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segunda-feira, novembro 21, 2005

O Renascimento é Superior ao Iluminismo

O “Renascimento” foi um movimento literário, artístico e filosófico que se estendeu de fins do século XIV ao final do século XVI difundindo-se da Itália em direção a outros países da Europa. A partir do século XV a palavra se aplica à indicação de uma grande renovação moral, intelectual e política através da volta aos valores da cultura em que o homem encontrou sua maior realização: a greco-romana. Em sua dimensão mais naturalista, despertou o interesse pela indagação direta da natureza, tomando o rumo do aristotelismo, da magia e da metafísica da natureza de Campanella ou um Giordano Bruno (1).
Sob um ponto de vista sócio-político, o “Renascimento” se verifica sob circunstâncias extremamente favoráveis a que as artes brotassem no solo europeu. Novas nações haviam sido fundadas no final do século XV e a expansão ultramarina das cidades-Estado italianas, Portugal e Espanha abriam novos horizontes aos europeus, ávidos de conhecimento acerca de outras culturas. Havia por trás deste movimento uma classe de mercadores, que sacava mão do capital mercantil para promover as navegações, sustentando as ambições dos reis e nobres em um processo simbiótico que sustentava as artes. Entre as classes coroadas e os plebeus endinheirados não faltaram “Mecenas” que patrocinassem a pintura, a escultura, a literatura, a poesia e a música, configurando-se naqueles anos dourados uma sociedade sem igual do ponto de vista da história universal.
Em contraponto, o “iluminismo” representou a reação das camadas mais sórdidas da ralé burguesa contra a ordem milenar européia, as sacras monarquias e a Igreja Católica Romana enquanto organização internacional, que, ao fim e ao cabo, responderam por séculos a fio pela relativa estabilidade política e o cosmopolitismo cultural do continente. Pobres de espírito como Voltaire e Rousseau, embalados pelo sucesso do grupo de Cromwell na Inglaterra, embalaram os sonhos conspiradores de uma parte da burguesia que despida de atributos intelectuais e dos mínimos dotes civilizacionais achava-se relegada aos estratos inferiores da sociedade francesa.
A guisa de esclarecimento, cabe aqui uma nota sobre o papel da Igreja Católica na Europa, durante a Idade Média e parte da Idade Moderna. Há que se fazer uma distinção entre a religião ao nível teórico – o monoteísmo cristão na versão romana – e o exercício prático do poder, que a Igreja desde a conversão de Constantino exercia sobre os reis europeus, com intervalos críticos e embates freqüentes nos quais, ao final, o cetro sempre retornava ao Papa da Cidade Eterna. A diferenciação entre a argumentação travada ao nível teórica sobre as doutrinas da Igreja e a avaliação de suas funções reais no cenário político europeu é de fundamental importância, pois sem uma estrutura fortemente hierárquica, de cunho internacional como a Igreja, jamais a Europa teria conservado após a queda de Roma sua invejável cultura e quaisquer laivos de civilização, tendo sido solapada pelos bárbaros que partilhavam de crenças que iam da bruxaria grosseira, ao arianismo e ao nestorianismo (2).
A opção “exotérica” da Igreja, ou seja, a predileção pelas minúcias nos ritos, uma liturgia sofisticada e o esplendor de suas catedrais e templos remonta ao bem conhecido amor romano à pompa e às formalidades sacramentais. Ao proceder desta maneira, inclusive resistindo ás tendências iconoclastas em seu seio e promovendo o culto aos Santos como intercessores junto ao Altíssimo, a Igreja Católica, tácita ou abertamente, contribuiu para conservar na memória coletiva aspectos essenciais do paganismo e, sem dúvida, ostenta até os dias de hoje um brilho e vivacidade que faltam às foscas seitas protestantes.
A Igreja Católica Apostólica Romana é a menos cristã – se compreendermos por “cristão” o corresponde ao núcleo rudimentar de ensinamentos do Nazareno. Graças aos “degradados” Papas da família dos Borgia e as orgias por trás da sucessão dos pontífices, devemos muito do que o renascimento e os maiores artistas europeus legaram à posteridade. Este feito, por si só, é grandioso, e parece justificar parcela dos males da Inquisição que, aliás, era certamente um instituto socialmente aceito e com impacto – hoje bem se sabe – menor do que supunham os historiadores marxistas e os reformistas religiosos que a escolheram como bode expiatório das suas próprias falhas.
Retornando aos revolucionários do Século XVIII que se auto-eclaravam “iluministas”, além das conseqüências imediatas de seu movimento – a Revolução Francesa e a Guilhotina, Napoleão e guerra fratricida – deixaram uma herança de sangue e ódio que alcançou a apoteose ao final do século XIX e início do século XX, com a vitória dos regimes socialistas na Rússia e Europa Ocidental. Na segunda metade, após a desastrosa experiência do nazi-fascismo, o socialismo tomava conta da Europa Oriental, tolhendo as liberdades individuais de milhões de indivíduos.
O “iluminismo” só poderia redundar nos macabros experimentos políticos do Século XX, o mais torpe e violento da longo história do Homem. Atendendo aos interesses de uma pequena camada da sociedade – a burguesia industrial, os capitães de indústria – este movimento só podia acelerar o processo de separação entre o ser humano e a natureza iniciado quando a grandiosa civilização pagã do Ocidente sucumbiu ao monoteísmo. No nazismo e, principalmente, no socialismo, o indivíduo estava aniquilado e a cultura era instrumentalizada por um aparelho de Estado cínico e alheio a princípios morais. O “iluminismo” teve como triste fim o “Konzentrazionslager" ("Campo de Concentração”) e o “Gulag”.


Notas:
(1) ABBAGNANO, Diccionario de filosofia. Fondo de Cultura. México, D.F: 1992.
(2) Seitas dissidentes do cristianismo professado pela Igreja de Roma.

5 comentários:

Anônimo disse...

respeite o iluminismo
!

Anônimo disse...

QUAL A DIFERENÇA ENTRE O RENASCIMENTO É O ILU MINISMO?

Anônimo disse...

A gente encontra cada lixo na web... Eu ainda me surpreendo.

"Pobres de espírito como Voltaire e Rousseau" ?

É graças ao Voltaire, um ícone da liberdade de expressão, que hoje você pode expressar sua humilde opinião. Como o fez ao publicar esse texto medíocre.
Voltarie disse "Posso não concordar com o que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dize-lo"

Anônimo disse...

O anônimo que me antecedeu tem um texto tão pobre que me ofende a alma. É um Voltaire de ocasião...

Anônimo disse...

MUITO BOM!