seja possivel...

Leo Frobenius disse...

Não vejo tal coisa entre as religiões que são praticadas no Brasil, apenas os sacrifícios rituais de animais. Nada ouso afirmar sobre as práticas na Àfrica porque não as conheço "in loco". O que falo não tem conteúdo antropológico ou "científico" Sofia, é misto de intuição pessoal e estudos próprios e fica a critério do leitor concordar ou não. Minha formação não é em antropologia ou ciências sociais, apenas estudo ocultismo entre outras coisas. Abraços, Leo.

Rfa Leão disse...

Maria Padilha das Almas Em 10 minutos após publicar a pessoa vai ter ligar , troque as iniciais entre parenteses , é importante ter FÉ.** Senhor! Que o (VSL) nesse momento esteja pensando em mim , (VSL) querendo a todo custo estar ao meu lado , querendo me ver , me abraçar e me beijar , que sua boca sinta muita vontade de me beijar e que em sua mente só tenha a minha presença que (VSL) me procure ainda hoje me chamando para ficar ao seu lado e dizendo que me ama e que tomou a decisão certa e definitiva.Assim seja! Minha Rainha Pomba Gira Maria Padilha, Rainha das sete Encruzilhadas, peço assim: vá ONDE (VSL) estiver e faça com que ele não descanse enquanto não falar comigo, pelos poderes da terra, pela presença do fogo, pela inspiração do ar, pelas virtudes das águas, invoco as 13 almas Benditas. Pela força dos corações sagrados e das lágrimas derramadas por amor, para que se dirija até onde (VSL) estiver nesse momento, e traga seu espírito até mim, amarrando-o definitivamente ao meu. Que (VSL) me dê muito amor, carinho e queira ficar apenas comigo. Que (VSL) jamais deseje outra pessoa, e que ele tenha olhos só pra mim. Salve Pomba Gira Maria Padilha, Rainha das sete Encruzilhadas.